A Operação Paravane foi um ataque aéreo britânico realizado na Segunda Guerra Mundial que teve como alvo o couraçado alemão . Ele ocorreu em 15 de setembro de 1944 quando 21 bombardeiros da Força Aérea Real atacaram o navio em seu ancoradouro no Fiorde de Kå, no norte da Noruega. O Tirpitz foi danificado pelo acerto direto de uma bomba e o quase acerto de várias, deixando-o incapaz para combate e impossibilitado de voltar para a Alemanha para reparos.

Esta operação sucedeu uma série de ataques aéreos contra o Tirpitz realizados por aeronaves de porta-aviões da Marinha Real Britânica entre abril e agosto de 1944. O objetivo era afundar ou incapacitar o couraçado em seu ancoradouro para que ele não mais representasse um perigo para comboios Aliados que transportavam suprimentos para a União Soviética. O primeiro ataque foi bem sucedido, mas os seguintes fracassaram por causa das defesas alemãs e limitações dos aviões do Ramo Aeronaval. Consequentemente, a tarefa de afundar o navio foi transferida para o Comando de Bombardeiros da Força Aérea Real. Os bombardeiros Avro Lancaster que realizaram o ataque decolaram de bases na União Soviética.

Todos os aviões retornaram em segurança, mas um caiu na viagem de volta para o Reino Unido no dia seguinte. Os alemães decidiram usar o Tirpitz como uma bateria de artilharia estática para proteger a cidade de Tromsø. Os Aliados não conseguiram determinar a extensão dos danos ao couraçado e realizaram mais dois ataques nos meses seguintes, a Operação Obviar em 29 de outubro e a Operação Catecismo em 12 de novembro. O Tirpitz foi afundado nesta última.

Antecedentes O couraçado alemão representava desde o início de 1942 uma ameaça para os comboios Aliados que transportavam suprimentos pelo Mar da Noruega até a União Soviética. O navio ficava ancorado nos fiordes do litoral da Noruega e era capaz de sobrepujar as forças de escolta designadas para esses comboios. Ele também poderia possivelmente tentar entrar no Oceano Atlântico e atacar comboios viajando para o Reino Unido. O couraçado raramente ia para o mar por conta da superioridade das marinhas Aliadas, tendo realizado apenas três curtas operações de combate no Mar da Noruega durante sua carreira. Os Aliados, para fazer frente a essas ameaças, precisavam manter uma força poderosa de navios de guerra com a Frota Doméstica britânica, assim navios capitais passaram a acompanhar a maioria dos comboios que seguiam para a União Soviética.

A Força Aérea Real realizou vários ataques contra o Tirpitz pouco depois dele ter chegado na Noruega em janeiro de 1942. O navio inicialmente ficou no Fiorde de Fætten, perto de Trondheim, dentro do alcance de bombardeiros decolados da Escócia. O primeiro ataque ocorreu em 30 de janeiro e envolveu nove bombardeiros Handley Page Halifax e sete Short Stirling. Apenas uma das aeronaves avistou o couraçado por causa de nuvens sobre a área e ele não foi danificado. Um Halifax caiu no mar no caminho de volta, mas sua tripulação foi resgatada. O ataque seguinte foi em 30 de março e desta vez a força era composta por 33 Halifaxes. A operação foi novamente frustrada por nuvens sobre o alvo. Quatro aviões foram abatidos e dois outros caíram enquanto voltavam para a base. Outro ataque foi organizado para a noite de 27 para 28 de abril com trinta Halifaxes e onze Avro Lancaster. Aeronaves da primeira onda localizaram e atacaram o Tirpitz, mas nenhum dano foi infligido e cinco bombardeiros foram perdidos. O último ataque foi na noite seguinte e envolveu 21 Halifaxes e doze Lancasters. O couraçado estava coberto por uma cortina de fumaça e novamente não foi danificado; duas aeronaves foram destruídas.

thumb|260px|esquerda|O Tirpitz ancorado no Fiorde de Kå, com uma neblina artificial sendo lançada Planos para mais ataques foram desenvolvidos no decorrer de 1942, mas nenhum foi levado adiante. Uma das opções consideradas foi colocar bombardeiros em uma base no norte da União Soviética, mas isto foi considerado impraticável pois pouco se sabia sobre a adequação de campos de pouso soviéticos para bombardeiros pesados. Dois esquadrões de bombardeiros Handley Page Hampden do Comando Costeiro operaram de Vaienga no norte da União Soviética em meados de setembro de 1942 para contar o Tirpitz ou outros navios alemães que tentassem atacar comboios Aliados, mas esses aviões nunca fizeram contato com o couraçado.

Mais planos para atacar o Tirpitz foram elaborados em 1943, mas nenhum virou realidade. O inventor Barnes Wallis tentou desenvolver entre 1942 e 1943 uma versão de sua "bomba ricocheteadora" para uso contra o navio junto com as armas maiores que foram usadas para atacar várias represas alemãs em 16 e 17 de maio de 1943 na Operação Castigar. O Esquadrão Nº 618 foi formado em abril de 1943 e equipado com bombardeiros de Havilland DH.98 Mosquito para esse ataque, mas testes com a nova bomba ricocheteadora no decorrer do ano não foram bem sucedidos e o plano foi abandonado em setembro. O Tirpitz foi transferido no final de maio para uma nova base no Fiorde de Kå, no extremo norte da Noruega. Este ancoradouro era bem protegido, com as defesas incluindo equipamentos capazes de rapidamente gerarem uma cortina de fumaça, bem como várias armas antiaéreas localizadas em baterias costeiras e navios. Foi considerado em junho usar bombardeiros pesados estadunidenses Boeing B-17 Flying Fortress para atacar o couraçado. Estes aviões voariam do Reino Unido para o Fiorde de Kå, pousariam na União Soviética e então fariam outro ataque na viagem de volta. A Força Aérea Real considerou que tal missão seria impraticável, pois esperava-se que caças alemães atacassem os bombardeiros e que o Fiorde de Kå já estivesse coberto por uma cortina de fumaça quando os aviões chegassem na área. O único ataque feito contra o Tirpitz no Fiorde de Kå feito por aeronaves decoladas de terra antes de setembro de 1944 foi um pequeno ataque de quinze bombardeiros soviéticos na noite de 10 para 11 de fevereiro de 1944, mas não infligiram danos no navio.

A Marinha Real Britânica atacou o couraçado entre setembro de 1943 e agosto de 1944. Tripulações de minissubmarinos penetraram as defesas do navio em 23 de setembro de 1943 durante a Operação Fonte, colocando explosivos embaixo do seu casco. As detonações causaram grandes danos ao Tirpitz, que ficou fora de serviço por seis meses. Mais ataques com minissubmarinos não foram considerados possíveis e assim um ataque aéreo chamado de Operação Tungstênio foi realizado por porta-aviões em 3 de abril de 1944, quando os reparos ao couraçado estavam quase terminados. O Tirpitz não foi muito danificado e ficou fora de ação só por mais alguns meses até o fim dos consertos. Mais quatro ataques ocorreram entre abril e julho; os três primeiros foram frustrados por clima ruim e o último, a Operação Mascote em 17 de julho, não infligiu danos ao navio. Outros quatro ataques com porta-aviões ocorreram de 22 a 29 de agosto na Operação Goodwood, mas novamente o couraçado foi danificado apenas levemente.

Planejamento

Oficiais graduados da Marinha Real atribuíram os fracassos dos ataques realizados entre abril e agosto de 1944 nas limitações do Fairey Barracuda, a principal aeronave de ataque do Ramo Aeronaval. A Operação Tungstênio foi um sucesso porque os alemães foram pegos de surpresa, enquanto nos ataques seguintes a lentidão dos Barracudas deu tempo para os defensores no Fiorde de Kå cobrirem a área com a cortina de fumaça antes que os aviões chegassem. Além disso, os Barracudas não conseguiam levar bombas grandes o bastante para danificarem significativamente o Tirpitz quando acertavam. Desta forma, antes e depois da Operação Goodwood, foi considerado usar Mosquitos nos ataques. Planos iniciais desenvolvidos em meados de agosto teriam essas aeronaves decolando de porta-aviões e atacando o couraçado com bombas perfurantes de 910 quilogramas 1,8 tonelada, em seguida pousando na União Soviética. Essas propostas deram em nada porque o general de exército estadunidense Dwight D. Eisenhower, o Supremo Comandante Aliado das Forças Expedicionárias Aliadas, não estava disposto a liberar os Mosquitos em julho, já em agosto foi determinado que Mosquistos decolados de porta-aviões também eram muitos lentos para chegarem no Fiorde de Kå antes da área ser coberta por fumaça.

O Comando de Bombardeiros da Força Aérea Real, que controlava a força de bombardeiros pesados, começou em agosto a desenvolver planos para atacar o Tirpitz. Em uma reunião realizada em 28 de agosto entre marechal chefe do ar sir Arthur Harris e o marechal do ar Douglas Evill, respectivamente o chefe do Comando de Bombardeiros e o vice-chefe do Estado-Maior do Ar, para discutir a viabilidade de enviar os Mosquitos para o Fiorde de Kå, Harris contou que já tinha um plano de ataque pronto. Sob este plano, 24 Lancasters partiriam de bases no norte da Escócia, atacariam o Tirpitz e retornariam para um campo de pouso nas Ilhas Shetland. Caso fosse julgado que a viagem de volta fosse impossível, os bombardeiros então pousariam em Murmansk, no norte da União Soviética, e depois retornariam para o Reino Unido. O estado-maior do Comando de Bombardeiros entrou em contato com oficiais soviéticos sobre essa possibilidade e foi concluído que seria viável. O ataque seria realizado por duas unidades de elite, os Esquadrões Nº 9 e Nº 617, por causa da natureza complexa da missão. Esta proposta teve uma recepção favorável e foi aprovada pelo quartel-general de Eisenhower em 5 de setembro.

O Grupo Nº 5 recebeu no final de agosto a responsabilidade de planejar o ataque Os oficiais do estado-maior do grupo acharam que o elemento surpresa era essencial para que assim o Fiorde de Kå não estivesse coberto de fumaça quando os Lancasters chegassem. A rota de aproximação voltada para o mar tinha uma grande cobertura de radares, assim os planejadores decidiram que a força de ataque deveria aproximar-se por terra vinda do sudeste e em alta velocidade a fim de limitar o tempo de aviso prévio dos defensores a oito minutos ou menos. Por conta das dificuldades em danificar o couraçado blindado, a arma escolhida para a missão foi a bomba Tallboy, a maior em serviço na época na Força Aérea Real e uma capaz de penetrar alvos bem protegidos. Alguns dos bombardeiros seriam armados com minas navais "Johnnie Walker", projetadas para serem lançadas de aviões e moverem-se pela água ao mergulharem e submergirem rapidamente até acertarem o alvo. A Tallboy tinha sido usada pelo Esquadrão Nº 617 de forma bem sucedida contra túneis e outras instalações, mas as minas nunca tinham sido usadas em combate, com Harris e outros oficiais da Força Aérea Real duvidando da sua eficácia.

thumb|esquerda|195px|Uma Tallboy sendo içada de um depósito em meados de 1944