Zeus (em grego antigo: Ζεύς; transl. Zeús;Também é pronunciado e, no grego moderno /'zefs/; o genitivo é Διός, transl. Diós. em grego moderno: Δίας, transl. Días) é o pai dos deuses (πατὴρ ἀνδρῶν τε θεῶν τε, patēr andrōn te theōn te),Hesíodo, Teogonia, 542 que exercia a autoridade sobre os deuses olímpicos na antiga religião grega. É o deus dos céus, raios, relâmpagos que mantêm a ordem e justiça na mitologia grega. Seu equivalente romano é Júpiter, enquanto seu equivalente etrusco é Tinia; alguns autores estabeleceram seu equivalente hindu como sendo Indra.

Filho do titã Cronos e de Reia, Zeus é o mais novo de seus irmãos; na maior parte das tradições é casado, primeiro com Métis, gerando a deusa Atena e, depois, com Hera, embora no oráculo de Dodona, sua esposa seja Dione, com quem, de acordo com a Ilíada, ele teria gerado Afrodite.Existem duas histórias conflitantes a respeito da origem de Afrodite: Hesíodo, na Teogonia, afirma que ela teria "nascido" a partir da espuma do mar, após Crono ter castrado Urano, o que faria dela filha de Urano; porém Homero, na Ilíada (livro V) menciona Afrodite como filha de Zeus e Dione. De acordo com Platão (Simpósio, 180e), as duas seriam entidades completamente diferentes: Afrodite Urânia (Aphrodite Ourania) e Afrodite Pandemos (Aphrodite Pandemos). É conhecido por suas aventuras eróticas, que frequentemente resultavam em descendentes divinos e heroicos, como Atena, Apolo e Ártemis, Hermes, Perséfone (com Deméter), Dioniso, Perseu, Héracles, Helena de Troia, Minos, e as Musas (de Mnemosine); com Hera, teria tido Ares, Ênio, Ilítia, Éris, Hebe e Hefesto.

Como ressaltou o acadêmico alemão Walter Burkert em seu livro Religião Grega, "mesmo os deuses que não são filhos naturais de Zeus dirigem-se a ele como Pai, e todos os deuses se põem de pé diante de sua presença."Ilíada, livro 1.503;533 Para os gregos, era o Rei dos Deuses, que supervisionava o universo. Nas palavras do geógrafo antigo Pausânias, "que Zeus é rei nos céus é um dito comum a todos os homens."Pausânias, 2. 24.2. Na Teogonia, de Hesíodo, Zeus é responsável por delegar a cada um dos deuses suas devidas funções. Nos Hinos Homéricos ele é referido como o "chefe dos deuses".

Seus símbolos são o raio, a águia, o touro e o carvalho. Além de sua clara herança indo-europeia, sua clássica descrição como "ajuntador de nuvens" também deriva certos traços iconográficos das culturas do Antigo Oriente Médio, tais como o cetro. Zeus frequentemente foi representado pelos antigos artistas gregos em duas poses diferentes: numa, em pé, apoiado para a frente, empunhando um raio na altura de sua mão direita, erguida; na outra sentado, numa pose majestosa. Havia muitas estátuas erguidas em sua honra, das quais a mais magnífica era a sua estátua em Olímpia, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Originalmente, os Jogos Olímpicos eram realizados em sua honra.

Etimologia thumb|Carruagem de ZeusDe Histórias dos Tragedistas Gregos, 1879, de Alfred Church Em grego, o nome do deus é Ζεύς, Zeús, (nominativo : Ζεύς, Zeús; vocativo : Ζεῦ, Zeû; acusativo: Δία, Día; genitivo: Διός, Diós; dativo: Διί, Dií). Na Civilização Minoica, Zeus não era cultuado pela população geral, mas apenas em pequenos cultos minoritários que o viam como um semideus que acabara sendo morto. Os primeiros registros de seu nome estão no grego micênico, nas formas di-we e di-wo, escritas no silabário Linear B.Palaeolexicon

Zeus, referido poeticamente pelo vocativo Zeu pater ("Ó, pai Zeus"), é uma continuação de *Di̯ēus, o deus proto-indo-europeu do céu diurno, também chamado de *Dyeus ph2tēr ("Pai Céu"). Este mesmo deus é conhecido por este nome em sânscrito (Dyaus/Dyaus Pita), latim (Júpiter, de Iuppiter, do vocativo proto-indo-europeu *dyeu-ph2tēr), que é derivado da forma básica *dyeu- ("brilhar", e em seus diversos derivados — "céu", "deus"). Já na mitologia germânica o paralelo pode ser encontrado em *Tīwaz > alto germânico antigo Ziu, nórdico antigo Týr, enquanto o latim também apresenta as formas deus, dīvus e Dis (uma variação de dīves), do substantivo relacionado *deiwos. Para os gregos e romanos, o deus do céu também era o deus supremo. Zeus é a única divindade do panteão olímpico cujo nome tem uma etimologia tão evidentemente indo-europeia.

Epítetos e títulos thumb|ZeusCabeça colossal de mármore, romana, , Museu BritânicoO busto sob a base do pescoço é do . A cabeça, que foi pouco trabalhada em sua parte posterior, indicando que devia se localizar originalmente num nicho, foi encontrada na Vila de Adriano, em Tívoli, Itália, e doada para o Museu Britânico por John Thomas Barber Beaumont, em 1836. BM 1516. (Museu Britânico, A Catalogue of Sculpture in the Department of Greek and Roman Antiquities, 1904). Zeus desempenhava um papel dominante, presidindo sobre o panteão olímpico da Grécia Antiga. Foi pai de muitos heróis, e fazia parte de diversos cultos locais. Embora o "ajuntador de nuvens" homérico fosse um deus do céu e do trovão, como seus equivalentes orientais, também era o supremo artefato cultural; de certa maneira, era a encarnação das crenças religiosas gregas, e o arquétipo da divindade grega.

No neoplatonismo, a figura de Zeus familiar à mitologia grega é associada ao Demiurgo, ou Mente (nous) Divina. Especificamente dentro da obra de Plotino, Enéadas,No quarto tratado, 'Problemas da Alma', o Demiurgo é identificado como Zeus (Enéada IV, 4, 10). e na Teologia Platônica, de Proclo.

Além dos epítetos locais, que simplesmente designavam que a divindade havia feito algo em determinado lugar, os epítetos ou títulos aplicados a Zeus enfatizavam diferentes aspectos de sua ampla autoridade: Zeus Olímpio, enfatizava a realeza de Zeus e seu domínio sobre os deuses, bem como sua presença específica no Festival Pan-Helênico de Olímpia. Zeus Pan-Helênio ("Zeus de todos os Helenos"), a quem o célebre templo de Éaco em Egina foi dedicado. Zeus Xênio, Filóxeno ou Hóspites: Zeus que era o padroeiro da hospitalidade e dos convidados, pronto para vingar qualquer mal cometido a um estrangeiro. Zeus Órquio: Zeus protetor dos juramentos. Mentirosos que haviam sido expostos eram forçados a dedicar uma estátua a Zeus, muitas vezes no santuário de Olímpia. Zeus Agoreu: Zeus que cuidava dos negócios na ágora e punia os comerciantes desonestos. Zeus Egíoco: Zeus que portava a égide, com a qual ele infundia o terror nos ímpios e em seus inimigos.Homero, Ilíada i. 202, ii. 157, 375, &c.Píndaro, Odes Ístmias iv. 99Higino, Astronomia Poética ii. 13 Outros autores derivaram este epíteto de αἴξ ("cabra") e οχή, interpretando-o como uma alusão à lenda segundo a qual Zeus teria sido amamentado por Amalteia.Spanh. ad Callim. hymn. in Jov, 49

Entre outros nomes e epítetos dados a Zeus estão:

Zeus Meilíquio (Meilichios, "facilmente acessível"): Zeus assimilou um daimon ctônico arcaico, propiciado em Atenas, o Meilíquio. Zeus Taleu (Zeus Tallaios, "Zeus solar"): o Zeus que era cultuado em Creta. Zeus Labrando (Labrandos): venerado na Cária, seu local de culto era em Labraunda, e era representado empunhando um machado de ponta dupla (lábris). Estava associado ao deus hurrita do céu e da tempestade, Texube. Zeus Nao (Naos) e Zeus Búleo (Bouleus): formas de Zeus cultuadas em Dodona, o oráculo mais antigo. Alguns autores acreditam que os nomes de seus sacerdotes, os selos, teriam dado origem ao nome de helenos, dado ao povo grego desde a Antiguidade. Zeus Cássio: o Zeus de monte Acra, vale de montanhas entre a Síria e Turquia. Zeus Itômio ou Itomeu (Ithomatas): o Zeus do monte Itome, na Messênia. Zeus Astrápeo (Astrapios, "relampejante") Zeus Brôncio ou Bronteu ("trovejante")

Mito thumb|ZeusNa Villa Getty, Itália, entre 1 e 100 d.C, autor desconhecido Nascimento de Zeus e seus irmãos Cronos teve diversos filhos com Reia: Héstia, Deméter, Hera, Hades e Posídon, porém engoliu-os (menos Posídon, Hades e Hera) assim que nasceram, após ouvir de Gaia e Urano que ele estava destinado a ser deposto por seu filho, da mesma maneira que ele havia deposto seu próprio pai — um oráculo do qual Reia tomou conhecimento e pôde evitar.

Quando Zeus estava prestes a nascer, Reia procurou Gaia e concebeu um plano para salvá-lo, para que Cronos fosse punido por suas ações contra Urano e seus próprios filhos. Reia deu à luz Zeus na ilha de Creta, e entregou a Cronos uma pedra enrolada em roupas de bebê, que ele prontamente engoliu.

Infância

Reia teria escondido Zeus numa caverna dos montes Dícti, em Creta. De acordo com as diversas versões da história, ele teria sido criado: por Gaia; por uma cabra chamada Amalteia, enquanto um pelotão de curetes — soldados ou deuses menores — dançavam, gritavam e batiam suas lanças contra seus escudos para que Cronos não ouvisse o choro do bebê (ver cornucópia); por uma cabra chamada Aix (que pertencia à ninfa Amalteia), e da pele dela Zeus fez a Égide; por uma ninfa chamada Adamanteia. Como Cronos era senhor da Terra, dos céus e do mar, ela o escondeu pendurado por uma corda de uma árvore, de modo que ele, não estando nem na terra, nem no céu e nem no mar, teria ficado invisível para seu pai; por uma ninfa chamada Cinosura, e como agradecimento, Zeus a teria colocado em meio às estrelas. por Melissa, que o amamentou com leite de cabra e mel.

Rei dos deuses thumb|Marnas colossal sentado, retratado ao estilo de Zeus, período romano. Era a divindade principal de Gaza(Museu Arqueológico de Istambul).; Johannes Hahn: Gewalt und religiöser Konflikt; The Holy Land and the Bible Após chegar à idade adulta, Zeus forçou Cronos a vomitar primeiro a pedra que lhe havia sido dada em seu lugar — em Pito, sob os vales do monte Parnaso, como um sinal para os mortais: o Ônfalo, "umbigo" — e em seguida seus irmãos, de acordo com a ordem em que haviam sido engolidos. Em algumas versões, Métis deu a Cronos um emético para forçá-lo a vomitar os bebês, enquanto noutra o próprio Zeus teria aberto com um corte a barriga de Cronos. Em seguida, Zeus libertou os irmãos de Crono, os gigantes, os hecatônquiros e os ciclopes, que estavam aprisionados num calabouço no Tártaro, após matar Campe, o monstro que os vigiava.

Para mostrar seu agradecimento, os ciclopes lhe presentearam com o trovão e o raio, que haviam sido escondidos anteriormente por Gaia. Zeus então, juntamente com seus irmãos e irmãs, os gigantes, hecatônquiros e ciclopes, depuseram Cronos e os outros titãs, durante a batalha conhecida como Titanomaquia. Os titãs, após serem derrotados, foram despachados para o Tártaro, enquanto um deles, Atlas, foi condenado a segurar permanentemente o céu.

Após a batalha contra os titãs, Zeus dividiu o mundo com seus irmãos mais velhos, Posidão e Hades: Zeus ficou com o céu e o ar, Posidão com as águas e Hades com o Mundo Inferior, local para onde iam as almas dos mortos. A antiga Terra, Gaia, não podia ser dividida, e portanto ficou para todos os três, de acordo com suas habilidades — o que explica porque Posidão era o "sacudidor da terra" (o deus dos terremotos), e Hades ficava com as almas dos que morriam (ver Pentos).

Gaia, no entanto, não aprovou a maneira com que Zeus tratou os titãs, seus filhos; logo após assumir o trono como rei dos deuses, Zeus teve de combater outros filhos de Gaia: o monstro Tifão e a Equidna. Zeus derrotou Tifão, aprisionando-o sob o monte Etna, porém poupou a vida de Equidna e seus filhos.

Zeus e Hera miniaturadaimagem|Casamento de Zeus e Hera em um afresco antigo de Pompéia