John Day (ou Daye) (1522A data de nascimento é calculada a partir de uma xilogravura de 1562, onde John proclama sua idade como 40 ("A vida é morte e a morte é vida: ætatis suæ XXXX"). - 23 de julho de 1584) foi um impressor inglês.EVENDEN, E. Patents and patronage : the life and career of John Day, Tudor printer. 2002. Se dedicou a imprimir e distribuir literatura protestante, produzindo diversos livros religiosos em pequenos formatos, como cartilhas, panfletos, sermões e traduções de salmos. No entanto, ele ganhou fama por ter editado e publicado Actes and Monuments de John Foxe, também conhecido como O livro dos Mártires. Este foi o maior livro em questão de tamanho e tecnologia publicado na Inglaterra durante o século XVI.King, Book of Martyrs, 81.
John Day chegou ao apogeu da sua carreira durante o reinado de Eduardo VI (1547–1553). Neste tempo, as restrições às editoras foram reduzidas, e uma onda de propaganda para a reforma inglesa foi incentivada pelo governo do Lorde Protetor, Eduardo Seymour, 1.º Duque de Somerset.EVENDEN, E. Patents and patronage : the life and career of John Day, Tudor printer. 2002.
Durante o reinado da rainha católica Maria I, muitos editores protestantes fugiram para o continente, mas John continuou na Inglaterra publicando literatura protestante, até que fosse capturado e preso por suas atividades.King, Book of Martyrs, 82.
Quando Isabel I ascendeu ao trono, John retornou as suas instalações em Aldersgate, Londres. Ele desfrutou do patrocínio de altos funcionários e nobres, incluindo William Cecil, Robert Dudley e Matthew Parker. Com esse apoio, ele publicou O Livro dos Mártires de Foxe e teve monopólio sob alguns dos mais populares livros ingleses, como The ABC with Little Catechism e The Whole Booke of Psalmes.King, Book of Martyrs, 83. John Day, cuja habilidade técnica combinava com sua perspicácia empresarial, foi chamado de "o mestre impressor da Reforma Inglesa".King, Book of Martyrs, 80. Ele foi o primeiro impressor a utilizar uma fonte que remete aos caracteres saxões e aperfeiçoou as fontes gregas e itálicas. Faleceu em 1584, após ter se dedicado à atividade de impressor por quase quarenta anos.
Carreira inicial As origens de John Day e os primeiros anos de sua vida são desconhecidos. Acadêmicos acreditam que ele nasceu e cresceu em Dunwich, devido ao fato de ter sido o proprietário de uma casa no local, no entanto, nenhum registro paroquial da Igreja de São Pedro, em Dunwich, sobreviveu para iluminar a suposta conexão de Day com a cidade, e o seu nome não aparece nas declarações de subsídios locais ou listas de convocação no período de 1549 a 1600.EVENDEN, E. Patents and patronage : the life and career of John Day, Tudor printer. 2002. Possivelmente ele morou em Londres por volta de 1540, pois em um relatório da cidade seu nome é mencionado como ex-empregado do editor e físico Thomas Raynalde. Em 1546, ele provavelmente foi um dos vinte homens que receberam o título ''Liberdade da Cidade'', uma honra concedida por um município a um membro valioso da comunidade, que no caso de Day foi por seu trabalho para a Venerável Companhia de Bowyers.Pettegree, Andrew. "Day [Daye], John (1521/2–1584), printer and bookseller." Oxford Dictionary of National Biography. 23 Sep. 2004; Acessado em 28 de novembro de 2024. https://www.oxforddnb.com/view/10.1093/ref:odnb/9780198614128.001.0001/odnb-9780198614128-e-7367.
No ano seguinte, ele começou a imprimir com seu parceiro, William Seres, os dois operavam na paróquia do Santo Sepulcro, em Londres.Alford, Stephen (2002). Kingship and Politics in the Reign of Edward VI. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-66055-6. Day e Seres se especializaram em imprimir trabalhos religiosos, como os que eram impressos por Robert Crowley, principalmente relacionados às controvérsias teológicas da época.King, Book trade, 167. A medida em que a reforma protestante avançava rapidamente, as leis contra a publicação de trabalhos considerados heréticos estavam sendo mais flexibilizadas. Em 1548, dez dos vinte trabalhos publicados por eles eram dedicados a criticar e refutar a crença católica na transubstanciação.Pettegree, Andrew. "Day [Daye], John (1521/2–1584), printer and bookseller." Oxford Dictionary of National Biography. 23 Sep. 2004; Acessado em 28 de novembro de 2024. https://www.oxforddnb.com/view/10.1093/ref:odnb/9780198614128.001.0001/odnb-9780198614128-e-7367. Uma destas publicações, foi o poema satírico escrito por Luke Shepherd, intitulado John Bon and Mast Person, o qual quase o levou à prisão por tê-lo publicado. No entanto, um oficial evangélico da Guarda real, chamado Edward Underhill, impediu a prisão de Day. Day e Seres também publicaram importantes trabalhos de protestantes continentais para o mercado inglês, mais notavelmente A Simple and Religious Consultation, de Hermann Von Wied, publicado na Inglaterra em 1547.EVENDEN, E. Patents and patronage : the life and career of John Day, Tudor printer. 2002.
Em 1549, Day abriu sua nova loja em Cheapside, e no próximo ano, ele e Seres tiveram sucesso suficiente para amigavelmente separar seus negócios.Alford, 118–19. Day montou sua nova casa e gráfica em Aldersgate na paróquia de St Anne e St Agnes, e transferiu-se da empresa Stringers' para a Stationers' Company. Day achou a cidade de Aldersgate amigável aos estrangeiros, o que considerou útil para atrair trabalhadores holandeses qualificados, nos quais ele confiou ao longo de sua carreira.EVENDEN, E. Patents and patronage : the life and career of John Day, Tudor printer. 2002. Logo no início de sua carreira, Day se estabeleceu como um impressor de qualidade, e reimprimiu uma edição elaborada da bíblia que previamente produziu com William Seres.Alford, 119.
No ano seguinte, garantiu a valiosa patente para publicar os trabalhos de John Ponet e Thomas Beccon. Isso mexeu com um de seus concorrentes, Reginald Wolfe, o qual já possuía o direito de publicar o catecismo de Ponet em latim.Evenden. Day colheu mais benefícios no acordo do que Wolfe, uma vez que as impressões em inglês eram mais usadas do que as em latim, e uma cartilha foi eventualmente anexada ao catecismo de Ponet.Pettegree.
Com uma reputação de protestante piedoso e com conexões com pessoas como John Dudley, William Cecil, e Catherine Willoughb, uma carreira de sucesso parecia assegurada para Day. No entanto, Maria I ascendeu ao trono em 1553, assim, todo o cenário religioso do país mudou. Por anos, acreditava-se que com a ascensão de Maria ao trono, Day fugiria para o continente, evitando à perseguição. Porém, evidências tipográficas e outras convenceram os estudiosos de que Day estabeleceu uma imprensa clandestina vinculada a William Cecil, em Lincolnshire,Foxe relatou que Sir William Cooke "foi condenado a uma prisão vil por ter permitido que nosso impressor imprimisse" um livro proibido. Cooke era cunhado de William Cecil, que apoiava uma imprensa secreta que Day operava em Stamford, Lincolnshire.
King, Book of Martyrs, 82. onde continuou a publicar trabalhos protestantes polêmicos sobre o pseudônimo de Michael Wood.Evenden. Fairfield, 221. Os panfletos incluíam escritos de protestantes como Jane Grey, John Hooper, e Stephen Gardiner, além de ataques à rainha Maria e aos seus conselheiros.King, Book trade, 172.
De acordo com o diários de Henry Machyn, em 16 de outubro de 1554, Day foi capturado e preso na Torre de Londres, acusado de publicar ''livros obscenos''.Machyn writes in that day's entry: "The xvj day of October cam rydyng owt of Northfoke on John Day prynter and ys servand, and a prest, and an-odur prynter, for pryntyng of noythy bokes, to the Towre." King, Book of Martyrs, 82. No Livro dos Mártires, John Foxe registrou declarações feita à Day pelo futuro mártir John Rogers, "falou estando então na prisão, ao impressor deste livro, que então também estava preso por motivos religiosos".Rogers foi executado em fevereiro de 1555. King, Book of Martyrs, 82. Day foi liberto no próximo ano e foi permitido que ele continuasse a trabalhar imprimindo, mas não obras de autores protestantes. Sua liberdade foi concedida possivelmente devido a falta de impressores, dado o fato de que muitos trabalhadores protestantes estrangeiros se refugiaram no continente.Evenden and Roberts. Ele se reuniu com Seres (o qual recentemente também havia sido liberto da prisão) para produzir trabalhos sobre o catolicismo para o impressor católico John Wayland, um salto gritante se comparado aos trabalhos protestantes que publicavam antes da prisão.King, Book of Martyrs, 173. Ele também trabalhou como impressor oficial da Cidade de Londres por dois anos.Evenden.
Período elizabetano
Em 1558, com a morte de Maria e a ascensão de Isabel I ao trono, os negócios de de Day floresceram novamente. Day estava relativamente próximo à Cecil, o qual tinha se tornado um dos principais conselheiros da rainha. Através dele, John Day conseguiu o valioso monopólio de impressão de cartilhas.King, Book trade, 167. Ele também criou laços com Roberto Dydley, filho de John dudley, um dos favoritos da rainha. Com a ajuda de seus apoiadores, Day conseguiu uma patente lucrativa, ao garantir o direito de publicar a obra de William Cuningham intitulada Cosmographical Glasse.Durante esse período, o soberano podia conceder patentes a impressores favorecidos, dando a eles monopólios sobre obras particulares, geralmente por um número fixo de anos. Essas patentes reais não estavam sujeitas à regulamentação da Stationers' Company, que de outra forma controlava o comércio de livros. Em 1559 ele produziu a primeira edição desta obra, usando uma nova fonte itálica de melhor qualidade (provavelmente cortada por François Guyot) e um impressionante número de xilogravuras. Day tomou os altos custos da produção para si mesmo, uma vez que sabia que o trabalho solidificaria sua reputação como um impressor mestre.Evenden. Sua patente para imprimir os trabalhos de Cuningham — seu primeiro trabalho no período elizabetano — o concedeu direitos exclusivos durante toda a vida.
Day se aproveitou do monopólio, restabelecendo sua patente eduardiana da cartilha The ABC with Little Catechism. Em 1559, ele obteve uma patente para The Whole Booke of Psalmes, Collected into English Meter, um saltério métrico, compilado principalmente por Thomas Sternhold e John Hopkins, que Day publicou pela primeira vez em 1562.Miller. A Stationers' Company garantiu a Day o direito de imprimir todos os exemplares. Apesar de que geralmente os salmos eram aprendidos de cor, o negócio provou ser lucrativo, refletindo um aumento na cultura musical durante o período.Smith, 24. The Whole Booke of Psalmes se tornou o livro mais vendido e o saltério inglês padrão de sua época.Pettegree. Os monopólios de Day sobre essas obras perenemente populares seriam a base de grande riqueza ao longo dos anos e de muitos conflitos entre ele e seus colegas papeleiros. Em processos judiciais perto do fim da vida de Day, estimou-se que essas patentes específicas valiam entre £ 200 e £ 500 por ano.Pettegree.
Atos e Monumentos (O livro dos mártires)