Cichlasoma sanctifranciscense, popularmente referido como acará ou acará-comum, é uma espécie da família dos ciclídeos (Cichlidae) e do gênero Cichlasoma. Foi descrita em 1973 por Sven Kullander.
Etimologia
O nome genérico Cichlasoma do grego kichlḗ (), que significa "bodião", e sȭma (), que significa "corpo". O nome popular cará ou acará é uma designação comum a diversos peixes da família dos ciclídeos. O termo deriva do tupi aka'ra, no sentido de "escamoso, cascudo", e foi registrado pela primeira vez em 1587.
Taxonomia e sistemática
Cichlasoma sanctifranciscense foi descrito pela primeira vez por Sven Kullander em 1983. Seu holótipo é NMW 32714 e sua localidade-tipo é a lagoa Viana, no sistema do rio São Francisco, no estado da Bahia.
Distribuição e habitat
Cichlasoma sanctifranciscense ocorre no rio São Francisco, desde as cabeceiras até a foz, bem como em lagoas e drenagens costeiras próximas a Salvador, nos estados de Minas Gerais, Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco. Há registros incertos de sua ocorrência no lagoa de Parnaguá, na bacia do rio Parnaíba (estados do Ceará, Maranhão e Piauí). Segundo Lima e Caires (2011), também é listado para o rio do Sono, afluente do rio Tocantins, na região das Águas Emendadas (na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins), abrangendo os estados de Tocantins e Bahia. Há ainda registro para o trecho do Tocantins que banha o estado de Goiás. Habita lagoas marginais e represas do rio São Francisco, mas também pode ser encontrada nos riachos e rios maiores.
Ecologia
Cichlasoma sanctifranciscense é uma espécie onívora, com preferência por insetos, conforme apontam estudos sobre dieta e estrutura trófica de comunidades de peixes em lagoas marginais do trecho médio do São Francisco. Em pesquisa realizada em uma lagoa marginal do trecho sub-médio do mesmo rio, a espécie foi classificada como invertívora. Informações etnoecológicas baseadas no conhecimento de pescadores da região indicam que o corró - nome popular atribuído à espécie - se alimenta de peixes pequenos e ovas, constrói ninhos e exerce cuidado parental, apresentando comportamento agressivo na defesa da prole.
Conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica Cichlasoma sanctifranciscense como pouco preocupante (LC), pois é relativamente comum e abundante, é encontrado em ambientes lênticos, sua população aparente estar estável e não foram identificadas ameaças que coloquem a espécie em risco. Em 2018, foi classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A espécie está presente em várias áreas de conservação:
Área de Proteção Ambiental Cavernas do Peruaçu (APA Cavernas do Peruaçu) Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins (ESEC Serra Geral do Tocantins) Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (PARNA Cavernas do Peruaçu) Parque Nacional Grande Sertão Veredas (PARNA Grande Sertão Veredas) Parque Nacional Nascentes do Rio Parnaíba (PARNA Nascentes do Rio Parnaíba) Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio de Janeiro (APA Bacia do Rio de Janeiro) Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio Pandeiros (APA Bacia do Rio Pandeiros) Área de Proteção Ambiental da Baía de Camamu (APA Baía de Camamu) Área de Proteção Ambiental Estadual Cochá e Gibão (APA Cochá e Gibão) Área de Proteção Ambiental do Catolé e Fernão Velho (APA Catolé e Fernão Velho) Área de Proteção Ambiental do Rio Preto (APA Rio Preto) Área de Proteção Ambiental dos Morros Garapenses (APA Morros Garapenses) Área de Proteção Ambiental Dunas e Veredas do Baixo-Médio São Francisco (APA Dunas e Veredas do Baixo-Médio São Francisco) Área de Proteção Ambiental Marimbus-Iraquara (APA Marimbus/Iraquara) Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro (PE Lagoa do Cajueiro) Parque Estadual da Mata Seca (PE Mata Seca) Parque Estadual Veredas do Peruaçu (PE Veredas do Peruaçu) Reserva Particular do Patrimônio Natural Guará (RPPN Guará)
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