A Real Aerovias Brasília foi uma companhia aérea brasileira, fundada no ano de 1945 pelo empresário paulista Vicente Mammana Neto e extinta em 1961, quando foi incorporada à Varig.. Originalmente fundada como REAL Transportes Aéreos, foi a maior companhia do país, chegando a ter mais de 80 aeronaves DC-3s simultaneamente em sua frota no seu auge, a maior do mundo, sendo a primeira empresa aérea da América latina a voar para a Asia.
História
Em 1943 o empresário Vicente Mammana Neto criou a Companhia Santista de Aviação e adquiriu duas pequenas aeronaves Relliant. Mammana Neto vislumbrou a possibilidade de ampliar a frota da empresa com uma aeronave americana Aeronca em 1944, porém o negócio acabou barrado pelo governo brasileiro e a “Santista” acabou encerrando as atividades.Após o final da Segunda Guerra Mundial o governo dos Estados Unidos se viu com uma frota de milhares de aeronaves de transporte que se tornaram desnecessárias com o final do conflito. Assim, foi decidido pelo governo dos Estados Unidos que as aeronaves seriam vendidas para empresas aéreas e ou para a sucata.
Mammana Neto viu nesse evento uma oportunidade e associou-se ao piloto Lineu Gomes em novembro de 1945 fundando a empresa Redes Estaduais Aéreas Limitadas (REAL). Com um capital inicial de 400 mil cruzeiros, adquiriram do governo dos Estados Unidos uma aeronave Douglas DC-3. A iniciativa atraiu o empresário Armando de Aguiar Campos e dois outros DC-3 foram adquiridos.
Com as aeronaves DC-3 a REAL inaugurou sua primeira rota ligando o Rio de Janeiro (Aeroporto Santos Dumont) a São Paulo (Aeroporto de Congonhas) em 7 de fevereiro de 1946. Diferente das companhias aéreas existentes no país, a REAL decidiu operar com passagens mais acessíveis e isso fez com que seus voos partissem lotados. Até o final de 1946 a empresa atendia Curitiba. Para atender a grande demanda de passageiros, a REAL adquiriu dois Bristol 170. Devido a problemas técnicos e reclamações dos passageiros, as aeronaves acabaram revendidas em 1948.
Visando ampliar sua frota, a REAL transformou-se de empresa limitada para uma sociedade por ações em 13 de dezembro de 1946 e foi denominada REAL Transportes Aéreos S/A. A criação dessa sociedade, presidida agora pelo empresário Sebastião Paes de Almeida, permitiu a ampliação do capital da empresa e angariou recursos para a aquisição de dez DC-3.
Da segunda metade da década de 1940 até 1955, a empresa experimentou sua primeira grande expansão, pela aquisição de empresas menores. Em 1948 adquiriu a Linhas Aéreas Wright e em 1950 a LAN - Linhas Aéreas NATAL. Com essas compras, a frota da REAL chegou a 20 Douglas DC-3/C-47.
Com a compra da LATB - Linha Aérea Transcontinental Brasileira, em agosto de 1951, a REAL expandiu consideravelmente sua malha na região nordeste do país.
thumb|390px|Convair CV-440 Metropolitan, operado pela Real Aerovias entre 1956 e 1961.
Entre 1954 e 1956 foram adquiridas também a Aerovias Brasil e a Transporte Aéreo Nacional. Finalmente, em 1957 adquiriu do empresário catarinense Omar Fontana, 50% do capital da Sadia, que em contrapartida passou a ocupar um cargo na Real.
Com todas estas incorporações, a frota chegou a 117 aeronaves, que colocaram a empresa em 7° lugar no ranking da IATA, a mais alta posição já ocupada por uma empresa aérea brasileira até então.
As primeiras rotas internacionais foram abertas em 1951, com voos para o Paraguai. Mas foi a compra dos 87% da Aerovias que levou a REAL a alçar voos para os Estados Unidos.
Em 1960 a Real mudou sua denominação para Real Aerovias BrasíliaConheça a saga da Real Aerovias Brasília, maior empresa aérea dos anos 1950. Correio Braziliense. Acesso em 29 de março de 2018. e expandiu suas rotas, chegando a Tóquio. Porém, no ano seguinte, foi comprada pela Varig.
Os Electras e Convairs 990A que foram encomendados pela Real Aerovias, depois foram operados pela Varig.
Aeronaves Operadas
Convair : CV-340 e CV-440 Douglas : DC-3/C-47, DC-4Gonçalves, Rui. «Milagre Esquecido» (PDF). Flap Internacional. Revista Flap Internacional. Consultado em 14 de Agosto de 2024, DC-6B Lockheed : L1049 Super H Constellation Outros : Curtiss C-46, Bristol 170, Aero Commander 560/680.
Acidentes e incidentes
Segundo dados da organização Aviation Safety Network, a REAL Transportes Aéreos sofreu quinze acidentes aéreos durante suas operações:
1 de dezembro de 1949 - Ribeirão Claro, Paraná . Queda do DC-3 prefixo PP-YPM. A aeronave colidiu contra a encosta de um morro após enfrentar condições climáticas adversas, causando a morte de 20 dos seus 22 ocupantes;
10 de abril de 1957 - Pico do Papagaio, Ilha Anchieta, São Paulo. Queda do DC-3 PP-ANX após uma pane em um dos seus motores. A aeronave transportava 30 pessoas (4 tripulantes e 26 passageiros), sendo que apenas 4 sobreviveram ao acidente. 2 de novembro de 1957 - Praia da Baleia, São Sebastião, São Paulo. Um Douglas DC-4 PP-AXS, sofreu um incêndio em um dos seus motores desprendendo-se da asa. A aeronave pousou no mar na praia da Baleia, próximo a São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. A perícia dos pilotos conseguiu evitar uma tragédia, e todas as 38 pessoas a bordo sobreviveram à queda. 25 de fevereiro de 1960 - Rio de Janeiro. Colisão aérea no Rio de Janeiro em 1960. Durante aproximação para pouso no aeroporto do Galeão, um Douglas RC-6D1 da Marinha dos Estados Unidos chocou-se com um Douglas DC-3 da REAL (prefixo PP-AXD). Saldo de 63 mortos e 3 feridos.
24 de junho de 1960 - Ilha dos Ferros, Rio de Janeiro. Voo REAL Transportes Aéreos 435. Queda do Convair 340 PP-YRB nos arredores da Ilha dos Ferros, matando os 54 ocupantes. As causas do acidente nunca foram descobertas.
Ligações externas Aviação Comercial: "Real-Aerovias" PEREIRA, Aldo. Breve História da Aviação Comercial Brasileira. Rio de Janeiro, 1987.
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