O frevo é um ritmo musical e uma dança brasileira com origem no estado de Pernambuco. Sua música baseia-se na fusão de gêneros como marcha, maxixe, dobrado e polca, e sua dança foi influenciada pela capoeira.

Foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO no ano de 2012, sob a designação "Frevo: Arte do Espetáculo do Carnaval do Recife".

Origem Surgido em Pernambuco no fim do , o frevo caracteriza-se pelo ritmo extremamente acelerado. Muito executado durante o carnaval, eram comuns conflitos entre blocos de frevo, em que capoeiristas saíam à frente dos seus blocos para intimidar blocos rivais e proteger seu grupo.

O frevo é uma criação de compositores de música ligeira, feita para o carnaval para proporcionar mais animação nos folguedos. Com o decorrer do tempo, o frevo ganhou características próprias.

Dança right|thumb|A capoeira, que, considera-se, surgiu no Quilombo dos Palmares (situado na então Capitania de Pernambuco), influenciou diretamente as origens do frevo. Da junção da capoeira com o ritmo do frevo nasceu o passo. A dança do frevo foi utilizada inicialmente como arma de defesa dos passistas que remete diretamente a luta, resistência e camuflagem, herdada da capoeira e dos capoeiristas, que faziam uso de porretes ou cabos de velhos guarda-chuvas como arma contra grupos rivais. Foi da necessidade de imposição e do nacionalismo exacerbado no período das revoluções pernambucanas que foi dada a representação da vontade de independência e da luta na dança do frevo.

A dança do frevo pode ser de duas formas: quando a multidão dança, ou quando passistas realizam os passos mais difíceis, de forma acrobática durante o percurso. O frevo possui mais de 120 passos catalogados.

Os músculos mais requisitados do frevo são os das pernas e do abdômen.SZEGO, Thais. Entre na dança. Revista Saúde! é vital. Março, 2007, pp. 62-24.

Origem do nome A palavra frevo vem de ferver, por sua corruptela, frever, que passou a designar: efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai e vem em direções opostas, como o Carnaval, de acordo com o "Vocabulário Pernambucano", de Pereira da Costa.http://jornalmusical.com.br/textoDetalhe.asp?COSTA, F. A.

O pesquisador Evandro Rabello identificou, em pesquisa documental realizada a partir de acervos jornalísticos do Recife, aquele que é considerado um dos primeiros registros impressos da palavra frevo. O achado foi publicado por ele no artigo *“O aparecimento da palavra frevo”*, no Jornal do Commercio, Recife, em 1980.Rabello, Evandro. “O aparecimento da palavra frevo”. Jornal do Commercio, Recife, 1980. Segundo a pesquisa de Rabello, em 9 de fevereiro de 1907, o vespertino Jornal Pequeno, que mantinha uma seção carnavalesca assinada pelo jornalista Oswaldo Oliveira, registrou a execução de uma música denominada O frevo em reportagem sobre o ensaio do clube Empalhadores do Feitosa, no bairro do Hipódromo:

. Essa referência, que refletia o uso popular já disseminado do termo, é reconhecida como a primeira ocorrência impressa da palavra.

Em reconhecimento à data, em 9 de fevereiro de 2007, a Prefeitura do Recife comemorou os cem anos do frevo durante o carnaval.

Instrumentos e a letra De instrumental, o gênero ganhou letra no frevo-canção e saiu do âmbito pernambucano para tomar o resto do Brasil. Basta dizer que O teu cabelo não nega, de 1932, considerada a composição que fixou o estilo da marchinha carnavalesca carioca, é uma adaptação do compositor Lamartine Babo do frevo Mulata, dos pernambucanos Irmãos Valença.

A primeira gravação com o nome do gênero foi o Frevo Pernambucano (Luperce Miranda/Oswaldo Santiago) lançada por Francisco Alves no final de 1930. Um ano depois, Vamo se Acabá, de Nelson Ferreira, pela Orquestra Guanabara recebia a classificação de frevo. thumb|Orquestra de frevo nas ruas do Centro Histórico de Olinda.

Dois anos antes, ainda com o codinome de "marcha nortista", saía do forno o pioneiro Não Puxa Maroca (Nelson Ferreira) pela orquestra Victor Brasileira, comandada por Pixinguinha.

Ases da era de ouro do rádio como Almirante (numa adaptação do clássico Vassourinhas), Mário Reis (É de Amargar, de Capiba), Carlos Galhardo (Morena da Sapucaia, O Teu Lencinho, Vamos Cair no Frevo), Linda Batista (Criado com Vó), Nelson Gonçalves (Quando é Noite de Lua), Cyro Monteiro (Linda Flor da Madrugada), Dircinha Batista (Não é Vantagem), Gilberto Alves (Não Sou Eu Que Caio Lá, Não Faltava Mais Nada, Feitiço), Carmélia Alves (É de Maroca) incorporaram frevos a seus repertórios.

Em 1950, inspirados na energia do frevo pernambucano, a bordo de uma pequena fubica, dedilhando um cepo de madeira eletrificado, os músicos Dodô & Osmar fincavam as bases do trio elétrico baiano que se tornaria conhecido em todo o país a partir de 1969, quando Caetano Veloso documentou o fenômeno em seu Atrás do Trio Elétrico.

Instrumentos

Seção de metais

Trompete Corneta Flugelhorn Trombone (de válvula e/ou de vara) Melofone Tuba Eufônio Sousafone

Saxofones

Saxofone tenor Saxofone alto Saxofone soprano

Percussão de marcha

Caixa Bumbo Pratos de choque Surdo Repinique

O frevo no carnaval right|thumb|Paço do Frevo, espaço cultural dedicado ao frevo no Recife.

Sobre a gênese do frevo, o pesquisador Leonardo SaldanhaSALDANHA, Leonardo Vilaça. Frevendo no Recife – A Música Popular Urbana do Recife e sua Consolidação Através do Rádio. Campinas, 2008. 297p. Tese (Doutorado em Música). Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008. sintetiza suas principais matrizes, indicando outros gêneros que deram origem ao gênero. Segundo ele, o frevo nasceu com influências de gêneros como a polca-marcha, dobrado ária popular e menos diretamente da modinha. Durante o início do seu desenvolvimento também sofreu influências do maxixe. Através de rótulos da indústria fonográfica ficou conhecido no resto do país como marcha-nortista e marcha-pernambucana. Apenas na era de ouro do rádio passou a ter a designação de seus subgêneros, onde sua vertente cantada passou a ser denominada frevo-canção.

Nelly Carvalho et al. dividem a história do carnaval em três fases de acordo com suas características socioculturais. Segundo os autores, a primeira fase é referente ao período que vai desde a época colonial até a década de 1850. Nessa fase, temos um carnaval de estilo lusitano com o surgimento ao final da década de 1840 do “Zé Pereira”. A segunda fase vai de 1850 até 1920. Nesse período, tem-se um carnaval marcado pelo crescimento das festas de momo aos moldes dos carnavais burgueses europeus. Na terceira e última fase, que vai de 1920 até os dias atuais, com a Proclamação da República e abolição da escravatura, tem-se o surgimento de vários clubes oriundos das classes populares que, apesar dos incentivos do governo e da imprensa que prestigiavam o carnaval burguês europeu, faziam as ruas ferverem. Nesse contexto, nascia o frevo.

Segundo o historiador Leonardo Dantas, o entrudo, antepassado dos atuais carnavais, é conhecido em Pernambuco desde os primeiros anos da colonização. Na segunda metade do século XIX, a manifestação era festejada por grande parte da população pobre, composta por trabalhadores e escravos libertos, além de parte da elite. Algumas práticas permanecem até hoje noRecife e em Olinda, como é o caso do “mela-mela”, que hoje, além de água de cheiro, tintas e líquidos, também conta com água dos canais da cidade, atiradas sobre os coletivos e automóveis dessas cidades Pernambucanas. Diversos artistas plásticos retrataram o entrudo desde o século XVI até os dias de hoje. Na Figura ao lado, vemos um registro de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), retratando a manifestação do entrudo no período em que esteve no Brasil.miniaturadaimagem|Carnaval de Rua Prancha” by Jean-Baptiste Debret, engraving made in 1834 Em 1957, o frevo Evocação nº 1, de Nelson Ferreira, gravado pelo bloco Batutas de São José (o chamado frevo de bloco) invadiria o carnaval carioca derrotando a marchinha e o samba. O lançamento era da gravadora local, Mocambo, que se destacaria no registro de inúmeros frevos e em especial a obra de seus dois maiores compositores, Nelson (Heráclito Alves) Ferreira (1902-1976) e Capiba. Além de prosseguir até o número 7 da série Evocação, Nelson Ferreira teve êxitos como o frevo Veneza Brasileira, gravado pela sambista Aracy de Almeida e outros como No Passo, Carnaval da Vitória, Dedé, O Dia Vem Raiando, Borboleta Não É Ave, Frevo da Saudade. A exemplo de Nelson, Capiba também teve sucessos em outros estilos como a clássica valsa canção Maria Bethânia gravada por Nelson Gonçalves em 1943, que inspiraria o nome da cantora. Depois do referido É de Amargar, de 1934, primeiro lugar no concurso do Diario de Pernambuco, Capiba emplacou Manda Embora Essa Tristeza (Aracy de Almeida, 1936), e vários outros frevos que seriam regravados pelas gerações seguintes, como De Chapéu de Sol Aberto, Tenho uma Coisa pra lhe Dizer, Quem Vai pro Farol é o Bonde de Olinda, Linda Flor da Madrugada, A pisada é essa, Gosto de Te Ver Cantando.

Cantores como Claudionor Germano e Expedito Baracho se transformariam em especialistas no ramo. Um dos principais autores do samba-canção de fossa, Antônio Maria (Antonio Maria Araújo de Morais, 1921-1964) não negou suas origens pernambucanas na série de frevos (do número 1 ao 3) que dedicou ao Recife natal. O gênero esfuziante sensibilizou mesmo a intimista bossa nova. De Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Frevo) a Marcos e Paulo Sérgio Valle (Pelas Ruas do Recife) e Edu Lobo (No Cordão da Saideira) todos investiram no (com)passo acelerado que também contagiou Gilberto Gil a munir de guitarras seu Frevo Rasgado em plena erupção tropicalista.

A baiana Gal Costa misturou frevo, dobrado e tintura funk (do arranjador Lincoln Olivetti) num de seus maiores sucessos, Festa do Interior (Moraes Moreira/Abel Silva) e a safra nordestina posterior não deixou a sombrinha cair. O pernambucano Carlos Fernando, autor do explosivo Banho de Cheiro, sucesso da paraibana Elba Ramalho, organizou uma série de discos intitulada Asas da América a partir do começo dos 1980.

Alceu Valença iniciou-se no gênero com a série de discos Asas da América, idealizada por Carlos Fernando, nos anos 1980. Nesse período, compôs os frevos Homem da Meia-Noite, Sou Eu Teu Amor, Menina Pernambucana, Pitomba Pitombeira. Recriou o clássico Voltei, Recife, de Luiz Bandeira. Seguiram-se sucessos como Bom Demais, Me Segura Que Senão Eu Caio, Beijando a Flora, Roda e Avisa, De Janeiro a Janeiro, entre outros. Tropicana ganhou versão em frevo, orquestrada pelo maestro Duda. Em 2006, reuniu 150 mil pessoas no Recife na gravação do DVD carnavalesco Marco Zero. Em 2013, lançou o disco Amigo da Arte, também dedicado ao frevo e aos gêneros do carnaval. Seu show anual de carnaval no Marco Zero é um dos principais eventos do calendário da música e da cultura de Pernambuco.

O levante de Vassourinhas right|thumb|Passistas de Frevo na abertura do Carnaval de Olinda 2023.

Quando as primeiras notas de Vassourinhas são executadas no carnaval pernambucano, a multidão ergue os braços e grita junto e dança freneticamente.

Galo da Madrugada

O Galo da Madrugada é um bloco carnavalesco que preserva as tradições locais. Eles tocam ritmos pernambucanos e desfilam sem cordões de isolamento. O desfile do galo da madrugada é um dos momentos para se ouvir e se dançar frevo no carnaval. É considerado desde 1994 o maior bloco de carnaval do mundo pelo Guinness Book.miniaturadaimagem|Artistas de Pernambuco em foto coletiva para valorização da cultura popular no carnaval (2019).

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