O Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB) é uma corporação cuja principal missão consiste na execução de atividades de defesa civil, prevenção e combate a incêndios, buscas, salvamentos e socorros públicos no âmbito de Angola.
O SPCB é um órgão integrado ao Ministério do Interior, componente do Sistema de Defesa Social de Angola.
História Surgimento dos bombeiros em Angola O serviço de bombeiros em Angola tem seu surgimento no início do século XIX, mais especificamente na cidade de Luanda. Era um serviço voluntário e informal, vagamente estruturado para prestar socorro na zona residencial das cubatas. As autoridades do Concelho de Luanda instituíram medidas que facilitavam a prestação do serviço, mesmo que não houvesse uma estrutura formal ou profissional. Inclusive, passaram a ser mantidos meios rudimentares de combate ao fogo (vasilhas para carregamento de água) no centro da cidade e instruções gerais de alarme de incêndio.
Organização formal do serviço de bombeiros miniatura|200px|direita|Bombeiros SPCB em treinamento de incêndio em cozinha industrial em 2015 Em 1890, por iniciativa do Grémio Angolense, uma instituição anarco-sindicalista de caráter mutualista, é criado a "Associação de Bombeiros Voluntários de Luanda", que estrutura três estações de combate a incêndios em Luanda. É esta dada que é considerada a organização efetiva e a fundação formal da corporação. Em 1902, o Sindicato dos Trabalhadores da Companhia do Caminho de Ferro Através de África assumiu responsabilidade pelo serviço, e alterou seu nome para "Associação de Bombeiros Voluntários do Caminho de Ferro", expandindo o serviço para Golungo Alto e Lucala. Na década de 1910, a Associação passou a ser denominada como "Serviço de Extinção de Incêndios", porém ainda continuando a depender, principalmente, dos sindicatos de trabalhadores ferroviários em Luanda, Golungo Alto, Lucala, Lobito, Benguela, Huambo e Moçâmedes.
Foi somente em 1929 que foi autorizado o início do processo de estatização e municipalização, com o Serviço de Extinção de Incêndios passando a ser denominado como "Corpo de Salvação Pública de Luanda", sob responsabilidade da Câmara de Luanda. Foi criado um quadro de pessoal próprio, ocorrendo também uma maior capacitação técnica-profissional do organismo. Em geral, as demais associações de bombeiros somente foram estatizadas e municipalizadas ao longo das décadas de 1940 e 1950. O início da Guerra de Independência de Angola fez com que o regime português acelerasse o processo de estatização e municipalização ou criação de Corpos de Salvação Pública independentes em todas as capitais provinciais durante a década de 1960.
Em janeiro de 1975 os Corpos de Salvação Pública (informalmente conhecidos como "bombeiros municipais") foram reformulados com a formação do Conselho Presidencial do Governo de Transição, passando a ser denominado como "Corpo de Salvação Pública de Angola", pela primeira vez com abrangência nacional, sob alçada do Ministério da Justiça. Em 1977, passou a tutela direta da Direção de Informação e Segurança de Angola (DISA), recebendo a denominação de "Departamento Nacional de Prevenção e Extinção de Incêndios" (DNPEI). Neste âmbito, no mesmo ano, foi criado a Comissão Nacional de Protecção Civil, que viria a se tornar o Serviço de Protecção Civil.
Década de 1980: o grande "batismo de fogo" miniatura|200px|direita|Bombeiros SPCB em treinamento de incêndio em unidade industrial em 2015 Em 30 de novembro de 1981 ocorre um incêndio de enormes proporções na refinaria da Petrangol, na periferia de Luanda. A complexidade da ocorrência exigiu a cooperação de outros ramos da proteção civil e segurança pública, como a Força Aérea Nacional de Angola (na transportação dos meios técnicos de extinção de incêndio), a Polícia Popular de Angola (para isolar a área e a organização do socorro às vítimas) e o Serviço de Protecção Civil, além dos serviços de saúde, de transporte de feridos e socorros médicos imediatos. Considera-se que a data foi o grande e histórico "batismo de fogo" do órgão, dado que o DNPEI foi totalmente reestruturado após o ocorrido, com a data de 30 de novembro passando a ser celebrada como o "Dia do Bombeiro de Angola".
As décadas de 1980 e 1990 também representaram desafios consideráveis para o DNPEI, com o organismo tendo que estruturar postos de controle de incêndio próximo às áreas de combate da Guerra Civil Angolana, tratando tanto do combate ao fogo quanto da preservação à vida. No entanto, em batalhas como a Alfa Centauri em Cuito Cuanavale em 1986, os bombeiros acabaram sendo vítimas de ataque dos sul-africanos, com a destruição total do quartel do DNPEI na cidade. Outros desafios severos foi no combate aos incêndios e socorro às vítimas da Guerra dos 55 Dias no Huambo em 1994 e no socorro às vítimas da emboscada ao comboio que circulava entre Zenza e Dondo em 2001.
Reformulação A denominação do DNPEI passou por mais duas alterações, sendo a de 1992, quando tornou-se "Corpo Nacional de Bombeiros" (CNB), e no final de 1999, quando passou a ser "Serviço de Bombeiros de Angola" (SBA). Em 2003, no bojo das reformulações gerais na legislação nacional, foi aprovada a Lei de Base da Protecção Civil.
Sob o bojo da reformulação, os bombeiros atuaram entre março e abril de 2009 nas enormes inundações no sul de Angola (também ocorridas na Namíbia, no Botsuana e na Zâmbia), que resultaram na morte de, pelo menos, 131 pessoas e afetarm cerca de 445.000 pessoas nas quatro nações. Os bombeiros, em nome do governo de Angola, responderam ao desastre em conjunto com a Cruz Vermelha Internacional e a Organização Mundial da Saúde.
Em 2010, por ocasião da tomada de posse de Sebastião Martins "Potássio" como Ministro do Interior, o Serviço de Protecção Civil e o Serviço de Bombeiros uniram-se formando o actual "Serviço de Protecção Civil e Bombeiros" (SPCB).
Em 11 de agosto de 2017, por intermédio do Decreto nº 184/17, foi aprovada a reformulação do Regulamento Orgânico do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.
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