"Never Learn Not to Love" é uma canção gravada pela banda estadunidense The Beach Boys, lançada como lado B do single "Bluebirds over the Mountain" em 2 de dezembro de 1968. Atribuída a Dennis Wilson, trata-se de uma versão alterada de "Cease to Exist", composta por Charles Manson. A canção, inspirada no blues, foi escrita especificamente para os Beach Boys, com a letra de Manson abordando as tensões pessoais que ele testemunhou entre Dennis e seus irmãos, Brian e Carl.
Manson esteve presente, mas não participou da gravação de "Never Learn Not to Love", realizada no estúdio particular dos Beach Boys em setembro de 1968. O grupo reformulou consideravelmente a canção e expandiu o arranjo para incluir vocais de apoio, piano, guitarra, baixo, bateria, órgão e chocalhos. Manson não se incomodou com as mudanças musicais, mas ficou enfurecido por terem alterado a letra. Segundo o relato de Dennis, Manson trocou voluntariamente seu crédito oficial de compositor por uma quantia em dinheiro e uma motocicleta. Por outro lado, o engenheiro de som da banda, Stephen Desper, disse que o grupo omitiu o crédito de Manson como retaliação por seus furtos.
Em fevereiro de 1969, uma edição estendida de "Never Learn Not to Love" foi incluída no álbum 20/20. A banda tocou a faixa durante uma aparição no The Mike Douglas Show em abril de 1969. Versões alternativas e destaques das sessões de gravação da canção foram lançados na coletânea I Can Hear Music: The 20/20 Sessions, de 2018. Uma gravaçã de Manson interpretando "Cease to Exist" apareceu em seu primeiro álbum, Lie: The Love and Terror Cult, lançado em março de 1970.
Contexto esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Dennis Wilson em 1968 No final da primavera de 1968, Dennis Wilson fez amizade com Charles Manson. Na época, Manson era um ex-presidiário em busca de uma carreira como cantor e compositor, e Wilson, convencido de seu talento, estava interessado em contratá-lo como artista na gravadora Brother Records, pertencente à banda. O jornalista musical Dan Caffrey comentou que "é compreensível entender o motivo de Wilson sentir uma afinidade musical com Manson" e, ao usar os recentes "Little Bird" e "Be Still" como exemplos, explicou que ambos compartilhavam uma similar abordagem pouco profissional e um interesse em "desfiar as arestas das formas tradicionais".
Manson discutiu e apresentou a Wilson alguns de seus materiais de autoria própria e, em troca, Wilson pagou por tempo de estúdio para gravar canções interpretadas por Manson. Naquele verão, Manson reservou uma sessão no estúdio caseiro de Brian Wilson para várias faixas que foram coproduzidas por Brian e Carl Wilson. Muitas das gravações não eram demos, mas sim produções de estúdio polidas de canções que possivelmente incluíam "Cease to Exist". Essas gravações jamais foram lançadas.
Composição e autoria De acordo com Manson, ele havia composto "Cease to Exist" especificamente para os Beach Boys gravarem. Ele explicou: "[Os Beach Boys] estavam brigando entre si, então escrevi essa canção para uni-los. 'Submissão é um presente, dê-o ao seu irmão.' Dennis tem alma de verdade, mas os irmãos dele não conseguiam aceitar isso". Squeaky Fromme, integrante da Família Manson, disse sobre a canção: "Charlie fez uma música para Dennis, e nós anotamos a letra. Parte era de um homem para uma mulher, e parte de um homem para seus irmãos". Fromme acrescentou: "Dennis mais tarde convenceria os Beach Boys a gravarem a canção, mas alguém o persuadiu a mudar o ritmo e as palavras, e a sequer mencionar Charlie". Mike Love afirmou que não sabia quem era o autor da canção na época e presumiu que Dennis a havia composto.
thumb|upright|Manson (foto de 1968) renunciou ao seu crédito de composição em troca de uma quantia em dinheiro e uma motocicleta
Manson não recebeu crédito na gravadora pela canção. Em troca dos direitos de publicação de "Cease to Exist", ele recebeu uma quantia em dinheiro e uma motocicleta BSA, que mais tarde deu a Paul Watkins, membro da Família. Perguntado em uma entrevista de 1971 por que não deu crédito a Manson, Wilson respondeu: "Ele não quis isso. Ele queria dinheiro em vez disso. Eu lhe dei cerca de cem mil dólares em coisas". Por outro lado, o engenheiro da banda, Stephen Desper, afirmou que a decisão de deixar Manson sem crédito foi uma retaliação por "as coisas de valor que Manson roubou de Dennis". Desper continuou: "Se Manson fosse uma pessoa decente, a organização Beach Boy teria lhe dado crédito e tesouro, como fizeram com outros compositores. Mas Manson era um ladrão e não jogava pelas regras civis. Pelas regras, ele foi compensado até onde eles estavam preocupados".
A banda reformulou a estrutura bluseira da música, adicionando harmonias vocais e outra ponte. Segundo Desper, "Manson só tinha uma música com acordes básicos no violão e uma linha de melodia. Foram os 'Boys que pegaram esse conceito básico e o transformaram em uma música comercial de verdade. ... Dennis pegou o conceito original de Manson e fez algo com ele – algo que Manson nunca poderia ter feito". Al Jardine lembrou-se de Dennis e Manson: "era irritante porque eles estavam sempre por perto e era 'Charlie isso, Charlie aquilo.' E então ele tinha essa coisinha que ele e Charlie elaboraram. Era apenas uma melodia, uma melodia em 'Never Learn Not To Love.' Não a melodia, mas havia um mantra por trás disso. Então Dennis queria colocar isso em tudo. Eu pensei: 'Ah, cara, isso está ficando demais'." Por outro lado, Desper atribuiu "todo o arranjo vocal adicionado em toda a música" a Brian e Carl Wilson.
A letra foi parcialmente alterada (o verso de abertura "Cease to exist" foi modificado para "Cease to resist") e o título foi mudado para "Never Learn Not to Love", para grande indignação de Manson. Ele ameaçou Wilson de morte por ter alterado a letra. Gregg Jakobson lembrou: "Charlie sempre dizia, ele só pedia uma coisa, ele me disse: 'Não me importo com o que você fizer com a música. Só não deixe ninguém mudar nenhuma das palavras.' Essa foi uma de suas grandes queixas com Dennis. Dennis pegou algumas de suas canções e mudou as letras, o que realmente o enfureceu". Depois de perceber o comportamento cada vez mais errático de Manson, Wilson encerrou sua amizade com ele logo em seguida.
Gravação Os Beach Boys gravaram "Never Learn Not to Love" em seu estúdio particular nos dias 11 e 16–18 de setembro de 1968. Em dezembro de 1968, Wilson gravou sons de pratos, intitulados "The Gong", que mais tarde foram revertidos e adicionados ao início da versão de "Never Learn Not to Love" presente no álbum 20/20. Outras partes da sessão foram dedicadas a um monólogo falado que não foi lançado até a compilação I Can Hear Music: The 20/20 Sessions, de 2018. Desper disse que "Manson esteve no estúdio apenas uma noite, com suas garotas silenciosas. Ele nunca conferiu ou trabalhou de forma alguma com o grupo".
Lançamento e recepção
"Never Learn Not to Love" foi lançada como lado B de "Bluebirds over the Mountain" em 2 de dezembro de 1968. O lado A alcançou a posição 61 na Billboard Hot 100 e a posição 33 na parada de singles do Reino Unido. A edição do single é mais curta do que a versão do álbum, sem abertura de pratos invertidos e um final ecoado que lembra Little GTO. Em fevereiro de 1969, foi lançada como uma faixa em 20/20. Em sua análise do álbum, Arthur Schmidt, da Rolling Stone, escreveu que "'Never Learn Not to Love' tem um ótimo vocal, embora o material em si seja uma mistura incerta de influências pop e soul". Em 1 de abril, o grupo a cantou durante sua aparição no The Mike Douglas Show. O episódio foi transmitido em 9 de abril.
Em sua análise retrospectiva da canção, Richie Unterberger comentou que "Never Learn Not to Love" é muito mais notória por sua relação com Manson, não pela música em si, que ele descreve como "mediana". Colin Larkin, na Encyclopedia of Popular Music, escreveu que a faixa "teve a distinção irônica de colocar Charles Manson nas paradas". O jornalista Nathan Jolly chamou a canção de "suave, mas ainda assustadora", observando também como os fãs dos Beach Boys que a ouviram ao longo dos anos "não tinham ideia da maldade inerente de seu verdadeiro compositor".
Versão de Lie: The Love and Terror Cult Durante o julgamento de Manson pelos assassinatos de sete pessoas, seu álbum de estreia, Lie: The Love and Terror Cult, foi lançado em março de 1970. Composto por 13 faixas gravadas entre 1967 e 1968, incluía o arranjo original de "Cease to Exist".
Em uma análise do álbum feita pela AllMusic, sua interpretação de "Cease to Exist" foi considerada por Theodor Grenier como "uma das assinaturas de Manson, e justificadamente convidou à comparação com Jim Croce e José Feliciano". O crítico Michael Little considera a versão de Manson superior à dos Beach Boys, elogiando especialmente o vocal: "você espera uma voz esfarrapada, crua e irregular, com um toque de raiva lunática, mas o que você obtém é um cantor folk de voz suave". Ele também escreveu que a abordagem crua e despojada de Manson "dá à canção uma impressionante imediatez lo-fi que está a um milhão de milhas de distância do tratamento dos Beach Boys".
Ficha técnica De acordo com Craig Slowinski.
The Beach Boys Al Jardine – vocal de apoio Bruce Johnston – vocal de apoio Mike Love – vocal de apoio Brian Wilson – vocal de apoio Carl Wilson – vocal de apoio, baixo, guitarra Dennis Wilson – vocal principal e de apoio, piano
Músicos de sessão John Guerin – bateria, percussão, guizo Don Randi – piano, órgão Lyle Ritz – contrabaixo
Bibliografia
Categoria:Canções gravadas por The Beach Boys Categoria:Singles lançados pela Capitol Records Categoria:Canções de 1968 Categoria:Singles de 1968 Categoria:Charles Manson