Kathlen de Oliveira Romeu, uma modelo e design de interiores de 24 anos, morreu alvejada com um tiro de fuzil no tórax em 8 de junho de 2021 em um suposto confronto entre criminosos e policiais da Unidade de Polícia Pacificadora no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Kathlen estava grávida de 13 semanas. Ela tinha acabado de deixar a casa da avó materna, a quem tinha ido visitar. Segundo a acusação do Ministério Público do Rio (MPRJ), os tiros teriam partido dos policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, que de serviço de patrulhamento teriam entrado na comunidade atirando na direção de um grupo de criminosos.

Em nota, a Polícia Militar informou que os agentes foram atacados a tiros por criminosos na localidade conhecida como “Beco da 14”, dando início a um confronto. Segundo a polícia, Kathlen foi encontrada ferida após a troca de tiros. Ela ainda chegou a ser levada para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu. Os moradores fizeram um protesto fechando a Estrada Grajaú-Jacarepaguá.

Jacklline Oliveira, mãe de Kathlen, disse em Audiência da Polícia Militar em 2022 que não havia confronto armado entre policiais e criminosos da comunidade no momento em que Kathlen foi baleada. Luciano dos Santos Gonçalves, pai de Kethlen, disse que recebeu, de um morador da comunidade, um vídeo que mostra policiais recolhendo cartuchos de bala do chão, depois da vítima ter sido atingida. O vídeo também está anexado no processo.

Segundo o MPRJ, os policiais teriam alterado a cena do crime, colocando 12 cápsulas 9mm e mudando a versão em depoimentos após a repercussão do caso.

Em 5 de agosto de 2025 a Auditoria da Polícia Militar absolveu pelo crime de falso testemunho e inocentou da acusação de terem arrecadado cápsulas de fuzis do local, por 4 votos a 1, o sargento Rafael Chaves Oliveira e os cabos Rodrigo Correia Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano pela alteração da cena do crime. A auditoria é formada por um juiz de Direito, que votou pela condenação, e quatro militares superiores da Polícia Militar, que votaram pela absolvição.

Após a absolvição, Jacklline Lopes, mãe de Kathlen Romeu, desabafou:

O advogado da família, Rodrigo Mondego, também criticou a absolvição:

Em março de 2026, em um julgamento em segunda instância, o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) acolheu o recurso do MPRJ e considerou três policiais culpados por fraude processual por alterarem a cena do crime, apresentando de maneira fraudulenta cápsulas de munição para simular um confronto que não ocorreu. Cada policial foi condenado a dois anos e quinze dias de reclusão, em regime inicial aberto, além de 15 dias-multa.

Júri popular Os policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano vão a júri popular pelo crime de homicídio. Segundo a juíza Elizabeth Machado Louro, da 2ª Vara Criminal do TJRJ, as investigações da Polícia Civil comprovam que o tiro que matou Kathlen Romeu foi disparado por um policial militar.

O julgamento ainda não tem data marcada.

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