Lukas Avendaño (Oaxaca, 1977) é um artista de performance e antropólogo mexicano, que se assume como muxe. A sua obra caracteriza-se pela exploração da identidade sexual, étnica e de género.

Biografia

Formação Estudou antropologia na Universidade Veracruzana, em Xalapa, complementando os seus estudos também como coreógrafo e bailarino.

Reconhecimento Em abril de 2021, recebeu um reconhecimento pela sua 'trajectória artística' por parte da companhia Barro Rojo, dirigida por Laura Rocha. Lukas Avendaño dedicou o prêmio "aos sem nome".

Obra artística A obra performática de Lukas Avendaño é considerada um ensaio antropológico, por explorar as suas vivências, nomeadamente a identidade dos muxes e os papéis sociais de género, incorporando, dentro de sua obra, estilos de dança e valores culturais istmeños, de onde é originário. miniaturadaimagem|395x395px|Lukas Avendaño Na sociedade zapoteca Bê’ena’ Za’a, o muxe é considerado um terceiro género que assume certos papéis tradicionalmente conceituados femininos. A partir da sua identidade, o artista tem realizado explorações do que caracteriza a 'muxeidad' - "um facto social total" - onde vivem homens nascidos biologicamente, mas que possuem um papel social não masculino.

Ao explorar este fenómeno em sua obra, problematizando a estrutura dos papéis fixos que se lhe atribuem às mulheres e aos homens, Lukas Avendaño realiza uma crítica ao ser muxe desde a sua própria prática, tal como na sua peça performática Réquiem para un alcaraván (2012), na qual explorava as contradições da muxeidad na cultura zapoteca.

Na sua obra, o artista também usa o carácter erótico do corpo num sentido político, pois mistura a sua condição de indígena e homossexual, chegando a um "eros político".

Performance Buscando a Bruno A 10 de maio de 2018, Bruno Alonso Avendaño Martínez, irmão de Lukas, desapareceu então com 35 anos de idade. A sua família começou a busca de forma imediata, fazendo a denúncia do desaparecimento no dia seguinte, contudo, perante a ineficácia das autoridades, a sua procura foi continuada apenas por parte dos seus familiares.

Dois meses depois, Lukas Avendaño, realizou uma peça de performance titulada Buscando a Bruno. Apresentada no consulado mexicano de Barcelona, enquanto realizava uma residência artística nessa cidade, na primeira parte da performance Avendaño entregou uma carta formal ao cónsul de México onde explicava a história do desaparecimento do seu irmão e solicitava ao governo do México que o encontrasse. Durante o dito encontro, o artista mexicano vestia uma saia e um chal negro, e levava consigo uma foto de seu irmão, obtendo desta forma a atenção da imprensa internacional. Na segunda parte da performance, já realizada fora do consulado, colocaram-se duas cadeiras, numa das quais Lukas Avendaño estava sentado, enquanto a outra se encontrava vazia, representando a ausência de alguém. Posteriormente, essa cadeira era ocupada por pessoas, parceiros ou espectadores que se vestiam como ele, num gesto de solidariedade, recreando o quadro As Duas Fridas de Frida Kahlo.

Desde o desaparecimento do seu irmão, todas as suas actuações são lhe dedicadas. Em 2019, realizou o documentário La utopía de la mariposa, no qual narra a busca pelo seu irmão. O documentário ganhou o prêmio do público na segunda edição do Festival de Cinema Independente da Cidade de México, tendo também sido selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Morelia.

A 3 de dezembro de 2020, foi noticiado que o corpo de Bruno Avendaño foi encontrado numa fossa clandestina pelas autoridades de Oaxaca, nos limites dos municípios de Salina Cruz e Tehuantepec. miniaturadaimagem|Lukas Avendaño na performance Buscando a Bruno.

Lista de performances

El Corral, 2003 Madame Gabia, 2005 Séptimo Dia Viento del Sur, 2010 Cuarto cresciente, 2010 Réquiem para un alcaraván, 2012 No soy Hombre, sou Mariposa, 2014 Hómine , 2015 Buscando a Bruno, 2018

Referências

Categoria:Artistas LGBT do México Categoria:Artistas do México Categoria:Artistas performáticos Categoria:Personalidades LGBT do México