O ataque na escola de Estação aconteceu no dia 8 de julho de 2025, quando um adolescente de 16 anos entrou na Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi e começou a esfaquear os alunos. Uma criança, Vitor André Kungel Gambirazi, 9 anos, morreu, e outras quatro pessoas, incluindo uma professora e o agressor, ficaram feridos.
O menor infrator não pode ser identificado em conformidade com as leis do Brasil regidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Contexto A Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi fica no Centro de Estação, na Região Norte do Rio Grande do Sul, e à época do crime atendia 152 alunos.
O adolescente era de uma família conhecida na cidade e segundo o portal G1 "fazia acompanhamento psiquiátrico havia mais de um ano". O infrator não tinha antecedentes criminais.
O incidente aconteceu poucos dias depois da escola ter feito um treinamento para a evacuação do local em caso de algum tipo de incidente grave.
Crime Por volta das 9h40, um adolescente de 16 anos chegou pela porta da frente da Escola Maria Nascimento Giacomazzi com a desculpa de que iria entregar um currículo, conseguindo ter acesso ao local.
O adolescente pediu para os funcionário a ir ao banheiro, antes de cometer o ataque. Mas durante o trajeto desviou o caminho para ir a uma sala de aula, o adolescente arremessou bombinhas para assustar as pessoas no local, antes de sacar duas facas, tiradas da mochila.
O adolescente entrou dentro de uma sala de aula do terceiro ano, antes de começar a atacar a todos que estavam na sala de aula. Um dos estudantes que estavam na sala de aula, Miguel Luis Giacomazzi, 9, comentou à imprensa: "Lembro que ele (o adolescente) saiu com um facão correndo atrás de todo mundo do 5º ano. Eu me abaixei na minha mesa e ele foi para cima da professora e dos colegas que estavam no fundo da sala. Lembro que ele puxou o facão e foi para cima de todo mundo. Ele entrou (na escola) sem ninguém ver e foi isso."
Durante o ataque, o adolescente esfaqueou Vitor André Kungel Gambirazi, um estudante de 9 anos, que foi encurralado pelo agressor no fundo da sala e esfaqueado onze vezes, a maioria das facadas atingidas foram nas costas e algumas no tórax da vítima. Outras duas colegas de 8 anos de Kungel foram esfaqueadas nas cabeças. Enquanto o ataque ocorria, estudantes da instituição começaram a fugir da escola.
Uma vizinha que mora ao lado da instituição, Ercinda Dala Corte, 76, que estava lavando a louça, percebeu a situação e, quando foi verificar, uma mulher explicou a ela o que estava acontecendo. A vizinha rapidamente ofereceu abrigo aos estudantes. Uma professora relatou à Folha de S.Paulo que, quando escutaram os gritos e alguém pedindo para ela não abrir a porta, a professora, uma mãe e outros adultos que estavam na sala trancaram a porta com as crianças dentro.
O monitor da escola, Luís Carlos dos Santos, que estava arrumando os brinquedos, percebeu o ataque, alertou para todos correrem e foi pedir socorro. Carlos foi ao depósito e pegou uma pá para atingir o adolescente e conseguiu conter o agressor até a chegada das autoridades. O adolescente e Carlos entraram em luta corporal, enquanto o adolescente estava indo para a sala da 3ª série. Mas o jovem foi contido.
O jovem se dirigiu para a frente da escola, mas Santos chamou ajuda e populares contiveram o agressor. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o jovem sendo retirado de uma ambulância enquanto uma maca era empurrada para fora da escola. Ouve-se neste momento uma mulher gritar para tirarem ele do veículo e colocarem uma criança. Diversos homens tiram o menor da ambulância e o chutam quando ele cai no chão. A mesma mulher diz "eles vão matar o piá" (assista o vídeo aqui).
Enquanto isto diversos alunos que haviam deixado a escola foram abrigados por vizinhos.
Vítimas Quatro vítimas foram atingidas no ataque, três estudantes com idades entre 8 a 9 anos e uma professora foram atingidos no ataque. Duas meninas de 8 anos foram esfaqueadas na cabeça. A primeira aluna recebeu alta ainda no mesmo dia, no Hospital Santa Terezinha, em Erechim.
A segunda aluna teve traumatismo cranioencefálico. No dia seguinte, a aluna foi levada ao Hospital Santa Terezinha e depois foi transferida para outro hospital. A menina passou por cirurgia e seu estado "inspirou cuidados". Ela recebeu alta 5 dias após o ataque, no dia 13. A menina foi liberada do Hospital São Roque, onde estava internada. Ela foi a última a receber alta.
A professora atingida ao proteger os estudantes foi levada ao Hospital de Caridade, em Erechim. Ela recebeu alta no dia 9, no dia seguinte ao ataque.
O próprio jovem também teve ferimentos ao ser atingido nas costas pelo monitor, Luís Carlos dos Santos. Além de quando foi transportado para a ambulância, o jovem foi tirado da ambulância e agredido por moradores.
Outra vitima, Vitor André Kungel Gambirazi, 9, foi esfaqueado onze vezes no tórax e costas e acabou falecendo no ataque, mais tarde, a prefeitura confirmou a morte do estudante.
Autor O autor do ataque foi identificado pelas autoridades como um adolescente não identificado de 16 anos de idade. O adolescente é conhecido pela comunidade e passou por tratamento psicológico um dia antes do atentado.
O perfil do agressor foi desativado do Instagram após o ataque. Um amigo do agressor afirmou que ele era tranquilo e ficou em choque ao saber do crime. Ele afirmou que o agressor havia se distanciado ainda no fim do ano e tinha uma família estabilizada.
O agressor não tinha nenhum sinal de violência que se comparasse ao ataque.
O adolescente não tinha envolvimento com a escola atacada.
O adolescente não conhecia as vítimas envolvidas no ataque e atacou aleatoriamente.
Investigações Investigações posteriores apontaram que ele agiu sozinho e que eventualmente participava de comunidades online que abordavam o tema de ataques realizados em escolas.
"Imagens de câmeras de segurança mostram o trajeto do agressor no dia 8 de julho: ele saiu de casa, foi até um bazar onde comprou bombinhas para assustar os alunos, voltou para casa e, em seguida, dirigiu-se à escola. A escolha da Escola Maria Nascimento Giacomazzi teria sido aleatória, conforme a apuração", explicou o G1.
O incidente aconteceu poucos dias depois da escola ter feito um treinamento para a evacuação do local. "Isso foi fundamental. As crianças souberam como agir diante do perigo. A escola foi esvaziada em dois minutos. Uma professora, ao perceber a situação, abriu os portões - que normalmente ficam trancados - e criou uma rota de fuga. Se os portões estivessem fechados, os alunos ficariam encurralados. As crianças correram como haviam aprendido; apenas uma chegou a cair", disse o delegado responsável.
Prisão e pena O infrator foi conduzido até a Delegacia de Polícia de Getúlio Vargas, onde ficou sob custódia, e depois foi levado para um centro socioeducativo que fica na região.
Ele foi responsabilizado pela prática de homicídio qualificado consumado (1 vez) e por todas as tentativas de homicídio ocorridas no local (39, as vítimas atingidas e os outros que estavam presentes no espaço).
O tribunal da justiça do Rio Grande do Sul condenou o adolescente que atacou a escola a 3 anos de internação no dia 19 de agosto.
Consequências As aulas de todas as instituições de ensino de Estação foram canceladas.
Na tarde do dia seguinte, a vítima fatal, Vitor André Kungel Gambirazi, 9, foi velado após o ataque. O velório começou na Capela Velatória Gruber, em Getúlio Vargas. A despedida acabou às 14h, antes de terminar em seguida no sepultamento no Cemitério Municipal de Getúlio Vargas.
No dia 10, os pais dos estudantes voltaram à escola para pegarem os itens deixados por eles durante a confusão do ataque. Cerca de 50 pessoas protestaram na frente da escola atacada segurando o cartaz "Luto por Vitor André", pedindo mais segurança nas escolas. Os protestantes ficaram um minuto em silêncio e de mãos dadas.
A Escola Maria Nascimento Giacomazzi ficou fechada após o ataque e reabriu nove dias após o ataque, no dia 17.
Outras quatro escolas da cidade também foram fechadas em decorrência do ataque e abriram mais cedo do que a Escola Maria, abriram no dia 14, seis dias após o ataque.
Um novo protocolo foi criado e a presença de policiais foi colocada nas escolas, instalação de dispositivos nas instituições, como botões de pânico e sinais de alerta. Para manter a segurança dos estudantes e funcionários das instituições.
Reações O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, se manifestou após o ataque: "O que aconteceu não pode ser naturalizado, relativizado ou esquecido. Quero expressar minha solidariedade mais profunda às famílias atingidas, aos professores, alunos e profissionais da escola, e a cada morador da cidade. O Estado está presente para dar suporte, para proteger e para agir".
O ministro da educação do Rio Grande do Sul, Camilo Santana, lamentou no X (antigo Twitter): "Conversei com o prefeito Geverson Zimmermann para manifestar toda a nossa solidariedade e determinei o envio da nossa equipe de psicólogas do Núcleo de Resposta e Reconstrução de Comunidades Escolares, especializada em situações de crise e violência extrema, para apoiar em tudo o que for necessário", comentou Santana.
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Referências
Categoria:Crimes cometidos por menores de idade no Brasil Categoria:Casos de estudantes assassinados no Brasil Categoria:Ataques e invasões escolares no Brasil Categoria:Crimes no Brasil em 2025 Categoria:História da educação