Grêmio Recreativo Escola de Samba União da Ilha do Governador (frequentemente referida apenas como União da Ilha) é uma escola de samba da cidade do Rio de Janeiro. Foi fundada em 7 de março de 1953 pelos amigos Maurício Gazelle, Quincas e Orphylo, que estavam na Estrada do Cacuia, principal local de desfile do carnaval da Ilha do Governador, assistindo à apresentação de pequenas escolas de samba e blocos de vários bairros da Ilha. Foi quando decidiram que o bairro do Cacuia deveria ter uma escola de samba que o representasse. Atualmente, a escola está sediada na Estrada do Galeão, no bairro do Cacuia. Em 2024, a escola foi declarada patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
Lugar de origem esquerda|miniaturadaimagem|Vista aérea da Ilha do Governador, a maior ilha da Baía de Guanabara. A União da Ilha tem forte ligação com o seu lugar de origem, o bairro do Cacuia, um dos quatorze que integram a Ilha do Governador, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.
O carnaval da região era festejado com banhos de mar à fantasia e os desfiles dos ranchos carnavalescos (dentre os mais conhecidos estavam o Caprichosos da Ilha, o Embaixadores da Folia, a Nova Embaixada e o Recreio da Ilha). Mesmo com a inauguração da Ponte do Galeão e o sistema de transportes de barcas, era caro e difícil participar do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Com isso, a Ilha do Governador tinha o seu próprio concurso. O desfile era realizado na Estrada do Cacuia, e contava com a participação das escolas de samba Império da Ligação, Paraíso Imperial, Unidos da Cova da Onça e Unidos da Freguesia.
São comuns, nos sambas da escola, citações e referências à Ilha do Governador, assim como expressões que simbolizam o ato de atravessar a Baía de Guanabara, da Ilha ao Centro da cidade, como nos sambas de 1982 ("A minha alegria atravessou o mar / E ancorou na passarela"); 1990 ("Sonhando o mar atravessei"); 1992 ("Sou mais minha Ilha / Tu és meu amor / Em ti me planto / Ilha do Governador"); 1999 ("Assim a Ilha vem pra festa / Atravessando o mar azul"); entre outros.
Nome, cores e apadrinhamento O nome (União) e as cores (azul, vermelho e branco) foram herdados do time de futebol dos fundadores, o União Futebol Clube. A escola alterou o seu nome para "União da Ilha do Governador" apenas em 1960, quando foi aprovada para participar dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Em 1958, então penta-campeã do carnaval da Ilha, a União procurava uma escola para lhe apadrinhar. A Portela estava no auge de sua popularidade, conquistando naquele mesmo ano, o seu décimo terceiro título no carnaval carioca e tinha a preferência dos torcedores da União para batizar a escola. Além disso, Paulo Amargoso, vice-presidente da União, tinha vários amigos na Portela. Em um determinado dia do ano de 1958, um grupo de sambistas da União foi à Portela formalizar o pedido. Na quadra da escola, foram recebidos por Natal, que aceitou a incumbência e marcou a data de batismo. No dia marcado, foi a vez da Portela comparecer à quadra da União para a cerimônia de batizado. Participaram da confraternização o compositor Monarco; o casal de mestre-sala e porta-bandeira portelense, Benício e Vilma Nascimento; além de Natal. Na ocasião, Aurinho da Ilha e Didi fizeram uma composição para registrar o momento. A União da Ilha também cita a Portela em seu samba-enredo de 1980, no trecho "Obrigado madrinha Portela / Que me ajudou a caminhar".
Bandeira e Brasão miniaturadaimagem|O modelo antigo de pavilhão da escola, carregado pelo segundo casal da agremiação no desfile de 2010. A bandeira, ou pavilhão, da escola possui dezesseis raios de cores intercaladas (quatro azuis, quatro vermelhos e oito brancos), partindo do brasão da escola (que se encontra ao centro) em direção às extremidades da bandeira. O modelo foi implantado no desfile de 1987, e desde então teve pequenas variações de ano a ano, como por exemplo, a disposição dos raios azuis e vermelhos, ora intercalados com os raios brancos, ora em duplas com um raio branco ao meio. O pavilhão original da escola era liso, de cor branca, com o brasão da escola ao centro. Após a troca em 1987, ainda foi carregado pelo segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação durante alguns desfiles.
esquerda|miniaturadaimagem|Atual pavilhão da escola. O brasão da escola foi redesenhado em 1970 pelo então carnavalesco da agremiação, Edson Machado, e pelo diretor Paulinho Barbudo, sendo utilizado pela primeira vez no carnaval de 1971, na estreia da agremiação no Grupo 2. Seguindo os preceito da heráldica, o brasão consiste em um escudo, com uma faixa branca diagonal, tendo em seu interior a inscrição "União". A faixa branca divide o escudo em dois lados. O lado superior, de cor vermelha, tem o desenho de uma lira dourada, que representa a música. O lado inferior, de cor azul, tem o desenho de um cavalo-marinho dourado, representando o mar da Ilha do Governador. Ramos de louro dourados circundam o brasão na parte inferior. Mais abaixo, a inscrição "da" e uma faixa branca com a inscrição "Ilha do Governador". Acima do brasão, uma águia, representando a Portela, escola-madrinha da União. E mais acima, a inscrição "G.R.E.S." (Grêmio Recreativo Escola de Samba). As cores das letras das inscrições e a estilização dos desenhos representados no brasão costumam sofrer pequenas variações a cada ano. Algumas fontes afirmam que o desenho da águia teria sido ideia de Natal da Portela. Outras fontes afirmam que a ideia foi do carnavalesco Edson Machado. O brasão original da agremiação continha menos detalhes. Consistia em um escudo com três listras, nas cores da escola, e a inscrição "G.R.E.S.U.I.G." (Grêmio Recreativo Escola de Samba União da Ilha do Governador). História miniaturadaimagem|Desfile da União da Ilha de 1972. Arquivo Nacional.Apesar de sediar o desfile de carnaval, Cacuia não tinha nenhuma escola de samba representante. O bairro possuía um time de futebol, o União Futebol Clube. A equipe tricolor, de cores azul, vermelho e branco, era comandada pelo técnico Maurício Gazelle. Seus jogadores moravam na Ilha e disputavam campeonatos locais. Na terça-feira de carnaval, 5 de março de 1953, os amigos Maurício Gazelle, Joaquim Lara de Oliveira ("Quincas") e Orphilo Bastos acompanhavam os desfiles das escolas de samba da Ilha do Governador, na Estrada do Cacuia, quando tiveram a ideia de fundar uma escola que congregasse o time e os torcedores do União Futebol Clube e que representasse o bairro do Cacuia - até então sem escola de samba. O trio apresentou a sugestão aos outros colegas do time e marcaram uma reunião para discutir a proposta.
A Escola de Samba União (mais tarde, União da Ilha do Governador) foi fundada em 7 de março de 1953, durante uma reunião no armazém de Maurício Gazelle, na Rua Itapissuma, número 252. Segundo a ata de fundação da escola, cerca de 231 sambistas estiveram presentes no armazém, sendo que 59 se comprometeram a pagar uma taxa associativa para ajudar a custear a nova escola de samba. Os 59 sócios-fundadores da agremição foram: Maurício Taufie Gazelle; Orphilo Bastos; Joaquim Lara de Oliveira; Paulo Amargoso; Julio Taufie Gazelle; Avelino de Souza; Josino Duarte; Dázio de Almeida Vasconcellos; Cláudio Macedo; Ary Nogueira da Silva; Sebastião Pinheiro; Olindo da Cruz; Albino Francisco da Rocha; Moysés da Silva; Jorge Pereira de Paula; Erotildes F. Peçanha; João Teles de Menezes; Wilson Sada; João Teles de Menezes Junior; Hélio da Silva; Floriano Silva Pereira; Antônio Ignácio Paquier; Zadival de Oliveira; Nicolau Tolentino da Costa; Guaracy Teles de Menezes; Gileno Ferreira; Setembrino Vieira de Mello; Wilson Vinhais; Branco Dante Arpino; Antônio Diniz; João Monteiro de Almeida; Sebastião Antônio de Souza; Floriano de Souza; Altair da Silva; Euzébio dos Santos; Wanderley Paulo da Costa; Honório José Barbosa; João de Souza Costa; Rubens de Oliveira; Victor Leitão; Eliseu Silva; Manoel Pereira; Walter Leitão; Joel S. Silva; Porcino Soares dos Santos; Edno Pessoa Marques; Lano Pessoa Marques; Wilson Ferreira Brito; Ary Gonçalves; José Narciso Gomes da Vinha; José Francisco de Azevedo; Hélio Gomes da Purificação; José Ignácio dos Anjos; Hugoneles A. Cunha; Egídio Gomes da Purificação; Jorge Ignácio dos Anjos; Ely Ferreira; José Taufie Gazelle e Walter da Silva Mattos. Na mesma reunião, Maurício Gazelle foi eleito o primeiro presidente da agremiação e Paulo Amargoso foi eleito o vice-presidente.
A União da Ilha do Governador manteve-se algum tempo entre o segundo e o terceiro grupos e em 1974, quando foi campeã do segundo grupo, obteve o acesso ao grupo principal, a partir do ano seguinte.
De 1977, com o enredo Domingo, a 1980, quando ficou em segundo lugar com o enredo Bom, Bonito e Barato, a União da Ilha fez bons desfiles. O samba É hoje (1982), é um dos mais conhecidos e regravados da história do Carnaval. A escola levou para a Sapucaí desfiles leves, baratos e animados. Esta seria a marca registrada da União da Ilha, mantida até hoje. Suas fantasias costumam ser leves, sem grandes esplendores, facilitando o desfile para o componente. A escola também consegue uma boa comunicação com o público, sendo consideradas uma das mais simpáticas do carnaval carioca. O Amanhã, foi o samba-enredo de 1978 e, neste mesmo ano, foi gravado por Elizeth Cardoso, mas foi com a primeira gravação de Simone, em 1983 (CD Delírios e Delícias e regravada no CD Simone ao vivo), que ela se popularizou.
Nos anos mais recentes, o desfile mais lembrado da União da Ilha foi em 1989. O samba-enredo Festa profana trazia o refrão "Eu vou tomar um porre de felicidade, vou sacudir eu vou zoar toda cidade". Este samba é cantado até hoje nos quatro cantos do país. Naquele ano, a escola ficou em terceiro lugar. Acredita-se que a escola teria perdido o carnaval pelo fato da bateria ter desfilado sem chapéus.
Em 1991, a escola fez uma homenagem a Didi, o poeta que ganhou 22 disputas de samba-enredo. O samba trazia os versos "Hoje eu vou tomar um porre, não me socorre, que eu tô feliz" e "Bebo vem bebo vai, que nem maré, balança mas não cai, boêmio é", além de frases como "Garçom, garçom bota uma cerva bem gelada aqui na mesa". Sem sombra de dúvida, um grande carnaval sob a voz do grande mestre Aroldo Melodia.
O último bom resultado foi obtido em 1994, com "Abrakadabra", em que chegou em quarto lugar, sua última participação no Desfile das Campeãs. Desde então, não vem obtendo boas colocações.
1995 foi o último ano de Aroldo Melodia como intérprete e fora isso a Ilha acabou não tendo o mesmo resultado do ano anterior, ficando na 9.ª colocação. No ano seguinte Aroldo teve um derrame, e o intérprete passa a ser seu filho, Ito Melodia, que tem o mesmo timbre de voz do pai.
thumb|220x220px|esquerda|Desfile de 98 que trouxe pela primeira vez para Cacuia o Estandarte de Ouro de melhor enredo. Em 1997 a Ilha vem falar da cidade maravilhosa um sonho de Pereira Passos, mais a Ilha não foi feliz na parte do abre alas, não veio e a falta de dinheiro que já atingia várias escolas como a Estácio de Sá que caiu naquele ano. Resumindo, a Ilha ficou em 12.º lugar, quase caindo para o acesso A. Muitos críticos, condenaram a escolha desse enredo, porque o ex-Prefeito Pereira Passos expulsou grande parcela da população carente de sua época do centro da cidade e sendo as escolas de samba fruto da criação desse segmento da população homenagear essa personalidade não seria algo confortável.
Em 1998 Ito Melodia deixa a escola, entrando no seu lugar Rixxah, ex-Portela. A União falou de Fatumbi, a Ilha de Todos os Santos. Porém um dos índios da segunda alegoria despencou antes do começo do desfile por causa de um adereço pesado e uma rachadura no pescoço do adereço, fazendo com que a escola fosse prejudicada. Nesse ano a Ilha ficou em 9.º lugar com 255,0.