miniaturadaimagem|Embarcações fluviais da Marinha dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã Uma marinha de águas marrons ou marinha fluvial, no sentido mais amplo, é uma força naval capaz de operações militares em águas interiores (rios, lagos e mares interiores) e perto da costa de um país.FIREPOWER: THE WEAPONS THE PROFESSIONALS USE - AND HOW. RIVERINE WARRIORS, #11 Orbis Publishing 1990 O termo se originou na Marinha dos Estados Unidos durante a Guerra Civil Americana, quando se referia às forças da União que patrulhavam o Rio Mississippi, entre outros, os quais continham grandes níveis de lama, e desde então tem sido usado para descrever as canhoneiras e barcos de patrulha comumente usados em rios, junto com os "navios-mãe" que os apoiam, que incluem embarcações de desembarque mecanizadas convertidas desde a Segunda Guerra Mundial e navios de desembarque de tanques, entre outras embarcações.

As marinhas de águas marrons são normalmente utilizadas apenas para patrulhar e fiscalizar águas interiores, em contraste com as marinhas de águas azuis, que podem conduzir operações de forma independente em mar aberto e projetar poder em águas mais distantes. As marinhas de águas verdes, por sua vez, operam principalmente em estuários salobros, baías e mares rasos não muito distantes da costa (tipicamente dentro dos limites de zonas econômicas exclusivas), preenchendo a lacuna operacional entre as marinhas de águas marrons e as de águas azuis.

Exemplos

Rio Tâmisa O Rio Tâmisa foi uma via regular para a Monarquia até meados do século XIX. Os monarcas eram levados para cima e para baixo no rio em uma barcaça real, com transporte e segurança organizados pelo Mestre de Barcaças do Rei. As barcaças eram operadas pelos Barqueiros Reais, selecionados entre as fileiras da Companhia de Barqueiros. Em 1798, os Barqueiros e outros grupos de comerciantes fluviais no Rio Tâmisa formaram voluntariamente associações de navegadores do Rio. Estas foram oficialmente reunidas em 1803 como o "Corpo de Navegadores do Rio da Cidade de Londres". Membros do Corpo escoltaram a barcaça que transportava o corpo de Lord Nelson ao longo do Tâmisa em pequenos barcos durante seu funeral de estado em 1806. Este órgão foi dissolvido em 1813, sendo um dos primeiros exemplos do uso organizado do que posteriormente se tornaram efetivos de águas marrons.

Guerra Mexicano-Americana Durante a Guerra Mexicano-Americana, o Comodoro Matthew C. Perry decidiu invadir as cidades mexicanas ao longo da Costa do Golfo, perto de Tabasco. Em outubro de 1846, Perry comandava o USS Mississippi, o USS Vixen, o USRC McLane, o USS Reefer, o USS Bonito, o USS Nonata e o USRC Forward, com uma força de desembarque de 253 homens. Após capturar o porto de Frontera, no rio Tabasco, os navios sob o comando de Perry cruzaram a barra na foz do rio e percorreram 119 quilômetros rio acima até a cidade de Tabasco. Após vários dias de bombardeio na cidade, a flotilha de Perry terminou por capturar vários navios mexicanos no rio, retornando-os para Frontera. Alguns foram comissionados para o serviço da Marinha dos EUA e outros foram queimados.

A cidade de Tampico, semelhantemente, era mal defendida e oferecia uma base para operações para a conquista do estado de Tamaulipas. Por essas razões, Tampico se tornou o próximo alvo para tomada pelas forças navais americanas. O comodoro David Conner ordenou que a cidade fosse atacada no final de outubro de 1846. Contudo, o general Antonio López de Santa Anna interceptou o planejamento americano, ordenando que Tampico fosse quase abandonada e suas forças fossem movidas rio acima para Pánuco. Este movimento foi concluído em 28 de outubro. A barra na foz do rio Pánuco tinha apenas 2,5 metros de largura e dificultava o movimento de navios americanos rio acima. A esposa do ex-cônsul americano em Tampico enviou uma mensagem a Conner de que o rio estava subindo e que a cidade havia sido abandonada. As forças de Conner cruzaram a barra em 14 de novembro e começaram a bombardear a cidade. Quase imediatamente, a guarnição restante em Tampico se rendeu. Foi então que Conner percebeu que as tropas estacionadas lá haviam recuado para Pánuco, 40 quilômetros rio acima. Após os navios de Conner se deslocarem para Pánuco e vários dias de bombardeio naval, as forças mexicanas em Pánuco se renderam. O Exército Americano rapidamente ocupou Tampico e a utilizou como ponto de parada para um ataque planejado a Veracruz.

Guerra do Paraguai Após o fim da Guerra Civil Americana, o próximo grande conflito militar no mundo foi a Guerra do Paraguai (1864-1870). Nela, a Armada Imperial Brasileira, em sua maioria dedicada a operação em águas marrons, foi composta por grandes ironclads e monitores fluviais, desempenhando um papel crucial no conflito. miniaturadaimagem|Barroso, um ironclad brasileiro, o primeiro navio a passar pela Fortaleza de Humaitá no Rio Paraguai A hidrovia natural para a República do Paraguai era o Rio Paraguai, mas esta rota estava bloqueada pela Fortaleza de Humaitá, a qual era duramente protegida. Ela compreendia uma extensão de 2 mil metros de linhas de baterias pesadas com vista para uma curva côncava acentuada no rio, em um ponto onde o canal tinha apenas 180 metros de largura. Um quebra-mar podia ser erguido para bloquear a navegação. A fortaleza era extremamente difícil de ser tomada por forças terrestres, pois era protegida por pântanos, charcos ou lagoas intransponíveis e, onde não os havia, por 13 quilômetros de trincheiras fortificadas por uma guarnição de pelo menos 18 mil homens. O rio era raso, desconhecido e capaz de aprisionar grandes embarcações caso o nível da água baixasse. Naquele ambiente, a maior ameaça à navegação eram os "torpedos" (minas navais flutuantes do século XIX).

Seis navios da esquadra encouraçada brasileira conseguiram passar por Humaitá em um episódio conhecido como Passagem de Humaitá, um evento considerado quase impossível. Embora não pudesse operar muito além de sua base militar avançada, o domínio brasileiro no rio impediu o Paraguai de reabastecer a fortaleza, que acabou sendo privada de recursos e capturada pelas forças terrestres no Cerco de Humaitá.

Segunda Guerra Sino-Japonesa Durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, a Marinha Imperial de Manchukuo serviu principalmente para patrulhar os rios Sungari, Amur e Ussuri, apoiar as operações do Exército contra as forças de resistência chinesas e proteger as fronteiras fluviais de Manchukuo com a União Soviética. Em 1939, as forças da Marinha ficaram sob o controle do Exército Imperial de Manchukuo como a Frota de Defesa Fluvial.

Bibliografia

Categoria:Marinha Categoria:Guerra fluvial