miniaturadaimagem|Albúm Poético Fotográfico. Escritoras y Poetisas Cubanas (Domitila García,1926) Catalina Rodríguez Martínez de Tardiña (Pipían, Madruga, La Habana, 1835 – Villa Clara, Cuba, 1894), também conhecida como Catalina Rodríguez e Catalina Rodríguez de Morales, foi uma poetisa, dramaturga e jornalista cubana do século XIX. Em momentos de sua carreira, utilizou o pseudônimo Yara.

A produção literária de Catalina Rodríguez é um marco importante nos estudos literários cubanos, em especial do romantismo, sendo reconhecida como um alicerce no desenvolvimento do teatro e da poesia no país. Sua sensibilidade literária, escrevendo desde sátiras, reflexões, textos políticos e poesias líricas, a tornou autora expoente de Cuba no XIX. Mais recentemente, seu trabalho no jornalismo tem sido objeto de análise. Devido ao impacto que exerceu no cenário cultural e literário de seu tempo, figura entre os consagrados no Diccionario de literatura cubana, e outras compilações sobre autoras históricas.

Vida e Obra Catalina Rodríguez nasceu em uma família rica, cujo patriarca era médico. Ela teve a oportunidade de estudar, o que lhe permitiu cultivar sua paixão pela criação literária, interesse que manifestou desde cedo. Aos 15 anos, mudou-se com a família para Havana, e posteriormente para Matanzas, onde aprofundou seus estudos.

Ao entrar em contato com os principais círculos literários cubanos, ficou conhecida como poetisa. Seus escritos foram publicados em diversas revistas e jornais cubanos como La Ilustración cubana, Cuba e América, o que lhe rendeu certo reconhecimento literário. Seu talento como escritora, o “domínio de métricas, bem como um uso primoroso da linguagem” a tornou uma das figuras mais importantes da cena cultural cubana da época.

Usou o pseudônimo Yara até seu casamento em 1866, com o botânico cubano Sebastián Alfredo de Morales (1823-1900). Com apoio do marido passou a assinar suas obras com o nome de Catalina Rodríguez de Morales.

Seu legado remete a sete livros de poemas, bem como duas comédias em verso. Em seus poemas, é notada a sua “propensão à contemplação e sua ternura requintada”, florescidas de sua juventude. Suas comédias foram julgadas, na época, favoravelmente por vários estudiosos. Essa opinião a coloca como par de outra renomada poetisa cubana, Luísa Pérez (1837-1922), “por sua sensibilidade requintada, pela correção de seus pensamentos e por suas tendências filosóficas, juntamente com seu estilo terno, verdadeiramente poético e florido”, segundo sua contemporânea, Domitila García de Coronado.

Amor patriótico O amor patriótico é evidente na sua poesia, por exemplo, no poema Ansiedade, onde, além de sua erudição (mencionando diversas geografias do mundo), compara todas as paisagens com as de sua terra natal e cita seus grandes homens e mulheres. Em Lamentos esdrújulos, é evidente a ludicidade que caracteriza sua poesia. Esse tipo de composição está ausente na escrita de sua época e é raro na literatura em geral. O senso de humor também acontece em El fatuo afrancesado, Epístola a Elisa e no El viejo Verde, que retrata o relacionamento entre um velho apaixonado por uma adolescente.

Ainda segundo Domitila García de Coronado, sua genialidade poética é prolífica e variada: "sua lira foi testada com sucesso em outros tons, e neles ela deu provas de que devia um espírito corajoso à natureza". Sobre a sátira A Elisa, Coronado afirma de forma irônica: "mais parece obra de um filósofo do que de uma mulher, está repleta de pensamentos sérios e, em mais de uma passagem, nos lembra Jorge Manrique, como o Sr. Poey apropriadamente diz no prólogo do livro”.

Sua produção literária estendeu-se além das fronteiras de Cuba. Durante uma viagem à Europa em 1876, motivada pela perseguição política ao seu marido, colaborou na revista espanhola Moda Ilustrada, sediada em Cádiz também conhecida como La Moda Elegante Ilustrada (1842-1927), fundada por Abelardo de Carlos y Almansa (1822- 1884). Em 1882, assumiu a direção da revista El Álbum de Matanzas, consolidando sua influência na divulgação nacional e internacional da literatura cubana.

O poema Al Trabajo (1865) foi premiado no concurso Juegos Florales, de 1865, no Liceu de Matanzas, consolidando-se como a primeira em concorrer e conquistar esse prêmio literário.García de Coronado, Domitila. “Catalina Rodríguez.” Álbum poético-fotográfico de escritoras y poetisas cubanas escrito en 1868 para la señora Doña Gertrudis Gómez de Avellaneda. La Habana: Imprenta de El Fígaro, 1926

Abolição da escravidão Em Poemas, obra publicada quando tinha 30 ou 31 anos, a autora critica a escravidão em Cuba. No poema El amo i la esclava defende uma mãe que exige seu filho do senhor. O texto demonstra a coragem da poetisa, que descreve o homem branco como um ser sem coração, que, ao final do poema, mata o escravizado. Essa preocupação com os marginalizados, em especial com as mulheres, se observa também em El canto de la mendiga.

Catalina Rodriguez foi a primeira a cantar em versos a abolição da escravidão no soneto Redención, publicado em 16 de outubro de 1886, no jornal havanês El País, dirigido então pelo Partido Liberal Autonomista. O texto não se destaca por sua originalidade, mas como um documento literário que marca o fim da instituição da escravatura, consequência direta da crise gerada pela Guerra dos Dez Anos. Categoria:Poetas de Cuba Categoria:Século XIX em Cuba Categoria:Dramaturgos de Cuba Categoria:Jornalistas de Cuba Categoria:Abolicionistas Categoria:Feministas de Cuba