AdNauseam é uma extensão de navegador gratuita e de código aberto que bloqueia anúncios da Internet enquanto simula automaticamente cliques neles. Criado em 2014 por Daniel Howe, Helen Nissenbaum e Mushon Zer-Aviv, o software é um projeto de defesa dos direitos digitais que combate a vigilância e o perfilamento de dados empregadas por redes de publicidade online.

A extensão funciona nos navegadores Mozilla Firefox e Google Chrome. O Google baniu o AdNauseam da Chrome Web Store em 2017. A MIT Technology Review testou a eficácia do AdNauseam junto com Nissenbaum em um experimento realizado em 2021. Durante o teste, o Google confundiu a maioria dos cliques automáticos feitos pelo AdNauseam com cliques reais de pessoas e, por isso, cobrou uma conta de teste do Google Ads como se fossem interações verdadeiras com os anúncios.

História Antes do AdNauseam, os cocriadores Daniel Howe e Helen Nissenbaum lançaram outra extensão chamada TrackMeNot, que escondia as pesquisas do usuário enviando consultas aleatórias aos mecanismos de busca. Nissenbaum, professora da Universidade de Nova Iorque, publicou seu livro Obfuscation para explicar como dados irrelevantes podem ser usados para preservar a privacidade do usuário.

Em 2015, de acordo com o The Guardian, o designer do AdNauseam, Mushon Zer-Aviv,descreveu a extensão como “mais um projeto artístico do que uma tecnologia feita para uso em massa”.

Howe lançou a versão 2.0 da extensão em julho de 2016 na conferência Hackers on Planet Earth. A versão 3.0 ficou disponível em novembro de 2016.

Banimento da Chrome Web Store O Google baniu o AdNauseam da Chrome Web Store em janeiro de 2017, citando o contrato de desenvolvedor da plataforma, que concedia à empresa “o direito de suspender ou remover qualquer produto da loja a seu exclusivo critério”. Quando questionado pela Fast Company, o Google negou que a função de clicar automaticamente em anúncios tenha sido o motivo do banimento, afirmando em vez disso que o AdNauseam foi removido por, ao mesmo tempo, bloquear e ocultar anúncios — um comportamento também presente em outras extensões que o Google continuou permitindo na plataforma. Na época do banimento, o AdNauseam tinha cerca de 60 000 usuários e foi a primeira extensão de bloqueio de anúncios para computadores desktop a ser banida da Chrome Web Store. Inicialmente, os usuários conseguiam contornar o bloqueio instalando a extensão no modo desenvolvedor do Google Chrome, mas o Google depois marcou o AdNauseam como malware para impedir essa solução alternativa.

Zer-Aviv já havia antecipado a possibilidade de o Google remover a extensão e acreditava que a empresa fez isso para proteger o uso da publicidade como fonte de renda. A Fast Company previu que o Google lançaria um bloqueador de anúncios próprio, integrado ao Chrome, que seguiria critérios publicados em março de 2017 pela Coalition For Better Ads — um grupo da indústria cofundado pelo próprio Google — que avaliava os anúncios com base em sua aparência visual, e não em questões de privacidade.

Funcionalidade O AdNauseam bloqueia e envia repetidamente eventos de clique para todos os anúncios exibidos por domínios que ignoram a preferência “Não rastrear” (Do Not Track) do usuário. Ao enviar estes eventos de clique, o AdNauseam insere informações incorretas sobre as preferências do usuário em sistemas de rastreamento da web usados para publicidade direcionada, dificultando que as empresas de anúncios criem um perfil real do usuário. Este comportamento de clique automático também faz com que os anunciantes que pagam por clique tenham custos financeiros. A extensão vem configurada, por padrão, para clicar em todos os anúncios elegíveis, mas o usuário pode ajustar a proporção de anúncios em que ela clica. A função de bloqueio de anúncios do AdNauseam é baseada na uBlock.

Em um experimento realizado em janeiro de 2021 em colaboração com Nissenbaum, utilizando contas de teste nas plataformas Google Ads e Google AdSense, a MIT Technology Review confirmou que os cliques automáticos do AdNauseam em anúncios do Google em um site de teste, geraram despesas para uma conta de anunciante do Google Ads e receita para uma conta de publicador do AdSense. O Google processou as transações dos anúncios clicados pelo AdNauseam em navegadores operados por usuários humanos quanto em três dos quatro navegadores automatizados com a ferramenta Selenium. No final, o experimento resultou em uma receita de 100 dólares para a conta do AdSense, o que a MIT Technology Review interpretou como uma prova da eficácia do AdNauseam.

Recepção Alan Toner, representante da Electronic Frontier Foundation, descreveu o AdNauseam como “uma peça de teatro de agitação e propaganda” destinada a “protestar criativamente contra o mecanismo de vigilância por trás da publicidade.”

Em um artigo de opinião publicado na MediaPost, o executivo de publicidade do Fox Networks Group, Joe Marchese, observou que "o AdNauseam visa prejudicar a indústria publicitária de maneiras que o simples uso de um bloqueador de anúncios não consegue", e opinou que a extensão, "embora obviamente hostil à nossa indústria, é extremamente inteligente". Marchese acreditava que a indústria publicitária poderia usar o AdNauseam para aumentar a conscientização sobre a fraude publicitária realizada por "camadas de intermediários e redes de anúncios obscuras".

Sean Blanchfield, CEO da PageFair, empresa de consultoria antibloqueio de anúncios, expressou preocupação de que, quando o AdNauseam for usado, “os anunciantes não conseguirão distingui-lo de fraudes deliberadas de cliques” e que “se ele se tornar popular entre usuários mais técnicos, sua única consequência será destruir os negócios que mantêm os sites favoritos desses usuários”. O CEO da Solve Media, fornecedora de tecnologia antirrobô, Ari Jacoby, acusou o AdNauseam de ser “projetado para fraudar por diversão” e “uma demonstração doentia do total desrespeito que alguns têm pela relação simbiótica entre publicidade e conteúdo editorial que sustenta uma Internet livre”; a revista InformationWeek rebateu, afirmando que essa relação já havia sido abalada pelo crescimento do uso de bloqueadores de anúncios.

Ver também Hacktivismo Privacy Badger

Ligações externas

Categoria:Bloqueadores de propaganda