Três Mulheres Altas (Three Tall Women) é uma peça teatral do dramaturgo norte-americano Edward Albee, escrita em 1991 e estreada em 1994. A obra é amplamente considerada uma das mais importantes da fase madura do autor, marcando seu retorno à aclamação da crítica após mais de uma década sem grandes sucessos. A peça aborda o envelhecimento, a passagem do tempo, a memória e a complexidade das relações humanas por meio de três personagens femininas que representam diferentes fases da mesma mulher.
Enredo O texto se divide em dois atos. No primeiro, uma mulher idosa e abastada (“A”) interage com sua cuidadora de meia-idade (“B”) e com uma jovem advogada (“C”). Ao longo da conversa, lembranças, confusões e contradições revelam traços de uma vida inteira. No segundo ato, descobre-se que as três figuras são representações da mesma mulher — aos 26, 52 e 92 anos — refletindo sobre as escolhas e arrependimentos de uma existência.
Contexto e criação Albee concebeu Three Tall Women inspirado em sua mãe adotiva, com quem teve uma relação marcada por conflitos. O texto foi escrito após a morte dela, funcionando como uma tentativa de reconciliação simbólica.
Produções internacionais A estreia ocorreu em 1994, no Vineyard Theatre, em Nova Iorque, dirigida por Lawrence Sacharow, com Myra Carter, Marian Seldes e Jordan Baker. O espetáculo foi sucesso de público e crítica, rendendo a Albee o Prêmio Pulitzer de Drama de 1994, além de três Prêmios Tony, incluindo o de Melhor Peça.
Em 2018, uma nova montagem na Broadway estrelada por Glenda Jackson e Laurie Metcalf venceu dois Tony Awards e foi amplamente elogiada pela crítica internacional.
Elenco histórico
+ Ano País Personagem A (idosa) Personagem B (meia-idade) Personagem C (jovem) Teatro / Produção Observações / Referências 1994 Myra Carter Marian Seldes Jordan Baker Vineyard Theatre, Nova Iorque Estreia mundial da peça de Edward Albee. 1995 Myra Carter Frances Conroy Jordan Baker Broadway, Promenade Theatre Vencedora do Prêmio Pulitzer de Drama (1994) e três Prêmios Tony. 2002 Maggie Smith Frances de la Tour Amelda Brown Wyndhams Theatre, Londres Montagem britânica de grande sucesso. 2018 Glenda Jackson Laurie Metcalf Alison Pill John Golden Theatre, Broadway Revival premiado, vencedor de 2 Tony Awards. 2022 Suely Franco Deborah Evelyn Nathalia Dill WB Produções Artísticas e Culturais Direção de Fernando Philbert; turnê nacional com elogios da crítica.2025Ana RosaHelena RanaldiFernanda NobreWB Produções Artísticas e CulturaisTurnê Nacional em 2025, em 10 cidades brasileiras. Produção brasileira A versão brasileira de Três Mulheres Altas estreou em 2022, com produção da WB Produções, direção de Fernando Philbert e elenco formado por Suely Franco (A), Deborah Evelyn (B) e Nathalia Dill (C). O espetáculo contou com cenografia de Natasha Bogojevic, figurinos de Carol Lobato, iluminação de Maneco Quinderé e trilha sonora original de Marcelo H. Lima. Com a produção geral de Bruna Dornellas e Wesley Telles.
A montagem iniciou temporada no Teatro Porto Seguro (São Paulo), seguida por apresentações no Teatro Riachuelo Rio, Centro Cultural Sesc Glória (Vitória), e turnê nacional em Belo Horizonte, Curitiba e Brasília. E ganhou temporadas subsequentes em 2023–2025, mantendo como atrizes principais Suely Franco (personagem A ), Deborah Evelyn (personagem B ) e Nathalia Dill (personagem C), até o primeiro semestre de 2025.
A montagem brasileira recebeu indicações ao Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Cesgranrio e Prêmio Cenym nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Direção. Em 2025, Deborah Evelyn foi agraciada com o Prêmio APTR de Melhor Atriz por sua interpretação na obra.
Já conta com uma bagagem de mais de 75 mil espectadores e temporadas de sucesso no Rio de Janeiro, São Paulo e diversas cidades, a peça, que já foi indicada a 8 prêmios, segue reafirmando a força e a sensibilidade do teatro brasileiro.
Mudança de elenco A temporada do segundo semestre de 2025 iniciou com a troca do elenco. Nesta nova etapa, Ana Rosa interpreta a personagem A, Helena Ranaldi personagem b e Fernanda Nobre a personagem C.
WB Produções Artísticas e Culturais Fundada em 2007 em Vitória (ES), por Bruna Dornellas e Wesley Telles, a WB Produções Artísticas e Culturais é uma das principais companhias teatrais independentes do país, reconhecida por promover circulação de espetáculos e formação de público fora do eixo Rio–São Paulo. A empresa foi elogiada pelo jornalista Miguel Arcanjo Prado por sua “contribuição decisiva à descentralização cultural brasileira”.
Elementos técnicos da produção brasileira Direção: Fernando Philbert Tradução: Thereza Falcão Cenografia: Natasha Bogojevic Figurino: Carol Lobato Iluminação: Maneco Quinderé Trilha sonora original: Marcelo H. Lima Produção geral: Bruna Dornellas e Wesley Telles
A cenografia foi elogiada por sua estética minimalista e uso simbólico do espaço, reforçando o contraste entre memória e realidade. A iluminação, assinada por Maneco Quinderé, recebeu destaque em críticas do O Globo, que a descreveu como “precisa e emocionalmente coerente com o texto de Albee”.
Recepção crítica A versão brasileira recebeu aclamação por parte da imprensa cultural. O Blog do Arcanjo classificou o espetáculo como “um olhar inteligente sobre as transformações que a vida impõe”, elogiando a “entrega emocional do trio de atrizes”. O Globo destacou o “equilíbrio entre introspecção e teatralidade” e a “presença magnética” de Suely Franco. A Folha de S.Paulo elogiou a montagem por “modernizar sem descaracterizar o texto de Albee, mantendo sua força poética e psicológica”.
Estrutura dramatúrgica A peça é composta por dois atos: Ato I — Apresenta as três personagens como figuras distintas, explorando a solidão e o declínio da memória. Ato II — Reúne as três como encarnações de uma mesma mulher em fases diferentes, simbolizando a aceitação do tempo e da morte.
Prêmios e legado Three Tall Women rendeu a Edward Albee o Prêmio Pulitzer de Drama de 1994 e três Tony Awards, consolidando sua posição entre os dramaturgos mais importantes do século XX.
A montagem brasileira, produzida pela WB Produções, foi considerada uma das mais relevantes adaptações contemporâneas da obra no país, contribuindo para aproximar o público nacional do teatro psicológico de Albee.
Ligações externas Página oficial da produção brasileira Pulitzer Prize – Edward Albee Crítica – Blog do Arcanjo Crítica – O Globo
Categoria:Peças de teatro dos Estados Unidos