Ojacleque (), no Império Otomano, foi um tipo de propriedade arrendada a particulares e/ou a instituições com a finalidade de prover sua manutenção.
História
O sistema ojacleque proliferou sobremaneira nas zonas de fronteira do Império Otomano. Nele, o governo central, por um longo período, cedia uma fonte de renda à sua disposição a uma instituição estatal ou palaciana, a uma unidade militar ou a uma pessoa ou grupo em alguma outra função pública, com o objetivo de prover seu pagamento ou as matérias-primas e suprimentos alimentares necessários para sua operação. O procedimento usual era atribuir as tarefas de coleta, distribuição e contabilização das receitas em questão ao corpo dos beneficiários, cujas atividades nessa área eram então supervisionadas centralmente. O Estado criava um contato direto entre usuário e recurso, retirando-se o máximo possível da mediação entre os dois e da coleta e realocação das receitas. Dessa forma, o ônus da arrecadação era transferido para os beneficiários. Em termos da administração financeira central otomana, este procedimento era uma atribuição válida até ser revogada ou como uma prorrogação havale. Durante o , uma proporção crescente de , jizia e vários serviços em espécie foram alocados como ojacleques, e que esses recursos não foram necessariamente administrados dentro do sistema mucata inicialmente.
Na porção oriental do Império Otomano, em especial nas zonas de fronteira com a Pérsia, instituíram-se muitos ojacleques e a beis curdos encarregados de proteger os interesses otomanos na região. Essas propriedades concorriam com os , que eram propriedades hereditárias de sanjacos inteiros em favor da dinastia local. Alguns sanjacos, como o caso de sanjaco de Pertecreque do eialete de Chelder, também eram por vezes cedidos sob a forma de ojacleques. No eialete da Bósnia, após a derrota otomana na Batalha de Sisak de 1593, timares (espécie de feudo, dado aos que se juntassem à causa otomana durante alguma guerra) foram ocasionalmente concedidos sob a forma de ojacleques (ocaklık tîmâr) aos filhos e irmãos dos mortos em combate. Um século e meio depois, desde 1741, o sistema do ojacleque timar foi expandido ao , que foi estabelecido no rescaldo da Guerra Russo-Turca de 1735–1739.
Bibliografia
Categoria:Império Otomano