Américo Lopes de Oliveira (Lisboa, 31 de março de 1911 – Fafe,17 de maio de 2003) foi um jornalista, escritor e autor de uma grande coleção de obras. Reconhecido pelo gosto da história e cultura do Minho, Américo é lembrado pela sua dedicação e ligação à literatura regional.

Vida Pessoal Américo Lopes de Oliveira nasceu na cidade de Lisboa a 31 de março de 1911. Envolvido num ambiente que valorizava a cultura e o conhecimento, o autor, desde cedo, demonstrou um grande interesse no ramo da literatura portuguesa e da história nacional tornando-se, deste modo, grande apreciador e defensor das tradições.

Ao longo da sua vida, Américo Oliveira, um homem honesto e humilde, optou pela discrição relativamente à exposição da vida pessoal sendo, apenas de conhecimento público, o compromisso estabelecido com a cultura regional. Na década de 80, apesar da carreira exigente e intensa, o escritor, motivado pelo ambiente e ligação histórica, mudou-se para Fafe, uma região onde estabeleceu uma ligação com a comunidade local e desenvolveu inúmeras atividades literárias e educativas.

Durante toda a vida, como apreciador do passado, Américo Lopes de Oliveira dedicou-se à recolha de documentos com valor histórico e ao estudo dos costumes minhotos.

Américo Lopes de Oliveira faleceu a 17 de maio de 2003, em Fafe, localidade onde foi sepultado. Apesar da sua morte, o autor deixou um vasto arquivo de livros e documentos históricos, conhecimento que continua a ser consultado.

Vida Académica Sendo um jovem com uma vocação notável para as letras, Américo de Oliveira obteve uma vida académica de excelência, que, por sua vez, marcou a sua trajetória intelectual e profissional.

Em 1929, o escritor terminou os seus estudos no Liceu de Gil Vicente e, reconhecendo o seu interesse por ciências naturais, filosofia e literatura, decidiu ingressar na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, no curso de Físico-Química. Embora a sua carreira não se tenha desenvolvido em torno da investigação científica, o curso favoreceu o crescimento de um raciocínio lógico, característica que permitiu, mais tarde, o ingresso na Faculdade de Letras de Lisboa no curso de Estudos Camonianos e, consequentemente, o reconhecimento na área de jornalismo e história.

Entre 1957–1959, Américo Oliveira aprofundou a sua formação, tornando-se bolseiro do Governo espanhol, do curso de Jornalismo, na Universidade Internacional Menendez Pelayo, situada em Santander, Espanha. Este período permitiu o escritor ter o primeiro contacto com a área do jornalismo e, assim compreender o mundo da comunicação como cultura.

Para além do mundo universitário, a personalidade abordada também se envolveu em congressos e conferências por todo o mundo. Entre elas destacou-se, em 1967, a realização do 1º Congresso dos Jornalistas, momento marcante para a história e evolução do jornalismo, uma vez que, foram discutidos tópicos como: a independência jornalística; a necessidade de reforçar a influência do conselho de redação; a importância da defesa do acesso igualitário às fontes de informação, entre outros.

Podemos concluir que o percurso de Américo Lopes de Oliveira não se limitou apenas à vida universitária. Foi um trajeto marcado pela aquisição e partilha de informação, aspeto que se debruçou não só na área científica, como também na vertente das humanidades, essencialmente, no campo da Literatura, História e Filosofia.

Assim, Américo, um homem do saber, tornou-se uma personalidade revolucionária para a cultura portuguesa do século XX.

Carreira Profissional Desde jovem, Lopes de Oliveira dedicou-se ao jornalismo, colaborando com diversos jornais e revistas, tanto nacionais como internacionais. Integrou as redações do Diário do Norte e do Diário de Lourenço Marques, nas quais exerceu funções de chefia. Foi correspondente de jornais como o Diário do Minho, Correio do Minho, O Primeiro de Janeiro, Diário Popular, Flama, e também escreveu para publicações estrangeiras como a Revista Latina (Roma), Diga-me, Lógos e Ya (Espanha). Fundou e dirigiu o Jornal de Fafe e a revista Cumeeira, além de manter, durante alguns anos, a revista Panóplia.

Criou e dinamizou várias rubricas culturais, como «Nas Colmeias das Artes», no suplemento de Letras e Artes do Novidades, e páginas dedicadas às Belas-Artes no Diário do Minho, Diário de Lourenço Marques e no Século de Joanesburgo. Realizou viagens por países da Europa, África e América do Sul, onde participou em conferências culturais sobre Portugal, muitas vezes acompanhadas de música e cinema.

Propôs, em 1957, a criação de cadeiras de História Medieval nas Faculdades de Letras e sugeriu igualmente a criação de um Congresso de Jornalistas, que só veio a concretizar-se após 1974. Colaborou ainda com rádios nacionais e locais.

Destacou-se como redator na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ao lado de nomes como António Sérgio, e contribuiu noutras obras de referência, como a Enciclopédia Lello Universal, a Enciclopédia Ultramarina e o Dicionário da História da Igreja em Portugal. Em 1973, teve o seu nome incluído no Repertório de Medievalismo Hispânico, de Barcelona.

Em 1980, aceitou o convite do presidente da Câmara de Fafe para escrever a primeira monografia sobre o concelho e fixou então residência naquela cidade. Poucos anos depois, já em 1983, foi criado um prémio literário bienal com o seu nome, atualmente voltado para estudos históricos e sociais de âmbito local e regional.

Durante a sua vida, Américo Lopes de Oliveira doou ao município de Fafe o seu vasto espólio pessoal, que incluía obras de arte, mobiliário, biblioteca e arquivos. Nesse meio tempo, integrou e colaborou com várias instituições culturais nacionais e internacionais, como academias em Espanha e Itália, associações de jornalistas e institutos ligados à arqueologia e história.

Em 1986, por ocasião dos 40 anos do seu primeiro livro, «Missões e Missionários» (1946), foi homenageado com uma exposição na Casa da Cultura de Fafe e recebeu a Medalha de Prata de Mérito Concelhio, em reconhecimento do seu contributo para a cultura e para o estudo histórico da região.

Obras Américo Lopes de Oliveira preocupava-se em entender diferentes culturas, povos e grupos. Denominado como um inventariador, um artista da terra portuguesa, dedicou grande parte da sua escrita aos estudos regionais, com especial atenção ao norte de Portugal. Para além disso, escreveu sobre a imprensa e o jornalismo português, produziu biografias e dicionários, e realizou estudos sobre cultura e tradições.

Ao todo, podemos contabilizar cerca de quarenta obras publicadas e a colaboração em pelo menos quatro. A maior parte das suas obras pode ser encontrada em bibliotecas públicas de Portugal ou à venda em websites.

Estudos regionais Miranda do Douro – O Menino Jesus da Cartolinha (1967) Ilhas de Bruma – Roteiro Açoriano (1967) Vieira do Minho – A Montanha e a Água (1968) Castro Laboreiro – O Drama da Terra (1968) Arquipélago da Madeira – Epopeia Humana (1969) Soajo – Uma Aldeia Diferente «Cabeça de Montaria» (1970) Terras de Bouro e o Seu Concelho (1970) Caxineiros – Gentes de Vila do Conde (1973) Terras de Coura (1976) Valença do Minho (1978) Terras de Bouro (1980) Fafe e o Seu Concelho (1982) Ares da Cabreira (1997)

Imprensa e jornalismo português

Como Trabalham os Nossos Escritores (1950) Jornais e Jornalistas Madeirenses (1969) Primeiro Jornal Bracarense – «O Cidadão Philantropo» (1970) Imprensa Bracarense (1976) Jornalismo em Fafe (1982) Imprensa Fafense (1989) Imprensa Vianense (1996) Nos Bastidores do Jornalismo (1997)

Estudos biográficos e dicionários

Sentido Filosófico da Vida e Obra de Domingos Tarroso. Será ele o Precursor do Existencialismo? (1960) Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis (1967, colaboração com Mário Gonçalves Viana) Maximiano Alves (1972) Stela de Albuquerque (1975) Dicionário de Mulheres Célebres (1982) O Minho na Vida e Obra de Sá de Miranda (1982) Escritoras – Brasileiras, Galegas e Portuguesas (1983)

Estudos culturais e tradições

Missões e Missionários (1946) A Arte Oriental, e de Bizâncio sua Influência na Península Ibérica (1960) Os CTT – Nas Artes, Ciências e Letras (1994) Nas Colmeias da Arte (1997) Das Artes – Dos Artistas (1998) No Mundo Artístico (2001) Respigos do Passado (2001)

Outros

O Desforço – Razão de uma Causa (1986) Angola-Moçambique – Entre a Guerra e a Paz (1994)

Colaborador das obras: Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira Enciclopédia Ultramarina Dicionário da História da Igreja em Portugal Monografia sobre o concelho de Fafe

Prémios No decurso da sua vida foi alvo de várias distinções e prémios que reconhecem o seu trabalho cultural e literário. Entre as mais evidentes está a instituição, em 1983, de um prémio bienal com o seu nome, criado pela própria Câmara Municipal de Fafe em parceria com o autor, destinado inicialmente ao género da ficção e monografia, e mais tarde para «Estudos Histórico-Sociais, de âmbito local ou regional». Esta distinção — ao estar ligada ao seu nome — funciona como legado e reconhecimento da sua obra no âmbito da investigação local.

Adicionalmente, Américo Lopes de Oliveira foi agraciado com a Medalha de Prata de Mérito Concelhio, entregue na cerimónia que teve lugar nos Paços do Concelho de Fafe no âmbito das comemorações do 25 de Abril, em 1986. Esta medalha evidencia o valor que o município atribuiu ao seu percurso como “homem humilde, sincero, um escravo das letras e da cultura”, segundo o blogue. Outros reconhecimentos referem-se ao facto de ter sido sócio-correspondente da Real Academia da Corunha, delegado no nosso país da Academia Mondiale degli Artisti e Professionisti de Roma, membro de vários institutos como o Instituto Fernando el Católico de Saragoça, sendo assim considerado mais do que um autor local, mas uma figura de reconhecimento internacional nos domínios das artes, cultura e letras.

Apesar de não ter participado em muitas competições literárias, Américo Lopes de Oliveira foi distinguido com reconhecimentos de grande valor simbólico e cultural. Entre eles destacam-se o prémio bienal que leva o seu nome, instituído pela Câmara Municipal de Fafe, e a Medalha de Mérito Concelhio, atribuída em 1986. Estas distinções, aliadas à sua ligação a várias academias e instituições culturais internacionais, refletem o prestígio que alcançou ao longo da sua vida e o reconhecimento da sua dedicação ao jornalismo, à escrita e à preservação da memória local e regional.