Spartacus é um romance histórico de 1951 do escritor americano Howard Fast. A obra narra a histórica revolta de escravos liderada por Espártaco por volta de 71 a.C. O livro inspirou o filme de 1960 dirigido por Stanley Kubrick e a adaptação para a televisão de 2004 de Robert Dornhelm.

Enredo Spartacus inicia-se com três jovens patrícios romanos — Caius, sua irmã Helena e a amiga desta, Cláudia — que partem de Roma em direção a Cápua pela Via Ápia, algumas semanas após a supressão final da revolta dos escravos. A estrada encontra-se ladeada por “sinais de punição”: escravos crucificados logo após o término do levante. Durante o primeiro dia de viagem, o grupo cruza com diversas figuras representativas — um pequeno político, um próspero comerciante da classe equestre, um mercador oriental e um jovem oficial das legiões —, cada qual oferecendo sua própria visão sobre a rebelião. Ao chegarem a uma luxuosa villa campestre onde passarão a noite, os três encontram outros convidados, personagens tanto históricos quanto fictícios, que desempenharam papéis centrais nos acontecimentos recentes ou que possuem discernimento suficiente para analisar o significado da escravidão como instituição na República Romana.

A partir dos encontros na Villa Salaria, o foco do romance desloca-se para episódios anteriores e posteriores ao levante dos escravos. A ênfase recai sobre Espártaco, sua vida nas minas e como gladiador; seu caráter, sua liderança e seus ideais de uma sociedade justa, livre da exploração e da crueldade.

Espártaco nasceu neto de escravo e foi vendido para trabalhar nas severas minas de ouro da Núbia. Eventualmente, ele e vários escravos trácios — entre eles o companheiro Gânico — são comprados por um rico lanista, Lêntulo Batiato, proprietário e treinador de numerosos gladiadores em uma escola nas proximidades de Cápua. Ali, Espártaco e Gânico conhecem outros gladiadores: o gaulês Criso, o judeu Davi e o africano Nordo.

Treinando como gladiador, Espártaco inicia um relacionamento com Varínia, uma jovem germânica que integra o grupo de escravas mantidas por Batiato para o prazer dos gladiadores. Após a morte de Nordo — que se rebela contra seus senhores romanos —, a revolta eclode. Liderados por Espártaco e Criso, os escravos e gladiadores dominam seus treinadores e guardas, obrigam Lêntulo Batiato a fugir e destroem a guarnição enviada para contê-los.

Estrutura e temas O romance alterna entre a narrativa em terceira pessoa onisciente nos tempos verbais passado e presente. Sua estrutura narrativa baseia-se em diversos membros da hierarquia dirigente da República Romana — Crasso, Graco, Caius e Cícero — que, utilizando o tempo passado, são mostrados reunindo-se para relatar os acontecimentos da vida e da revolta de Espártaco. Os relatos, por sua vez, são narrados no tempo presente de forma direta pelo narrador, incluindo detalhes que ultrapassam o possível conhecimento dos personagens romanos. A obra se desvia dos fatos históricos conhecidos e os amplia, criando uma interpretação literária própria dos eventos.

O tema central do romance é que os valores humanos mais universais e fundamentais são a liberdade, o amor, a esperança e, por fim, a própria vida. A opressão e a escravidão retiram esses valores até que os oprimidos nada mais tenham a perder ao se rebelarem. Sistemas opressores sustentam-se por meio de estruturas políticas. Espártaco surge como um símbolo eterno da necessidade de o ser humano lutar contra sistemas políticos que oprimem os valores essenciais da humanidade:

Lançamento Howard Fast publicou o romance de forma independente nos Estados Unidos durante o macarthismo, em 1951. O autor começou a escrevê-lo como reação à sua prisão, decorrente de sua antiga participação no Partido Comunista dos Estados Unidos. Fast havia se recusado a revelar ao Congresso dos Estados Unidos os nomes dos colaboradores de um fundo destinado à criação de um lar para órfãos de veteranos norte-americanos da Guerra Civil Espanhola. Por esse motivo, foi condenado a três meses de prisão em 1950, por desacato ao Congresso.

A última página da primeira edição descreve as dificuldades enfrentadas para a publicação:

A ilustração da capa da primeira edição foi realizada pelo artista afro-americano Charles White.

Na edição de bolso de 1991 (ibooks, distribuída pela Simon & Schuster; ), o autor acrescentou uma breve introdução intitulada "Spartacus and the Blacklist", na qual amplia as explicações sobre as circunstâncias que cercaram a escrita e a publicação da obra.

Adaptações A primeira adaptação ocorreu em 1960 com a direção de Stanley Kubrick. A produção tem Kirk Douglas no papel principal, retratando a revolta de escravos liderada por Espártaco contra o Império Romano. A obra destacou-se tanto por ser o primeiro épico do diretor quanto por seu impacto político e cultural, sendo lembrada por ter contribuído para o fim da lista negra de Hollywood, ao creditar oficialmente o roteirista Dalton Trumbo, que havia sido boicotado durante o macarthismo.

Em abril de 2004 uma adaptação no formato de minissérie de televisão norte-americana foi exibida em pelo canal USA Network, dirigida por Robert Dornhelm e roteirizada por Robert Schenkkan, com base no romance homônimo de Howard Fast (1951). A produção, estrelada por Goran Višnjić no papel de Espártaco, além de Alan Bates, Angus Macfadyen e Rhona Mitra, apresenta uma reinterpretação dramática da revolta dos escravos contra a República Romana. A produção foi gravada na Bulgária e buscou recriar o ambiente político e social da Antiguidade com enfoque mais realista e histórico que adaptações anteriores.

Ver também

Spartacus, romance de 1931 do escritor escocês Lewis Grassic Gibbon. The Gladiators romance de Arthur Koestler de 1939 sobre Espártaco.

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