Emigração durante o governo Hugo Chávez envolveu muitos venezuelanos, principalmente profissionais de classe alta e instruídos, que deixaram a Venezuela para viver em outros países. Essa tendência aumentaria ao longo de todo o mandato de Chávez, culminando posteriormente na Crise migratória venezuelana. Do início ao fim do governo Chávez, estimou-se, pela Universidade Central da Venezuela (UCV), que 1,5 milhão de venezuelanos (de quatro a seis por cento da população total do país) haviam emigrado.

História

Eleição de Chávez Em 1998, quando Chávez foi eleito pela primeira vez, 14 venezuelanos receberam asilo nos Estados Unidos; segundo o U.S. Citizenship and Immigration Services, 1 086 venezuelanos receberam asilo no período de 12 meses encerrado em setembro de 1999. Os detratores de Chávez afirmavam estar preocupados com seu "histórico de violência" – por ter liderado uma fracassada tentativa de golpe de Estado militar em 1992. Suas promessas de destinar mais recursos aos mais pobres também preocuparam venezuelanos das classes alta e média, desencadeando a primeira onda de emigrantes que fugiam do governo bolivariano.

Tentativa de golpe de Estado de 2002 Após o golpe de Estado fracassado de abril de 2002 e anos de tensão política após a ascensão de Chávez ao poder, a Venezuela experimentou um aumento na emigração. Um telegrama de maio de 2002 da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas para órgãos do governo dos Estados Unidos expressou espanto com o número de venezuelanos tentando entrar no país. Em junho daquele ano, muitos venezuelanos com família ou vínculos em outros países já haviam emigrado; outros, imigrantes que tinham se estabelecido na Venezuela, começaram a deixar o país devido à instabilidade econômica e política.

Reeleição de Chávez Após a eleição presidencial de 2006 e a reeleição de Chávez, as visitas de venezuelanos a sites sobre emigração aumentaram; os acessos ao MeQuieroIr.com (em espanhol: Quero ir embora) subiram de 20 000 em dezembro de 2006 para 30 000 em janeiro de 2007, e houve um aumento de 700% nos pedidos de visto de venezuelanos no vivaenaustralia.com.

Causas A promessa de Chávez de destinar mais recursos aos mais pobres preocupou venezuelanos ricos e de classe média, desencadeando a primeira onda de emigrantes que fugiam do governo bolivariano. Mais tarde em seu governo, Chávez passou a expropriar propriedades privadas e a mirar opositores políticos, o que gerou maior insegurança e, em última instância, emigração. Anitza Freitez, diretora do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais da Universidade Católica Andrés Bello, afirmou que, durante a presidência de Chávez, as "perspectivas de desenvolvimento individual e a segurança individual" foram as principais causas da emigração da Venezuela.

Fatores de impedimento Muitos venezuelanos também optaram por não emigrar durante o governo Chávez; um aumento ainda maior nas taxas de emigração foi contido por fatores de impedimento. Embora os venezuelanos tenham enfrentado maior turbulência no final do mandato de Chávez, muitos também foram impedidos de deixar o país por questões econômicas, como a Grande Recessão, e pela falta de destinos viáveis para onde se mudar. Segundo o professor Manuel Gómez, da Universidade Internacional da Flórida, os venezuelanos, à época, "não estavam dispostos a sacrificar seu status social e profissional por uma vida pior", algo que mudaria à medida que a crise na Venezuela se intensificou.

Efeitos A embaixada dos Estados Unidos em Caracas declarou, em maio de 2002, que a "fuga de trabalhadores qualificados poderia ter um impacto significativo no futuro da Venezuela". Esse sentimento também seria compartilhado posteriormente pela Newsweek, que afirmou em 2009 que "o êxodo de cérebros venezuelanos está esvaziando universidades e centros de pesquisa, debilitando indústrias e acelerando o desarranjo econômico que ameaça destruir um dos países mais ricos do hemisfério" e que "a maior exportação da revolução bolivariana é talento". Em 2009, cerca de 9 000 cientistas venezuelanos viviam nos Estados Unidos, enquanto 6 000 permaneciam na Venezuela, e estimava-se que mais de um milhão de venezuelanos haviam emigrado nos dez anos em que Chávez foi presidente. De acordo com a Universidade Central da Venezuela (UCV), cerca de 1,5 milhão de venezuelanos emigraram entre 1999 e 2014.

Destinos Muitos venezuelanos abastados emigraram para os Estados Unidos, escolhendo principalmente residir em Miami, Doral e Weston, enquanto outros decidiram se estabelecer em Panama City. Profissionais venezuelanos do setor petrolífero utilizaram sua experiência para trabalhar na indústria de petróleo canadense.

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