Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela enfrentou escassez de combustíveis diversas vezes ao longo de sua história, por motivos tanto econômicos quanto políticos. A greve geral de 2002–2003 levou à paralisação da indústria petrolífera, o que provocou falta de combustíveis no mercado interno, e o governo de Nicolás Maduro passou a registrar escassez crônica de gasolina.
História thumb|200x200px|Longas filas de carros em postos de gasolina em 10 de dezembro de 2002.
Greve geral de 2002–2003 A greve geral de 2002–2003, convocada para exigir a renúncia de Hugo Chávez, resultou na paralisação da indústria petrolífera, em especial da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), o que causou escassez significativa de combustíveis no mercado interno.
Diferentemente das greves anteriores, essa greve petrolífera envolveu não apenas a direção da PDVSA, mas também uma parte substancial do seu quadro operacional, incluindo praticamente todos os capitães da flotilha marítima. Em poucos dias, a empresa estava paralisada. A produção de petróleo caiu rapidamente para um terço do normal; a Venezuela teve de começar a importar petróleo; internamente, a gasolina para automóveis praticamente desapareceu, com muitos postos fechados e longas filas em outros.One third normal: McCaughan, p 126; gas shortages: López Maya, p 18. According to a previous version of this article, Venezuela's normal production of oil and oil derivatives before the strike was per day Muitas empresas privadas fecharam ou reduziram sua jornada, algumas em solidariedade à greve, outras por causa da falta de combustível e da paralisação econômica. À medida que as longas esperas por gasolina se tornaram comuns, companhias aéreas cancelaram diversos voos domésticos, bancos reduziram seu horário de funcionamento e muitas lojas permaneceram fechadas, apesar de ser a alta temporada de compras de Natal.Jones (2008:376-7)
Quando se aproximou o 11.º aniversário da tentativa de golpe de 4 de fevereiro de 1992, a greve já havia praticamente terminado fora do setor petrolífero.Jones (2008:386) O governo gradualmente restabeleceu o controle sobre a PDVSA; a produção de petróleo voltou aos níveis anteriores à greve em abril de 2003.McCaughan, p 128, says April, but I seem to recall that this is disputed.
Crise na Venezuela Ver também Após a morte de Hugo Chávez e durante o governo de Nicolás Maduro, por volta de 2014 a gasolina passou a ser racionada, alegadamente porque a gasolina venezuelana subsidiada estava sendo contrabandeada para a Colômbia, onde era vendida por um preço mais alto. Em março de 2017, apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, algumas regiões da Venezuela começaram a registrar escassez de gasolina, com relatos de que as importações de combustível haviam sido iniciadas. No início de 2018, a escassez de gasolina começou a se espalhar, com centenas de motoristas em algumas regiões esperando em filas para abastecer seus veículos, chegando a dormir dentro dos carros durante o processo.*
Segundo a OPEP, enquanto em 2013 eram processados diariamente 2,6 milhões de barris de petróleo na Venezuela, a produção caiu para apenas 1,1 milhão de barris diários em novembro de 2018, metade da produção de 2013. A maior parte dessas exportações destinava-se ao pagamento de dívidas externas; segundo o economista Ramón Key, essa situação afeta diretamente as finanças estatais, que não dispõem de fluxo de caixa suficiente para recuperar a produção, honrar suas obrigações e investir na manutenção da indústria. A queda da produção de petróleo também provoca o colapso das refinarias: em 2018, de uma capacidade de 1,6 milhão de barris diários, as instalações produziam apenas 20% de sua capacidade.
O abastecimento de combustível de Caracas é processado no Complexo de Refinarias de Paraguaná, no estado de Falcón, e posteriormente transportado em navios até a planta de distribuição de Carenero, no estado de Miranda. Uma vez armazenado, o combustível é enviado por um poliduto até uma planta de distribuição em Guatire, de onde finalmente é distribuído para os postos de gasolina de Caracas.
No final de 2018, porém, foram registradas duas explosões na planta de Guatire. Funcionários de postos de gasolina entrevistados por Efecto Cocuyo afirmaram que a escassez de abastecimento é causada por incêndios nas instalações de Guatire e, em resposta, caminhões-tanque são redirecionados a partir dos estados de Anzoátegui e Carabobo. Cada posto precisa de pelo menos uma carga diária para ter combustível suficiente para operar, mas alguns caminhões não chegam com essa frequência.
Ver também Crise na Venezuela Economia da Venezuela Escassez na Venezuela
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