Sueli Maxakali (Aldeia Água Boa, Santa Helena de Minas, 1976) é uma artista, cineasta, professora, tradutora e liderança do povo Tikmũ’ũn (Maxakali). Sua obra articula espiritualidade, memória e território, sendo uma das vozes mais influentes do cinema indígena brasileiro.

Ela é co-diretora de documentários e curtas, incluindo “Quando os yãmiy vêm dançar conosco” e “Yãmĩyhex: as mulheres-espírito”, e lidera iniciativas de educação intercultural e salvaguarda cultural junto à comunidade Maxakali. Em 2021, participou da criação da Aldeia-Escola-Floresta com mulheres, meninas e famílias Tikmũ’ũn.

Em 2020, recebeu da UFMG o título de Doutora por Notório Saber, em reconhecimento à sua atuação como tradutora cultural, artista e liderança indígena.

Biografia Sueli Maxakali nasceu na Aldeia Água Boa, no Vale do Mucuri (MG). Foi criada por sua avó, com quem aprendeu narrativas, cantos e práticas de cura dos yãmĩyxop, espíritos centrais na cosmologia Tikmũ’ũn.

Ela enfrentou, junto ao seu povo, os efeitos da ditadura militar e das disputas fundiárias, que marcaram a vida de sua comunidade.​

Em 1993, casou-se com o cineasta Isael Maxakali. Desde 2007 vive na Aldeia Verde, em Ladainha, atuando na educação intercultural, formação de mulheres, agroecologia e arte comunitária.

Formação acadêmica e atuação cultural Sueli participou do Curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI/UFMG).

Em 2020, recebeu da UFMG o título de Doutora por Notório Saber.

Obra artística e cinematográfica

Cinematografia Ano Título Tipo Função(ões) 2011 Quando os yãmiy vêm dançar conosco Curta documental Direção; Produção 2011 Kotkuphi Curta documental Assistência de direção; Fotografia still; Produção executiva 2011 Xupapoynãg Curta documental Assistência de direção; Fotografia still; Produção executiva; Canto de abertura 2011 Mîmãnãm: mõgmõka xi xûnîm Curta documental Assistência de direção 2015 Kakxop pit hãmkoxuk xop te yumugãhã Curta documental Produção 2016 Konãgxeka – O Dilúvio Maxakali Curta Assistência de direção; Atuação 2016 GRIN Curta documental Consultoria cultural e histórica 2019 Mãtãnãg – A Encantada Curta animação Consultoria cultural e tradução 2019 Yãmĩyhex: As mulheres-espírito Longa documental Direção; Fotografia 2020 Nuhu yãgmu yõg hãm: Essa terra é nossa! Longa documental Direção 2021 Yãy tu nunãhã payexop: encontro de pajés Curta Direção 2025 Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá Longa documental Direção (co-dir.)

Fotografias

Artes visuais e instalações Em 2021, integrou a 34ª Bienal de São Paulo com a instalação Kumxop koxuk yõg – Os Espíritos das Minhas Filhas.

Outros trabalhos incluem o livro Koxuk Xop Imagem (2009), o verbete para Povos Indígenas no Brasil 2011/2016 (2017), o texto “Kõnãg kox me mõg” na revista Piauí (2021) e a exposição Hãmxop tut xop – As mães das nossas coisas (2025).

Temas centrais Tradução intercultural Sua obra envolve mediação entre língua Maxakali, oralidade ritual e escrita.

Memória, território e resistência Os filmes tratam da relação entre terra, memória ancestral e violência histórica.

Feminilidade e coletividade Mulheres e meninas Tikmũ’ũn desempenham papel central em sua produção.

Linguagem estética indígena Integra cantos, narrativas orais e cosmologias Tikmũ’ũn.

Projetos e impacto social Atualmente ela mora na Aldeia-Escola-Floresta e coordena o projeto colaborativo que articula educação, agroecologia, arte comunitária e transmissão de saberes tradicionais que mantém o território ativo. O trabalho envolve principalmente mulheres, jovens e meninas Tikmũ’ũn, promovendo autonomia e continuidade cultural.

Ver também Cinema do Brasil Arte indígena brasileira Maxacalis Universidade Federal de Minas Gerais

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