Adelina Tecla Correia Lyrio (1863 – 1938) foi uma poetisa e professora. É considerada a primeira escritora capixaba.

Vida Adelina Lyrio era filha de Joaquim Correia Lyrio. Entre 1878 e 1881, concluiu o curso de normalista. Em 25 de outubro de 1882, foi nomeada professora primária da escola anexa ao Colégio Nossa Senhora da Penha. Dois anos depois, em 1884, dirigiu uma escola destinada exclusivamente a meninas. Foi também a primeira professora de datilografia em Vitória.

Após diplomar-se, manifestou o desejo de ingressar na Academia de Medicina. Como o acesso das mulheres ao ensino superior era então proibido, dirigiu ao governo pedidos de licença para realizar seus estudos. Acabou, contudo, desistindo da iniciativa.

Na década de 1880, participou ativamente das campanhas abolicionistas, além de integrar saraus literário-musicais promovidos por sociedades a favor da abolição da escravidão, ocasiões em que recitou alguns de seus poemas.

Categoria:Escritoras do Brasil Categoria:Poetas do Espírito Santo (estado) Casou-se pela primeira vez com o tenente Paula Castro, de quem ficou viúva pouco tempo depois. Em 1886, casou com o contador Lídio José Mulutlo, também um literato. Pouco tempo após o casamento, seu marido foi transferido pelo Correio Geral para a província do Amazonas, para onde se mudou com Adelina e os filhos. Acredita-se que, em função dessa mudança, Lyrio tenha abandonado a sua carreira de escritora.

Mais tarde, Adelina Lírio retornou ao Espírito Santo — embora não à capital —, onde se aposentou como professora e enviuvou pela segunda vez. Faleceu aos 75 anos.

Carreira Lyrio foi colaboradora assídua de periódicos de Vitória, capital da então província do Espírito Santo. Seu primeiro poema publicado foi “ A Bernardina da Penha”, no jornal Sete de Setembro, em 16 de agosto de 1879. A repercussão de sua obra ampliou-se com a sequência de doze poemas publicados no jornal A Província do Espirito Sancto, que tinha edição diária e era o periódico de maior tiragem de Vitória à época. Sua estreia nesse jornal foi no número 8, de 31 de março de 1882, com o poema "O crepúsculo".

Sua poesia é considerada romântica em razão do lirismo intimista, das imagens referenciais da natureza e da religiosidade, mas também da presença da dúvida e da desilusão. Caracteriza-a ainda o uso de versos sem grande preocupação com a rima, o predomínio das redondilhas maiores e a preferência pela quadra com uma só rima (2.º e 4.º versos) — forma muito comum na literatura popular, dada sua espontaneidade e simplicidade. Contudo, pelas características formais e temáticas de seus poemas, sua produção é vista como mais próxima da terceira fase do romantismo, e não da última, que se vincula mais fortemente ao nacionalismo e à afirmação da independência política e administrativa do país.

Os poemas de de Lyrio tiveram recepção favorável em seu tempo. A primeira avaliação crítica de sua obra foi publicada por Cunha Werres em 6 de janeiro de 1883, no jornal A Província do Espirito Sancto. Bastante elogioso, o autor comparava Lyrio a Safo e Casimiro de Abreu. Em 5 de agosto de 1883, Amâncio Pereira publicou no jornal O Cachoeirano outro artigo igualmente favorável, no qual apostava que Lyrio se tornaria uma figura de destaque no mundo das letras.

Obra Lyrio publicou dois poemas na revista Sete de Setembro, um em 1879 e outro em 1881. Também publicou doze poemas no jornal literário A Província do Espírito Sancto, entre 1882 e 1884. Esses poemas foram reunidos no livro A produção literária feminina nos jornais capixabas na segunda metade do século XIX: a revelação de Adelina Lírio, de Letícia Nassar M. Mesquita.

Também colaborou com o jornal A Folha da Victoria.

Homenagens Adelina Lyrio foi homenageada pela Academia Feminina Espírito-santense de Letras como patrona da cadeira 14.