Alberto Bessa (Porto, 29 de setembro de 1861 – Lisboa, 27 de janeiro de 1938) foi um escritor, jornalista, crítico literário e estudioso da língua, figura marcante do jornalismo e da literatura portuguesa no final do século XIX e início do século XX. Destacou-se pela dedicação à imprensa e pelo contributo para a afirmação do jornalismo como área profissional e de investigação em Portugal.
Desde jovem revelou grande interesse pelas letras, fundando e dirigindo vários periódicos no Porto e em Lisboa. Na capital, foi fundador da Associação da Imprensa Portuguesa, instituição que defendia os direitos e a dignidade dos profissionais da comunicação social, consolidando a sua reputação de rigor e compromisso com a verdade jornalística.
Entre as suas obras mais importantes encontra-se O Jornalismo: Esboço histórico da sua origem e desenvolvimento até aos nossos dias, considerada a primeira história do jornalismo escrita em Portugal. Publicada no início do século XX, esta obra analisa a evolução da imprensa no país e no mundo, revelando uma visão pioneira sobre o papel dos meios de comunicação na formação da opinião pública.
Outro trabalho de referência é A Gíria Portuguesa: Esboço de um Dicionário do Calão (1901), uma recolha minuciosa de vocabulário popular e marginal que demonstra o seu interesse pela língua viva e pela cultura do povo.
O legado de Alberto Bessa permanece associado à erudição, ao espírito crítico e ao contributo decisivo para os estudos de jornalismo e linguagem em Portugal.
Percurso profissional Alberto Bessa começou a sua carreira no Porto, no jornal O Operário, um semanário matinal publicado aos domingos e ligado ao movimento operário socialista. Posteriormente fundido com o jornal Protesto, deu origem ao Protesto Operário. Fundou e dirigiu vários projetos jornalísticos portuenses, fossem eles publicações (A Semana, Miniaturas, Novidades, Velocipedista, Revista Luso-Espanhola, Galeria Portuguesa e Crónica), diários (A Discussão, Dez de Março, Voz do Povo, República Portuguesa, Jornal da Manhã e Província) ou jornais humorísticos (Zé Povinho, Tam-tam e Pimpolho).
Mudou-se para Lisboa em 1896, aos 35 anos, para trabalhar n’O Século, jornal diário, fundado por Sebastião de Magalhães Lima, em 1880, a convite do seu diretor Silva Graça. Passados 6 anos, em 1902, abandona o projeto para fundar o Diário, com mais nove redatores d’O Século, por não concordarem com as posições do jornal em relação à questão do tabaco.
A 9 de março de 1904, realiza uma conferência pública sobre a história do jornalismo e o seu consequente desenvolvimento, na inauguração da Sociedade Literária Almeida Garrett. No dia seguinte, a 10 de março de 1904, escrevia o Diário de Notícias: “Alberto Bessa manifesta não só grande investigação de notas e de factos notáveis no jornalismo de quase todo o mundo, como também um grande estudo sobre a especialidade.”
Transferiu-se, então, em 1906 para o Diário de Notícias, ocupando a posição de redator efetivo.
Em 1910, muda-se para o Jornal do Comércio e das Colónias, periódico fundado por Homero Branco. Sete anos depois, com a morte do representante da empresa e diretor, passa a desempenhar as funções de redator principal, pelo que não demorou muito para que ascendesse a diretor, a 1 de janeiro de 1921, cargo que ocupou até 1932, quando o conselho de administração assumiu esta função.
Foi aos 70 anos, no mesmo ano, que o jornalista assinou o seu último editorial, onde escreveu: “Não desrespeitei as gloriosas tradições do velho órgão jornalístico. […] Sempre procurei servir honestamente a imprensa sem a desprestigiar ou conspurcar, não tolerando sem os meus protestos – um dos quais teve mesmo certa retumbância – que outros a deslustrassem ou envilecessem, pois que, modesto como sou, zelei sempre a honra do meu nome e a dignidade da minha profissão.”
Além do trabalho jornalístico, Alberto Bessa escreveu teatro (O Cabecilha), poesia (Ondeantes, 1883) e opereta (A reviravolta), um género de teatro musical leve derivado da ópera.
Dedicou grande parte da sua vida ao associativismo, na Associação da Imprensa Portuguesa (organização que criou as bases de um sistema mutualista de apoio aos jornalistas e às suas respetivas famílias), onde foi secretário. Desempenhou também funções na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (organização de profissionais do jornalismo e da área das letras). Para além disso, trabalhou em homenagens de rostos importantes do jornalismo, como é o caso de Rodrigues Sampaio, um dos maiores vultos do liberalismo português (1806-1882).
Representou ainda o Instituto de Coimbra, a Associação de Escritores e Jornalistas de Lisboa, a Real Academia Galega da Corunha e a Real Academia de Buenas Letras de Barcelona.
Contribuições Alberto Bessa destacou-se como um dos primeiros autores a refletir teoricamente sobre o jornalismo em Portugal. Em 1904, o jornalista publicou o livro O Jornalismo. Esboço Histórico da Sua Origem e Desenvolvimento Até aos Nossos Dias, considerada o primeiro artigo sobre a história do jornalismo português e uma das primeiras tentativas de abordagem académica da profissão. Nesta obra, analisou o surgimento e a evolução da imprensa em diferentes países, refletindo também sobre o papel ético, político e social do jornalista.
Em 1897, foi um dos principais impulsionadores da fundação da Associação da Imprensa Portuguesa (AIP), sendo secretário da comissão instaladora. Fundou, colaborou e dirigiu alguns jornais, tanto no Porto como em Lisboa. São exemplos, no Porto, O Operário, O Protesto Operário, ambos ligados ao movimento operário; A Folha Nova; O Comércio do Porto. Por sua vez, em Lisboa, O Mundo, O Século Cómico e A Vanguarda. Redigiu também o diário O Século, um dos mais importantes jornais portugueses da época. Mais tarde passou a integrar o Diário de Notícias, onde continuou a exercer uma influência significativa na imprensa lisboeta. Em 1921, assumiu a direção do Jornal do Comércio e das Colónias, cargo que manteve até 1932.
Além disso, através da AIP, Bessa contribuiu para a organização dos jornalistas portugueses como categoria profissional, destacando valores como a independência, a coragem, a responsabilidade e a integridade, essenciais para os jornalistas.
A relevância de Alberto Bessa para o jornalismo é dupla: prática e teórica. A nível profissional, foi um exemplo de dedicação à imprensa, tendo colaborado em diversos periódicos que marcaram o panorama noticioso e cultural português entre o final do século XIX e o início do século XX.
Bessa foi também pioneiro na reflexão sobre o papel social do jornalismo. Tratando-o como um objeto de estudo e propondo princípios éticos e deontológicos, contribuiu para a profissionalização da atividade e a construção de uma identidade coletiva entre os jornalistas.
Através da imprensa, foi um mediador entre a cultura e a sociedade portuguesa, promovendo o acesso a ideias modernas, ao pensamento europeu e as grandes transformações políticas e sociais da época. O seu jornalismo tinha uma vertente formativa, na qual não só se limitava a informar, mas também a educar e elevar o nível intelectual do público.
Durante a transição entre a monarquia, a 1ª República e os primeiros anos do Estado Novo, Bessa manteve uma postura independente, defendendo o papel da imprensa como espaço de liberdade e de responsabilidade cívica. O seu exemplo de integridade e compromisso intelectual contribuiu para definir o ideal do jornalista enquanto agente de mudança e de consciência social.
Alberto Bessa é assim, lembrado como um dos fundadores de histografia do jornalismo português e como um dos primeiros profissionais a refletir sobre a comunicação como um serviço público essencial à cultura e à democracia.
Alberto Bessa destacou-se como um dos primeiros autores a refletir teoricamente sobre o jornalismo em Portugal. Em 1904, o jornalista publicou o livro O Jornalismo. Esboço Histórico da Sua Origem e Desenvolvimento Até aos Nossos Dias, considerada o primeiro artigo sobre a história do jornalismo português e uma das primeiras tentativas de abordagem académica da profissão. Nesta obra, analisou o surgimento e evolução da imprensa em diferentes países, refletindo também sobre o papel ético, político e social do jornalista.
Categoria:Jornalistas de Portugal do século XX