Abu Ali Huceine ibne Amade ibne Abedalá ibne Maomé ibne Ismail (, – ), também conhecido como Azaqui (al-Zakī; lit. "o Puro"), Arradi (ar-Raḍī; lit. "o Satisfeito") e Almoctada Alhadi (al-Muqtadā al-Hādī; lit. "aquele cujo exemplo deve ser seguido, e que guia"), foi um descendente do profeta islâmico Maomé e o décimo dos imames ismaelitas, sucedendo seu pai, (m. 840). Antes de sua morte em 881, ele confiou o cuidado de seu filho e sucessor, Abedalá Almadi Bilá, então com cerca de oito anos de idade, ao seu irmão pleno, Saíde Alcair, também conhecido como Abu Axalaguelague.
Antecedente histórico
Com a morte de Jafar Alçadique em 765, (m. 775) e (m. 813), a gravidade da perseguição aos imames ismaelitas (imames) e a seus apoiadores pelos abássidas aumentou consideravelmente. Os imames ismaelitas foram obrigados a se ocultar; assim, o primeiro dawr al-satr ("período de ocultação") vigorou de 765 a 909. Durante esse período, os imames eram conhecidos como al-a'imma al-mastūrīn (lit. "os imames ocultos"). A identidade do imame era ocultada para protegê-lo da perseguição abássida, e a comunidade continuava a operar sob a autoridade de Maomé ibne Ismail. Segundo a tradição posterior, esses imames foram (8.º imame), (9.º imame) e Huceine (10º imame). Entre os historiadores ismaelitas posteriores, , autor de Istitār al-Imām, compilado sob o imamato do califa fatímida Alaziz Bilá , parece ser o primeiro a mencionar os nomes dos três imames "ocultos". Uma historiadora moderna do período fatímida, Shainool Jiwa, explica que durante o dawr al-satr a doutrina ismaelita havia se espalhado desde o Iêmem até a Ifríquia (a atual Tunisia e o leste da Argélia), tendo como seus adeptos mais proeminentes os cotamas berberes do Norte da África.
Vida Huceine ibne Abade nasceu em 825 e assumiu o imamato em 840. Seu foi Amade, apelidado Aláqueme, um descendente de Huceine ibne Ali, a quem havia transmitido sua posição. A residência de Arradi ficava em Salamia, onde ele vivia entre os haxemitas e agia como se fosse um deles. Ele oferecia presentes aos governadores locais e era generoso em hospitalidade. Diz-se que ele concedia auxílios de seus bens às pessoas pobres e incapacitadas em Salamia, sem distinção entre ismaelitas e não-ismaelitas. Seu pai, Maomé Ataqui (Amade), é lembrado por sua Enciclopédia dos irmãos da pureza (Rasāʿil Ikhwān al-ṣafā), que seu filho teria resumido em seu Jāmiʿat al-Jāmiʿa. Arradi é lembrado por sua dawah ou atividade missionária.
Arradi viajou a Cufa, em peregrinação aos túmulos de Ali e de seu filho, Huceine. Enquanto esteve ali, encontrou , que era dos xiitas duodecimanos e estava ligado a Haçane Alascari. Encontrou também . Ele enviou ambos ao Iêmem para estabelecer ali o caminho do ismaelismo. Eles chegaram ao Iêmem, conquistaram Saná, a capital do país, exilaram a tribo governante dos laidiritas e estabeleceram a autoridade ismaelita no Iêmem. Arradi morreu em 881, em Salamia, enquanto viajava na região. Antes de sua morte, nomeou seu irmão, Saíde Alcair, também conhecido como Abu Axalaguelague, como seu depositário. Ele designou igualmente Abu Axalaguelague como tutor de seu filho, Almadi. Consta no Istitār al-Imām que o tutor, o “imame atuante”, tentou usurpar o imamato para sua própria linhagem, nomeando sucessivamente seus filhos como herdeiros, mas todos eles morreram.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século IX Categoria:Imames ismaelitas