O Banquete de Cleópatra (em neerlandês: Het feestmaal van Cleopatra) é uma pintura a óleo sobre tela do pintor flamengo barroco Jacob Jordaens, datada de 1653. Junto com (1650), Os Apóstolos Paulo e Barnabé em Listra (c. 1618) e (c. 1615), é uma das quatro obras do artista presente no Museu Hermitage, em São Petersburgo na Rússia. A tela representa Cleópatra recebendo Marco Antônio a bordo da sua barca.

A pintura ilustra um episódio descrito por Plínio, o Velho em sua enciclopédia História Natural: Cleópatra apostou com Marco António que conseguiria gastar dez milhões de sestércios numa única refeição. Durante o banquete, foi-lhe servido um copo de vinagre no qual dissolveu uma enorme e preciosa pérola e bebeu o conteúdo. Lúcio Munácio Planco, que arbitrava a aposta, declarou Cleópatra vencedora. Marco Antônio, o seu companheiro Enobarbo e o servo negro ficam petrificados de espanto, com expressões que misturam consternação e admiração. Apenas o bobo da corte, que aponta para Cleópatra com a mão direita e exibe um sorriso grotesco, sublinha a loucura do ato da rainha.

Este tema foi extremamente popular no mundo artístico dos séculos XVI e XVII. Normalmente, os artistas utilizavam-no para retratar a luxuosa vida cortesã, sendo um motivo muito apreciado para grandes obras decorativas, especialmente tapeçarias. No entanto, o enfoque de Jordaens é moral: a pintura funciona como uma alegoria que critica os pecados do orgulho e da vaidade, tema típico da pintura dos Países Baixos que remonta a Pieter Bruegel, o Velho e Hieronymus Bosch.

A obra encontra-se assinada e datada na parte superior. No centro, quase invisível, lê-se a assinatura do artista e a data: J Jor. 1653. Como a inscrição indica, foi pintada em 1653 e provavelmente constitui peça companheira de A Morte de Cleópatra, de Jordaens, que se encontra na , localizada na cidade de Kassel, no interior de Hesse, na Alemanha. A história inicial da tela é desconhecida. Chegou ao Hermitage em 1937, proveniente do Fundo Estatal de Museus, que reunia e redistribuía obras confiscadas a particulares após a Revolução Socialista de Outubro. Está exposta no Novo Hermitage, sala 248. É muito provável que O Banquete de Cleópatra, juntamente com a pintura de Kassel, tenha pertencido a um certo Giacomo Antonio Carenna — ambas as obras são mencionadas no seu testamento de 9 de março de 1669 como parte da série História de Cleópatra.

N. I. Gritsai, chefe da secção de pintura dos séculos XIII–XVIII do Departamento de Arte Europeia Ocidental do Hermitage, observou o seguinte ao descrever a obra:

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