thumb|right|150px|Machado de Assis Noite de Almirante é um conto do escritor brasileiro Machado de Assis, que foi publicado originalmente na Gazeta de Notícias de 10 de fevereiro de 1884 e na coletânea Histórias sem Data no mesmo ano. Narrado em terceira pessoa, o conto explora um triângulo amoroso vivido por um povo de subúrbio. Traz preocupações características de Machado, como a volubilidade da alma humana e a influência de fatores externos na vida dos personagens.Machado de Assis, Histórias sem Data (Edições críticas de obras de Machado de Assis), Civilização Brasileira, 1977.

Enredo Um marinheiro (Deolindo Venta-Grande) volta de uma longa viagem de instrução e está ansioso por rever sua paixão, a caboclinha Genoveva de vinte anos, e passar com ela uma “noite de almirante” (no linguajar dos marinheiros), com quem trocou votos de fidelidade mútua. Surpreende-se ao descobrir que ela o deixou por um tal José Diogo, mascate de fazendas. E ela admite essa sua “traição” na maior inocência e ingenuidade, como se não tivesse feito nada de errado: “O coração mudou.”

TRECHO: Ah! Venta-Grande! Que noite de almirante vai você passar! ceia, viola e os braços de Genoveva. Colozinho de Genoveva...

Análise da trama "Noite de Almirante" apresenta Genoveva, uma jovem cabocla "esperta, de olho negro e atrevido". Ela nada tem da idealização romântica prevalente no século XIX. Na verdade, sua conduta mostra uma amoralidade inocente, que desconhece compromissos e só reconhece a necessidade.Coletânea: Histórias Sem Data. machadodeassis.net. Disponível em: https://machadodeassis.net/texto/historias-sem-data/28927 . Acesso em: 7 dez. 2025.

O conto retrata a vida de um "povo de subúrbio", socialmente marginalizados. O triângulo amoroso entre Genoveva, Deolindo e José Diogo, a promessa de fidelidade quebrada, e a consequente vingança emocional de Deolindo, são elementos que representam a fragilidade da ordem sentimental e social entre camadas populares. É uma crítica aos valores da civilização nortecêntrica, projetados em um Brasil recém-independente.SILVA, Eufrida Pereira da. “Noite de almirante” de Machado de Assis: um povo de subúrbio. Via Atlântica, São Paulo, v. 23, n. 1, p. 230–252, 2022. DOI: 10.11606/va.i41.189859. Disponível em: https://revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/189859. Acesso em: 7 dez. 2025.

O conflito amoroso vivido por Deolindo reflete uma tensão profunda entre o ideal (o juramento de amor e a expectativa de reencontro) e o real (a traição e a falibilidade humana). Egoísmo e desejos conflitantes tornam uma relação amorosa vulnerável e imprevisível, mostrando que valores românticos são incompatíveis com a dureza da vida real.BARBOZA, Jair Lopes. Filosofia schopenhaueriana e literatura machadiana: em torno do conto "Noite de almirante". Trans/Form/Ação, Marília, SP, v. 23, n. 1, p. 7–17, 2000. DOI: 10.1590/S0101-31732000000100001. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/811.. Acesso em: 7 dez. 2025.

Para Luiz Antonio Aguiar, é um conto leve e divertido. "O marujo Deolindo Venta-Grande retorna à cidade, depois de meses no mar, e todos o parabenizam pela noite de almirante que irá ter com a sua Genoveva, a fogosa moça que prome-teu esperá-lo fielmente. Só que nada corre como ele previa."AGUIAR, Luiz Antonio. Almanaque Machado de Assis: vida, obra, curiosidades e bruxarias literárias. Rio de Janeiro: Record, 2008. ISBN 978-85-01-08099-8.

Adaptações O filme Esse Rio Que Eu Amo, de 1960, adapta quatro contos brasileiros, dentre eles "Noite de Almirante".

O conto também foi adaptado como curta-metragem em 2018, tendo Marcos Pitombo como um dos protagonistas.

Em 2024, a quadrinista Germana Viana adaptou o conto para os quadrinhos na coletânea Noite de Almirante e outros Contos de Machado de Assis. A coletânea foi indicada para o prêmio de Melhor Adaptação para os Quadrinhos no 37.º Troféu HQ Mix.

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