LTI – Lingua Tertii Imperii: Notizbuch eines Philologen (1947) é um livro de Victor Klemperer, professor de Literatura na Universidade Técnica de Dresden. O título, metade em latim e metade em alemão, traduz-se como "A Língua do Terceiro Reich: Caderno de um Filólogo"; o livro foi publicado em inglês com o título The Language of the Third Reich.

Conteúdo Lingua Tertii Imperii estuda a forma como a propaganda nazista alterou a língua alemã para incutir nas pessoas as ideias do nazismo. O livro foi escrito na forma de anotações pessoais que Klemperer fez em seu diário, especialmente a partir da ascensão do regime nazista em 1933, e ainda mais depois de 1935, quando Klemperer foi destituído de seu título acadêmico por ser de ascendência judaica. Seu diário se transformou em um caderno no qual ele anotava e comentava sobre a relatividade linguística do alemão usado por oficiais nazistas, cidadãos comuns e até mesmo por outros judeus. Klemperer escreveu o livro, baseado em suas anotações, entre 1945 e 1946.

LTI demonstra mudanças na língua alemã na maior parte da população. Em contrapartida, o texto também enfatiza a ideia de que a resistência à opressão começa pelo questionamento do uso constante de chavões. Tanto o livro quanto seu autor sobreviveram inesperadamente à guerra. LTI foi publicado pela primeira vez em 1947 na Alemanha.

Destaca construções de palavras peculiares, destinadas a conferir um aspecto "científico" ou neutro a discursos que, de outra forma, seriam bastante complexos, bem como a comportamentos cotidianos significativos.

Exemplos Klemperer observa que grande parte da linguagem nazista envolvia a apropriação de palavras antigas e a adaptação de seus significados, em vez da criação de novas. Entre os exemplos que ele registrou do uso da linguagem propagandística, estão os seguintes:

Palavras recorrentes Artfremd ("alienígena"); Ewig ("Eterno"). Exemplo: der ewige Jude (o Judeu errante); das ewige Deutschland (a Alemanha eterna); fanatisch, Fanatismus (Fanático / Fanatismo). Usado de uma forma particularmente orwelliana: fortemente conotado positivamente para o lado "bom" e fortemente conotado negativamente para o lado "mau"; Instinkt (Instinto); spontan ("espontâneo").

Eufemismos (Schleierwörter) Evakuierung ("evacuação"): deportação; Holen ("coleta"): prisão; Konzentrationslager ("campo de concentração"): campo de extermínio; Krise ("crise"): derrota; Sonderbehandlung ("tratamento especial"): assassinato; Verschärfte Vernehmung ("interrogatório intensificado"): tortura.

Expressões e motivos recorrentes A guerra "imposta" a um Führer amante da paz. (A França e o Reino Unido declararam guerra à Alemanha, mas somente depois que a Alemanha remilitarizou a Renânia, anexou a Áustria, anexou a Checoslováquia e invadiu a Polônia.) O "ódio incomensurável" dos judeus – um exemplo de ambiguidade orwelliana: os judeus têm um "ódio incomensurável" do Terceiro Reich (agressivo ou conspiratório), mas o povo alemão tem um "ódio incomensurável" dos judeus (espontâneo e legítimo).

Fontes

Ligações externas (no United States Holocaust Memorial Museum)

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