A Antiga Casa da Câmara da Pederneira situa-se na Pederneira, no concelho da Nazaré, Portugal. Edificado com propósitos governativos e jurídicos, o imóvel apresenta uma fisionomia que resulta de diversas intervenções ocorridas entre os séculos XVI e XVIII, encontrando-se classificado como Imóvel de Valor Concelhio desde 1978.

Descrição O imóvel implanta-se de forma adossada no tecido urbano, adaptando-se à inclinação do terreno e dominando o lado Leste do principal espaço público da localidade. A Praça Bastião Fernandes, para onde dá a fachada principal do edifício, é revestida a calçada com padrões geométricos e, no seu centro, situa-se o pelourinho da Pederneira: um tronco de conífera fossilizado que, desde 1886, substitui simbolicamente o antigo pelourinho manuelino. A sul deste espaço, ergue-se a Igreja Matriz de Santa Maria das Areias, com origem em finais do século XVI.

O edifício dos antigos Paços do Concelho caracteriza-se por uma planta rectangular de linhas sóbrias, com uma volumetria de dois pisos coberta por um telhado de quatro águas. A fachada principal, orientada a Oeste, revela uma organização simétrica composta por cinco eixos de aberturas de verga recta. No piso térreo, as cinco portas dão acesso ao interior, destacando-se o portal central pelo seu aparato decorativo. Este é encimado por um espaldar de cantaria recortada e um brasão com as armas nacionais, ladeado por ornamentação de estilo rococó, onde é visível que a coroa real foi picada em tempos passados. O segundo piso, ou piso nobre, alterna janelas de peitoril com janelas de sacada guarnecidas por grades de ferro.

A verticalidade do conjunto é acentuada pela torre sineira que se eleva ao centro da cobertura, alinhada com o portal principal. Esta estrutura quadrangular, dotada de um relógio de mostrador circular e janelões em arco de volta perfeita, termina num coruchéu piramidal de base oitavada coroado por um pináculo. Na fachada lateral direita, observa-se a adição de um corpo moderno que acolhe serviços bancários automáticos.

Interior O interior, embora reabilitado, mantinha originalmente uma divisão funcional rigorosa: o rés-do-chão abrigava o açougue e a cadeia, enquanto o andar superior era destinado às sessões da câmara e ao tribunal. Actualmente, os espaços foram amplificados para permitir novas funções, incluindo áreas de exposição, um posto de informação turística e uma sala polivalente com tecto de madeira sobre travejamento aparente.ALMEIDA, Álvaro Duarte de; BELO, Duarte (2007). Portugal Património: Guia-Inventário. VI. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 24

História A localidade da Pederneira recebeu de D. Manuel I um novo foral em Outubro de 1514. A designação desta vila e a origem da sua igreja matriz encontram-se documentadas em crónicas antigas, como se lê na seguinte passagem:A designação de Pederneira advém de "acharem ali um marco grosso como um pinheiro redondo, de altura de cinco palmos de pederneira, que inda hoje existe; daí a tempos fizeram a Igreja Matriz da invocação de N. Senhora das Areas com um Vigário, e quatro Beneficiados"A actual configuração do edifício é herdeira das reformas efectuadas no século XVIII, motivadas em grande parte pela devastação provocada pelo sismo de 1755, que destruiu a torre sineira e parte da estrutura original. A reconstrução inseriu-se num movimento mais vasto de renovação administrativa pombalina, conforme nota a historiografia:Nesta vasta zona do Centro e do Sudoeste de Portugal, várias foram as casas da câmara destruídas. Os edifícios camarários reconstruídos na Época Pombalina e Pós-Pombalina ilustram bem o tamanho da catástrofe, de que são um índice muito seguro, particularmente bem ilustrado justamente nos casos da Pederneira, de Cascais, de Lisboa, de Almada, de Setúbal ou de Grândola, localidades que se viram forçadas a erigir notabilíssimas casas da câmara na Época Pombalina ou Pós-PombalinaAo longo dos séculos XVII e XVIII, o progressivo assoreamento da antiga lagoa da Pederneira e o crescimento do assentamento costeiro da Praia da Nazaré ditaram o declínio demográfico e económico da vila. Em consequência, o concelho da Pederneira foi extinto em 1855, sendo o seu território integrado inicialmente em Alcobaça.

O edifício dos Paços do Concelho cessou então as suas funções originais, servindo sucessivamente como escola primária, tribunal e cadeia. A restauração do concelho ocorreu em 1898, mas em 1912 a sede administrativa foi definitivamente transferida para a Nazaré. Já no século XXI, especificamente em 2005, o imóvel foi alvo de uma profunda requalificação arquitectónica, transformando-se num centro cultural polivalente que preserva a memória histórica da região através de exposições e actividades recreativas.

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