Miraculous é uma franquia de mídia francesa criado pelo escritor e diretor Thomas Astruc e na propriedade da Miraculous Corp., uma joint venture da Mediawan e a ZAG Entertainment. A franquia acompanha dois adolescentes parisienses, Marinette Dupain-Cheng e Adrien Agreste, que usam joias mágicas (dois brincos e um anel) conhecidas como Miraculous para se transformarem nos super-heróis Ladybug e Cat Noir. Os poderes dessas joias são concedidos pelos Kwamis, antigas criaturas mágicas que personificam conceitos abstratos como criação, sorte, destruição e curiosidade. Além dos dois heróis principais, outros adolescentes da cidade também recebem seus próprios Miraculous para se transformarem e ajudarem a proteger Paris, esse grupo ficou conhecido como "Os Miraculers". Juntos, eles defendem a capital francesa contra ataques de supervilões criados a partir das emoções negativas, conhecidos como vilões akumatizados.
A franquia começou com a série de animação principal Miraculous: Les aventures de Ladybug et Chat Noir (2015–presente), e também inclui webséries, telefilmes, filmes de animação, videogames, histórias em quadrinhos, mangás e produtos licenciados.
História Origens da Ladybug & Cat Noir 180px|thumb|right|O primeiro desenho existente da Ladybug, feito por Thomas Astruc. 180px|thumb|Representação do Yin e Yang, um conceito filosófico que inspirou a dualidade entre Ladybug (criação/sorte) e Cat Noir (destruição/azar).
O conceito original de Ladybug surgiu por volta de 2005, idealizado pelo ilustrador e roteirista francês Thomas Astruc. A ideia nasceu espontaneamente, após conhecer uma jovem usando uma camiseta com estampa de joaninha; ele começou a esboçar o design da personagem em um post-it. Percebendo o potencial de sua criação, Astruc desenvolveu novos designs — incluindo capas de quadrinhos fictícias intituladas The Mini Menace Ladybug — e construiu todo um universo em torno da protagonista, inspirado em universos de super-heróis como o da Marvel. O projeto ganhou impulso quando ele uniu forças com Jeremy Zag, produtor da ZAGTOON (agora ZAG Entertainment), o que permitiu um maior aprimoramento do conceito.
Astruc buscou inspiração em diversas fontes, especialmente em animações japoneses e quadrinhos, elementos de super-heróis como o Homem-Aranha e histórias em quadrinhos franco-belgas. A personagem principal foi criada seguindo as características do gênero garota mágica, como Sailor Moon, enquanto o tom e a atmosfera romântica de Paris foram influenciados principalmente pela personagem do filme francês Amélie Poulain.
Cat Noir foi concebido como um contraponto simbólico da Ladybug, baseado no conceito filosófico chinês de Yin e Yang. Como as joaninhas são tradicionalmente associadas à boa sorte, Astruc criou um herói felino preto representando o azar e a destruição. Seu visual foi inspirado na personagem Mulher-Gato da DC Comics, com um traje preto, agilidade e a capacidade de agir sem ser notado. Em termos de personalidade, ele simboliza a liberdade: em sua vida normal, Adrien é reservado e limitado pelas regras de seu pai, enquanto como super-herói ele se torna brincalhão, destemido e expressivo.
Nas primeiras versões do projeto, o personagem se chamava Félix e tinha um temperamento mais frio e distante. Durante o desenvolvimento, em parceria com Jeremy Zag, o conceito foi reformulado, Adrien Agreste foi criado e o nome Félix foi mantido para criar o primo do personagem, Félix Fathom. Essa mudança tornou a relação entre os protagonistas mais empática e acessível ao público. Quando Nathanaël Bronn apresentou o projeto a Jeremy Zag, ele se apaixonou imediatamente pela ideia: uma história de super-heróis ambientada em Paris, combinando ação, aventura e romance, com valores universais capazes de atrair um público global. Para transformar a visão em realidade, Zag procurou Aton Soumache, da Method Animation, e juntos decidiram desenvolver a produção em uma parceria internacional. O objetivo era criar uma animação europeia que combinasse a essência dos quadrinhos ocidentais, o toque francês característico e o dinamismo da animação japonesa, como explicou Zag: "Un superhéros à l'américaine avec des histoires et des pouvoirs à la japonaise" (em françês).
Quando o projeto começou, havia pouquíssimas super-heroínas como protagonistas — um cenário que mudaria drasticamente apenas cinco anos depois. Os produtores correram um risco: com exceção do mercado japonês, quase ninguém havia se aventurado a criar uma heroína desse tipo como personagem principal. A experiência mostrou que uma protagonista feminina não afastava o público masculino, desde que houvesse comédia, aventura e ação, além de personagens masculinos memoráveis como Cat Noir. O principal desafio era conquistar também o público feminino: a equipe manteve elementos que remetiam ao universo considerado "feminino", mas adicionou atributos e poderes antes reservados aos heróis do gênero. A proposta era exatamente essa: uma série feita para meninas, mas que também conquistaria os meninos.
Essa iniciativa também surgiu de uma mudança no perfil das personagens femininas no entretenimento. Antes, elas eram geralmente representadas como fadas ou princesas em busca de seu príncipe encantado. A partir de produções como A Rainha da Neve, Rapunzel e The Hunger Games, começaram a surgir personagens com poder, autonomia e capacidade de ação, e Miraculous consolidou essa nova abordagem. Como criador do personagem e idealizador do conceito, Astruc também assumiu o papel de roteirista e diretor da série. Inicialmente, ele explorou diversas abordagens, mas muitas se mostraram difíceis de implementar, principalmente devido ao número de parceiros envolvidos. Para conciliar todos esses pontos, ele trabalhou em estreita colaboração com Sébastien Thibaudeau, o diretor de roteiro, que atuou como elo entre as partes. A dupla defendeu a essência original da história, fazendo ajustes para atender às necessidades dos parceiros, sem distorcer a ideia inicial.
Um dos maiores desafios durante a produção foi encontrar roteiristas que entendessem a linguagem e a estrutura das histórias de super-heróis. Astruc trabalhou ao lado de Thibaudeau para orientar a equipe, já que muitos tinham a tendência de separar os momentos cômicos das cenas de ação, em vez de integrá-los naturalmente à narrativa.
Estilo visual A equipe incluía Nathanaël Bronn, responsável pelo design gráfico da série. Já conhecido por seu trabalho anterior com Astruc, ele acompanhou o projeto desde os estágios iniciais. Ao ver os primeiros esboços, reconheceu imediatamente o potencial dos personagens e ajudou a apresentá-los a Jeremy Zag, que demonstrou grande interesse. Bronn assumiu o papel de diretor de arte e designer gráfico, participando de todo o processo: definindo o estilo visual dos personagens, os cenários, a direção de arte, a paleta de cores e até mesmo a construção das próprias histórias. Para ele, desenhar é, acima de tudo, uma forma de contar histórias — e a ZAGTOON permitiu que ele combinasse essas duas funções, algo relativamente raro no mercado.
Sua missão era criar um universo visual que equilibrasse a animação japonesa e os quadrinhos americanos, sem negligenciar a identidade francesa. Ao contrário do padrão de heróis musculosos e imponentes dos quadrinhos americanos, os personagens foram desenhados com silhuetas esbeltas, delicadas e graciosas, transmitindo elegância, leveza e charme — características que remetem diretamente à cultura francesa. Essa abordagem se alinhou perfeitamente com a trama: Marinette sonha em se tornar estilista, e o pai de Adrien trabalha no mundo da moda.
O design visual também apresentou escolhas de cores marcantes: para Ladybug, apesar do espaço limitado devido ao seu tema, a combinação de vermelho com bolinhas pretas foi mantida como um elemento moderno e icônico. Para Cat Noir, a estética foi inspirada no design dos anos 1930, transmitindo sofisticação, mesmo sendo um personagem que opera sob uma máscara.
Os Kwamis — as pequenas criaturas mágicas que concedem poderes aos heróis — foram inspirados nos mascotes das séries de garotas mágicas dos anos 1970, com um toque de animação japonesa.
No geral, a obra reúne referências de diversas origens: o treinamento de Bronn foi influenciado por filmes da Disney, quadrinhos franco-belgas e mangás, e esses elementos se fundiram em um estilo único e internacional. Cada tradição contribui de uma maneira distinta: dos mangás, por exemplo, foi mantida a transformação mágica dos personagens, uma característica que não existe nos quadrinhos ocidentais.
Para a ambientação, o objetivo era unir a imagem tradicional de Paris com a modernidade dos super-heróis, misturando a estética dos quadrinhos americanos com a atmosfera de Amélie Poulain. A paleta de cores prioriza tons suaves, pastéis e muito luminosos. A cidade foi representada de forma elegante e refinada, simultaneamente realista e com um toque de fantasia, com pontos turísticos reconhecíveis — um desafio técnico que exigiu investimento, mas que se tornou uma marca registrada da produção.
A inspiração para a personagem Ladybug veio de uma combinação de referências: "Amélie Poulain", "Homem-Aranha" e "Sailor Moon". Do ponto de vista artístico, a obra representa um equilíbrio entre os quadrinhos franco-belgas, os quadrinhos americanos e a animação japonesa — três estilos com linguagens muito distintas, que a equipe conseguiu unir harmoniosamente. O objetivo era criar uma produção que refletisse o romantismo e a beleza da França, apresentando super-heroínas atraentes para um público feminino, mas sem recorrer a estereótipos comuns de personagens femininas.
Produção, estreia e sucesso global Em 2010, o projeto foi oficialmente apresentado no evento MIPCOM em Cannes, França. A produção foi inicialmente liderada pelos estúdios franceses Univergroup Pictures e Onyx Films, em parceria com a Method Animation e a ZAGTOON. Na época, Aton Soumache, da Onyx Films e da Method Animation, afirmou que o objetivo era "criar uma super-heroína carismática com uma identidade europeia autêntica, ambientada principalmente em Paris". A proposta inicial previa uma série de animação 3D estereoscópica, mas durante o desenvolvimento, a equipe optou por adotar a animação gerada por computador (CGI) como formato definitivo.
180px|thumb|right|Pôster do falso anime Les Aventures de Ladybug et Chat Noir, produzido pela Zag, Method e Toei Animation. No verão de 2012, a ZAGTOON fez uma parceria com a Toei Animation, o estúdio de animação japonês pertencente à Toei Company, para coproduzir a série — então ainda provisoriamente intitulada Miraculous, anteriormente chamada Ladybug. A produção teve um orçamento de US$ 11,2 milhões e foi descrita como uma série de comédia e ação ambientada em Paris, acompanhando as aventuras de uma vigilante adolescente com superpoderes ao lado de um misterioso gato preto. Seu estilo visual, inspirado em mangá, apresentava cores vibrantes e lembrava produções aclamadas da Toei Animation, como Dragon Ball Z. A série também contou com a coprodução da Method Animation, de Aton Soumache. Na época, o canal francês TF1 já havia garantido os direitos de transmissão da primeira temporada, composta por 26 episódios de meia hora. Jeremy Zag resumiu o projeto com a frase: "Paris will finally have its superheroes" (em inglês).