O caso Fernanda Orfali foi a morte de Fernanda Orfali ( 1974 – São Paulo, 14 de setembro de 2002), morta aos 28 anos pelo seu marido, o empresário Sérgio Nahas, na residência do casal em Higienópolis, bairro de classe alta da cidade de São Paulo. O caso ganhou notoriedade pela prisão de Nahas em 2026, 24 anos após o crime, quase a idade da vítima quando foi morta, após sucessivos recursos nas três esferas judiciais considerados "protelatórios", tendo sido considerado foragido da justiça e com seu nome inscrito na lista de procurados da Interpol.

Nahas foi encontrado através de uma câmera de reconhecimento facial na Bahia. A família de Orfali manifesta indignação ao tempo que levou para a Justiça condená-lo, considerando seu alto poder aquisitivo um fator determinante para que os processos se alongassem no Judiciário.

Cronologia Segundo investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Orfali teria descoberto que Nahas faria uso de cocaína e se relacionaria com prostitutas travestis, e com isso decidiu se separar. Ainda segundo o MPSP, para evitar uma perda de bens com a separação e evitar ter a sua vida íntima exposta publicamente. Por outro lado, a tese da defesa foi de que a esposa teria cometido suicídio. A acusação acusou ainda que Fernanda tentou se trancar no closet para se proteger, mas Sérgio arrombou a porta e efetuou dois disparos, sendo o primeiro fatal. Quanto às alegações da defesa, a perícia não encontrou vestígios de pólvora na mão da vítima, o que descartou a hipótese. Nahas chegou a ser preso por porte ilegal de pistola, sendo solto após 37 dias.

Em 2018, após sucessivos recursos da defesa nos anos anteriores, inclusive junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), Nahas foi condenado em primeira instância pelo Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), sendo considerado culpado por homicídio simples, sem qualificadores, sendo condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto, com sentença proferida em 22 de novembro daquele ano.

Tanto a acusação, que buscava uma pena maior e o qualificador de homicídio por motivo torpe, quanto a defesa, que buscava anulação ou diminuição da pena, recorreram, e o caso se arrastou pelas instâncias superiores. Em 2021, a pena foi aumentada para oito anos e dois meses em regime fechado. Finalmente, em maio de 2025, o STF condenou Nahas definitivamente, em decisão unânime, confirmando o tempo de reclusão em oito anos e dois meses em regime inicial fechado. Sua defesa tentou atrasar o trânsito em julgado através agravo regimental no mesmo mês e de embargos declaratórios no mês seguinte, sem sucesso.

miniaturadaimagem|Foto de fichamento policial de Sérgio Nahas fornecida pela Polícia Civil da Bahia Assim, em junho de 2025 a Justiça de São Paulo emitiu um mandado de prisão para Sérgio Nahas. Ele não foi encontrado, sendo considerado foragido. Seu nome foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

Em 17 de janeiro de 2026, Nahas foi encontrado por uma câmera equipada com sistema de reconhecimento facial na Praia do Forte, em Mata de São João, litoral norte da Bahia, mesmo destino turístico onde o casal passou a lua de mel antes do crime. A Polícia Militar da Bahia informou que apreendeu com ele 13 pinos de cocaína, três celulares e um carro da marca Audi. Nahas foi transferido para cumprir pena no estado de São Paulo e irá cumprir pena no presídio de Tremembé.

Em nota ao Fantástico, a defesa afirmou que Sérgio Nahas já morava há alguns anos na Bahia, inclusive antes da expedição do mandado de prisão. Disse ainda que há pedidos em andamento em cortes superiores e que ele é uma pessoa idosa, com graves problemas de saúde.

Ligações externas Processo 0003794-05.2002.8.26.0052 no TJSP

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