A Fazenda Bom Retiro é uma antiga fazenda de Café do século XIX, que fica no município de Bananal, estado de São Paulo. A sede histórica, construída em estilo neoclássico em 1840, possui 1.000 m² e 19 cômodos. É a única da região que possui passagem para carruagens, de modo que os passageiros desembarquem em local abrigado.

Economia do café O ciclo do café foi um período da história econômica do Brasil, iniciado em meados do século XIX e findado em 1930, no qual o café foi o principal produto da economia brasileira. A produção de café se desenvolveu rapidamente ao longo do século XIX, de modo que na década de 1850 já era responsável por quase metade das exportações brasileiras. A região centro-sul foi escolhida para o plantio por oferecer as condições climáticas mais apropriadas e por ter solo mais adequado, conforme as necessidades do cafeeiro. A primeira grande região cultivada foi o Vale do Rio Paraíba (entre São Paulo e Rio de Janeiro).

Tendo começado a ser cultivado em 1825, o vale reunia, em meados do século XIX a "maior parcela da riqueza brasileira". As plantações seguiam o padrão das grandes plantations estadunidenses — vastas propriedades monoculturais que usavam trabalho escravo. Subindo o Rio Paraíba, os cafezais atingiam São Paulo e a região fronteiriça de Minas Gerais.Edriano Abreu, Isabel Cristina Leite, Regiani Moutone Viviane Silva Gonzaga (2021). «Bernoulli 2a Série Ciências Humanas e Linguagem - Volume 1». Belo Horizonte: Editora DRP Ltda.

Em 1887, Bananal era o segundo maior município escravista, com 4.182 habitantes. Sendo menor apenas que Campinas, que possuía 9.986 habitantes. Ocupava também a segunda posição em termos de valor dos escravizados que ali viviam: 2.604 contos de réis (em Campinas eram 6.851 contos de réis). Podendo Bananal ser considerado como um dos municípios "da maior importância cafeeira".TAUNAY, Affonso de E. História do café no Brasil. v. 6. tomo 4. Rio de Janeiro: Departamento Nacional do Café, 1939.

No período de acelerado crescimento da cultura cafeeira na região do Vale do Paraíba, mais especificamente entre 1836 e 1837, a então vila de Bananal produziu 64.822 arrobas de café (quase 1 tonelada); 11% do total da produção da Província de São Paulo. Em Bananal, estavam estabelecidas 82 fazendas com 8 engenhos de açúcar e 12 destilarias de aguardente. Cada uma delas teve seu local de implantação cuidadosamente analisado:Marcos José Carrilho. As Fazendas de Café no Caminho Novo da Piedade. Dissertação (Mestrado) Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.A escolha do sítio; a forma do assentamento; o condidonamento à presença da água para o aproveitamento da energia hidráulica; a adequação das edificações destinadas ao beneficiamento, armazenamento, habitação e atividades subsidiárias [...].

História Antônio Barbosa da Silva mudou-se de Sabará, Minas Gerais, para Bananal no ano de 1813. Casou-se com a filha do capitão Hilário Gomes Nogueira (proprietário da Fazenda das Três Barras), Placidina Carolina Nogueira. Provavelmente, recebeu de dote de casamento as terras onde estabeleceu sua lavoura de café.Leila Vilela Alegrio. A fazenda Bom Retiro na rota da riqueza do café? Revista do Café. p. 48-49.

As primeiras moradias eram precárias, pois o dinheiro era usado na tarefa árdua e custosa de implantar a plantação de café. A casa de moradia era construída apenas após algumas colheitas.

Antônio passou a vida em meio a dívidas. "Em 1849, Antônio hipoteca a propriedade ao senhor Manoel José de Bessa. Nessa época, a fazenda possuía 240 escravos". Em 1852, a Fazenda Bom Retiro fazia parte de um complexo de fazendas, em conjunto com as fazendas Coqueiros e Campinhos, onde, ao todo, trabalhavam 340 pessoas escravizadas e havia mais de 730 mil pés de café produtivos.Sterman, Gabriel González. As finanças da cafeicultura escravista brasileira na era do tráfico ilegal, 1831 – 1850. São Paulo, 2025.

Em 1859, foi a vez do filho de Antônio hipotecar a fazenda e outras propriedades para João Henrique Ulrich e Cia. À época, a fazenda tinha então 200 mil pés de café, senzalas, tulhas, paióis, engenhos, alambique e lavadores de café. Pouco mais de 20 anos depois, em 1875, o inventário do Comendador Antônio Barbosa da Silva contabilizava 79 alqueires de terra e apenas 30.100 pés de café, que eram trabalhados por 58 escravos, incluindo Jeronimo Mulato, de 31 anos, no valor de 3.000$000. Sua riqueza foi dividida entre 2 filhos e 5 netos (por conta do falecimento de seu terceiro filho). Brás Barbosa da Silva, filho de Antônio filho, passou a administrar a propriedade, mas ela foi executada.Moura, Carlos Eugênio Marcondes de. (Org.) Fazendas de café do Vale do Paraíba: o que os inventários revelam, 1817-1915. São Paulo: Condephaat, 2014.

Em 2025, estava à venda pelo valor de R$7.000.000.

Arquitetura A sede histórica assobradada se destaca por sua monumentalidadeJoana Mello de Carvalho e Silva; Flávia Brito do Nascimento. A EXPERIÊNCIA DE INVENTÁRIO DE CONHECIMENTO DO PATRIMÔNIO RURAL NO VALE DO PARAÍBA-SP. e é a única instalação primitiva da fazenda que ainda está em pé. Foi construída em estilo neoclássico em 1840, com 19 cômodos e um total de 1.000 m². As residências rurais do período eram construídas com influência arquitetônica dos engenhos de açúcar, das casas urbanas e das construções europeias. Buscava refletir o máximo de opulência possível. A fachada principal desta sede é marcada pelo uso abundante de ornamentações (entablamento e cimalhas de madeira no beiral, molduras e pestanas das aberturas, pilastras dóricas nos grossos cunhais, fuste frisado, base e capitel - feitos com argamassa engrossada com cacos de telha), pela simetria de sua composição, incluindo o ritmo uniforme das aberturas.

Aberturas que também são bastante ornamentadas. As janelas de vergas retas têm folhas envidraçadas e escuros almofadados. A grande porta central de folhas almofadadas é a passagem para carruagens. A Fazenda Bom Retiro é a única da região que possui essa funcionalidade, que permite que os passageiros desembarquem em local abrigado. No pavimento superior, estão dez portas-balcão, com sacadas estreita ornamentadas com gradis de ferro forjado. Cada uma dessas portas possui bandeira envidraçada com pinázios em segmentos de arcos contrários, entrelaçados. As folhas externas têm a metade superior envidraçada e a inferior almofadada. As folhas internas são inteiramente almofadadas. Nas laterais, surgem janelas de vergas retas, com guilhotinas, com desenho semelhante às bandeiras das portas-balcão. Os espaços internos da edificação eram divididos em três zonas, segundo o nível de acesso para pessoas externas: social (de acesso mais amplo); íntima (acesso limitado); e de serviços. No pavimento superior do corpo principal do casarão, ficam localizados o vestíbulo, uma sala de visitas e a sala de dentro, além de uma capela, e os dormitórios (não havia alcovas nessa edificação). O espaço de recepção e área de convívio muito mais espaçosa do que o que era visto nas residências de séculos anteriores, em formato do que ficou conhecido como casa paulista e casa brasileira. Nessas salas, aconteciam saraus, tertúlias recitatórias e as demais atividades de sociabilidade.CARRILHO, Marcos Jose. As Fazendas de Café do Caminho Novo da Piedade. São Paulo: FAU-USP, 1994.

Ao redor do pátio interno, no pavimento térreo, os cômodos se dividiam da seguinte forma: à direita, no corpo secundário, em geral com um pavimento, a cozinha e a despensa; à esquerda, salas para receber mercadores / tropeiros, viajantes e pessoas de fora da casa. Uma escada levava ao segundo piso da edificação, que era reservado apenas à família do fazendeiro. Além disso, as senzalas dos escravos "de dentro".

Em relação às técnicas construtivas, o embasamento e o térreo foram construídos em taipa de pilão, e o piso superior tem estrutura de madeira, com gaiola (esteios, baldrames e frechais) preenchida em adobe disposto em formato de espinha de peixe.

Ao redor do casarão histórico, encontram-se um jardim com árvores centenárias (em frente à fachada principal do casarão) e um pomar. Atrás do casarão, fica o antigo terreiro que era o centro do conjunto de edificações de produção: senzalas, engenhos etc.A configuração espacial em quadros, tendo o casarão em posição de destaque, permitia uma fácil verificação das atividades no conjunto das edificações, [...] ampliada quando as atividades aconteciam em pátios fechados à frente do casarão. Assim, estavam em jogo, [...] tanto o controle da mão-de-obra escrava, subjugada pela possibilidade de castigos corporais e por uma legislação extremamente favorável ao fazendeiro, como o próprio controle do trabalho ali desenvolvido.Um amplo jardim localiza-se entre o casarão e o antigo terreiro, que ajudava a "abafar" a brancura do terreiro:

Outras edificações No terreno de 18 alqueires geométricos, estão localizadas duas represas e três nascentes. Além disso, uma casa de apoio com 5 quartos, um varandão com churrasqueira, duas casas de colonos, e três baias para cavalos.

Ver também

Fazenda Boa Vista Fazenda dos Coqueiros Fazenda Independência Fazenda Loanda Fazenda Resgate Fazenda Rialto Fazenda Vargem Grande Fazenda Ponte Alta Fazenda Pau d'Alho Fazenda Pasto Grande Fazenda Boa Vista (Cruzeiro)

Bom Retiro