O antigo Paço Episcopal de Leiria é um edifício oitocentista situado em Leiria, Portugal. Localiza-se no Largo 5 de Outubro, vulgarmente conhecido como Rossio, defronte do edifício do Banco de Portugal.

História A ocupação do local remonta, pelo menos, à Idade Média, facto corroborado pela descoberta, no ano de 2002, de vestígios de um moinho medieval nas fundações da antiga casa diocesana. O edifício actual foi erigido durante o século XIX, mantendo o seu carácter de arquitectura civil até ao início do século XX.

Em 1918, na sequência da restauração do bispado, o imóvel assumiu a função de paço episcopal. Esta utilização religiosa perdurou até aos finais da década de 1970, momento em que a residência do Bispo foi transferida para as imediações do seminário. Após a desocupação eclesiástica, o antigo paço passou a ter uma utilização comercial, tendo as suas traseiras albergado as instalações da Gráfica de Leiria.

Já no século XXI, o imóvel foi alvo de uma profunda intervenção de requalificação e adaptação, segundo o projecto do arquitecto Carrilho da Graça. As obras visaram transformar o espaço para acolher salas de espectáculo, estabelecimentos comerciais e apartamentos. Funciona hoje em parte desse edifício a Loja do Cidadão. Descrição A edificação apresenta uma planimetria rectangular e uma volumetria paralelepipédica, desenvolvendo-se em dois andares distintos. A sua frontaria principal, voltada para o espaço público, exibe uma composição rigorosamente simétrica, marcada por um revestimento integral de azulejaria com motivos geométricos em tom salmão. O desenho da fachada é ritmado por elementos estruturais e decorativos em cantaria de pedra à vista, nomeadamente nos cunhais, cornijas, molduras dos vãos e no soco que percorre a base do imóvel.

A fenestração organiza-se através de sete eixos verticais. No piso térreo, observam-se aberturas de verga recta e formato rectangular, sendo o eixo central nobremente destacado por um portal em arco contracurvado. O registo superior mantém o alinhamento do piso inferior, apresentando janelas de sacada. A zona central da fachada distingue-se pela projecção de um corpo saliente que engloba os três vãos intermédios, os quais são servidos por uma varanda corrida protegida por guarda em ferro forjado; por contraste, os vãos laterais possuem sacadas individuais.

O remate superior do alçado é definido por uma platibanda em balaustrada de pedra, ritmada pela intercalação de urnas decorativas. O coroamento do edifício é enfatizado nos cunhais laterais pela presença de estatuária, enquanto o corpo central é suplantado por um frontão triangular. O tímpano deste frontão é vazado por uma única abertura, sendo o acrotério rematado por uma estátua.ALMEIDA, Álvaro Duarte de; BELO, Duarte (2007). Portugal Património: Guia-Inventário. III. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 352