Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba foi uma companhia monopolista de comércio criada em 1759, no contexto das reformas pombalinas, com o objetivo de dinamizar a economia das capitanias de Pernambuco e Paraíba e reforçar o controlo da Coroa portuguesa sobre o comércio colonial.

Dotada de privilégios fiscais e comerciais, a companhia integrou o programa mercantilista do governo de Sebastião José de Carvalho e Melo, visando combater o contrabando, garantir o abastecimento de mão de obra escravizada e aumentar a arrecadação régia através da reorganização das redes comerciais atlânticas. A sua atuação contribuiu para a reconfiguração das elites coloniais e para a integração económica do nordeste açucareiro no sistema imperial português.

Contexto A criação da companhia insere-se no programa de reorganização económica do império português após a ascensão de José I de Portugal ao trono e a consolidação do poder ministerial de Pombal. A economia de Pernambuco, baseada na produção açucareira, enfrentava dificuldades decorrentes da concorrência antilhana, da escassez de crédito e da irregularidade no fornecimento de escravizados africanos.

Nesse quadro, a Coroa procurou reorganizar o comércio colonial por meio de companhias privilegiadas, capazes de articular produção, financiamento e transporte marítimo sob controlo metropolitano.

Criação e estrutura Fundada por alvará régio em 1759, a companhia foi constituída como sociedade por ações, reunindo capitais de negociantes metropolitanos, funcionários régios e proprietários coloniais.

Recebeu o exclusivo do comércio entre as capitanias de Pernambuco e Paraíba e o reino, incluindo: exportação de açúcar, algodão e couros; importação de escravizados africanos; e fornecimento de manufaturas europeias.

Em troca, comprometia-se a: manter linhas regulares de navegação; conceder crédito aos produtores; e estabilizar os preços dos produtos coloniais.

Funcionamento A atuação da companhia baseou-se na integração entre tráfico atlântico, produção agrícola e financiamento mercantil. O fornecimento regular de escravizados africanos foi um dos seus principais instrumentos de dinamização da economia açucareira.

Ao mesmo tempo, o monopólio comercial permitiu: reduzir a ação de comerciantes estrangeiros; controlar os fluxos de exportação; e ampliar a arrecadação fiscal.

A companhia funcionou também como mecanismo de articulação entre a burocracia régia e os grupos mercantis, favorecendo a formação de uma elite económica dependente do Estado.

Impactos nas capitanias A criação da companhia contribuiu para a recuperação da produção açucareira e para a expansão da cultura do algodão na segunda metade do século XVIII.

Por outro lado, o regime monopolista gerou tensões com: senhores de engenho; comerciantes locais; e setores excluídos do sistema de privilégios.

Esses conflitos refletiam a transformação das relações económicas coloniais e a crescente intervenção da Coroa na vida produtiva das capitanias.

Extinção A companhia foi extinta em 1780, no contexto das mudanças políticas associadas à viradeira e à revisão do sistema de companhias monopolistas.

Apesar da sua curta duração, deixou como legado: a integração do nordeste açucareiro no comércio atlântico sob controlo português; o reforço da fiscalidade régia; e a reconfiguração das elites mercantis coloniais.

Historiografia A historiografia tem interpretado a companhia como parte do projeto mercantilista pombalino de centralização económica e de construção de um império territorialmente integrado.

Enquanto alguns autores destacam o seu papel na recuperação da economia açucareira, outros sublinham o carácter monopolista e os conflitos gerados com os interesses locais.

Ver também Reformas pombalinas Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão Capitania de Pernambuco Capitania da Paraíba Sebastião José de Carvalho e Melo

Bibliografia

Categoria:Colonização do Brasil Categoria:Comércio externo de Portugal Geral de Comercio de Pernambuco e Paraiba Categoria:Economia do Brasil Colônia Categoria:Empresas extintas de Portugal Categoria:Empresas extintas em 1780 Categoria:Empresas fundadas em 1759 Categoria:Escravidão na África Categoria:Escravidão no Brasil Categoria:História da Paraíba Categoria:História de Pernambuco Categoria:Tráfico atlântico de pessoas escravizadas