Maria Carmela Lico (Itália, 1927 – 1985) foi uma fisiologista, pesquisadora e professora universitária ítalo-brasileira.

Lico dedicou a maior parte de sua vida científica à fisiologia, investigando os mecanismos neurais da dor no Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no Brasil. Lico produziu contribuições importantes sobre o controle descendente da nocicepção por estruturas límbicas, especialmente pelos núcleos septais.

Biografia Lico nasceu na Itália, em 1927, mas ainda criança mudou-se com a família para a Argentina. Durante a infância, quando ainda vivia na Itália, contraiu uma doença infecciosa que mais tarde “fragilizaria seu sistema imunológico” e afetaria sua capacidade de suportar os efeitos da quimioterapia, fator que contribuiu para sua morte em 1985.

Na Argentina, estudou simultaneamente medicina e filosofia na Universidade de Buenos Aires, embora não tenha concluído o curso de filosofia. Fascinada pelo funcionamento da mente, chegou a considerar seguir a psiquiatria durante a graduação em medicina, mas abandonou essa ideia após dois anos de prática clínica.

Lico foi orientada pelo laureado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina, Bernardo Houssay, no Instituto de Biología y Medicina Experimental e defendeu tese de doutorado sobre a ação dos hormônios neuro-hipofisários na pressão arterial de rãs. Embora a endocrinologia fosse a área que rendeu a Houssay o Prêmio Nobel, Lico se interessava mais pela neurofisiologia, campo que, no Instituto, estava sob a liderança de Miguel Rolando Covian. Como Covian havia se transferido recentemente para a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Lico decidiu mudar-se para o Brasil e, em 1960, ingressou na Universidade de São Paulo ao lado de Covian, com o apoio de uma bolsa da Fundação Rockefeller.

Em 1963, foi convidada por Covian para integrar o corpo docente como assistente de ensino. Em 1970, realizou uma breve temporada na Universidade Yale, no laboratório do professor José Manuel Rodriguez Delgado, onde estudou o comportamento de primatas, aplicando técnicas de telemetria para investigar as relações entre fisiologia e comportamento. Em 1981, candidatou-se ao cargo de professora titular em Ribeirão Preto, posição que ocupou até falecer, vítima de câncer, aos 58 anos, em 1985.

Temas de pesquisa Lico interessou-se pela neurociência comportamental desde a graduação. Embora seu doutorado, sob orientação de Houssay, tenha se concentrado principalmente em neuroendocrinologia e controle cardíaco, seu primeiro artigo tratou de um método de canulação permanente da aorta em sapos, logo passou a atuar na área de neurofisiologia ao lado de Miguel Rolando Covian.

Como muitos pesquisadores formados sob a orientação de Covian, Lico cultivava interesses científicos bastante variados. Diz-se que sua biblioteca pessoal, composta sobretudo por obras de ficção e livros de arte, refletia essa amplitude intelectual. Em colaboração com José Venâncio Pereira Leite e Ricardo Francisco Marseillan, dedicou grande parte de seu tempo à confecção manual de eletrodos, cânulas e outros equipamentos necessários para a implementação de novas técnicas experimentais.

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