O Caso do Valongo tratou-se do avistamento de um objeto voador não identificado ocorrido em 13 de julho de 1959 no Observatório do Valongo, no Rio de Janeiro. O óvni foi observado por astrônomos e outras testemunhas no Morro da Conceição, recebendo ampla cobertura da imprensa brasileira da época.Astrônomos viram disco voador no Observatório, Diário de Notícias. Rio de Janeiro: 30º ano, nº 11.245, 14 jul. 1959, terça-feira, p. 1.
Contexto Na noite de 13 de julho de 1959, astrônomos perscrutavam o céu no Observatório do Valongo, instituição ligada à então Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). A equipe aguardava a ocultação de uma estrela pela Lua quando ocorreu o avistamento.
Entre os presentes estavam os astrônomos Luiz Eduardo da Silva Machado (1927–1992), Mário Ferreira Dias (1920–1987) e Sílio Vaz (1924–1989), capitão da Escola Técnica do Exército. Também se encontrava no local o engenheiro e professor Hugo Régis dos Reis (1914–1990), catedrático de Astronomia e Geodésia da Escola Nacional de Engenharia, que deixou o observatório pouco antes do início do fenômeno.Objeto luminoso não era balão nem corpo celeste, Correio da Manhã. Rio de Janeiro: 59º ano, nº 20.337, quarta-feira, 15 jul. 1959, p. 1.
Avistamento Por volta das 22h, Sílio Vaz visualizou um objeto luminoso no céu nas proximidades da constelação do Grou, valendo-se de uma luneta do observatório.
Segundo as testemunhas relataram aos jornais, o objeto apresentava forma discoidal, com uma saliência central e um conjunto de luzes verdes que, segundo os observadores, formariam opticamente uma Cruz de Malta. Em determinados momentos, o objeto haveria emitido jatos de luz alaranjada.
Os astrônomos afirmaram que o objeto se deslocava sem rotação aparente, descrevendo uma trajetória em arco e passando próximo às constelações do Índio, do Cruzeiro do Sul e de Argo Navis. Desapareceu por volta das 22h30.
Além dos astrônomos, o objeto foi observado por outras pessoas presentes nas proximidades do observatório, incluindo funcionários da instituição e policiais militares que estavam de serviço no morro.Astrônomos farão à FAB relato sobre o disco, Diário de Notícias. Rio de Janeiro: 30º ano, nº 11.246, quarta-feira, 15 jul. 1959, p. 1.
Repercussão Logo após o avistamento, Silva Machado telefonou para o Jornal do Brasil relatando o episódio. No dia seguinte, as testemunhas concederam entrevistas a diversos jornais do Rio de Janeiro.
Croquis representando o objeto foram mostrados aos repórteres, indicando um disco com luzes organizadas em forma de cruz. O caso recebeu grande destaque na imprensa, incluindo reportagens e fotografias publicadas em periódicos como O Globo, Jornal do Brasil e Última Hora.
Explicações propostas Diversos especialistas contestaram a hipótese de que o objeto fosse um veículo desconhecido. O físico Pedro Lacerda, então presidente do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, afirmou que seria improvável acompanhar um objeto em movimento por tanto tempo através de um telescópio de campo visual restrito.
Outras explicações sugeridas incluíram a possibilidade de um balão meteorológico ou outro tipo de balão iluminado. O engenheiro 'Emílio Teslink, membro da Sociedade Interplanetária do Rio de Janeiro, declarou ter observado na mesma noite um grande balão com luzes verdes.
Os astrônomos envolvidos no avistamento rejeitaram essa hipótese, alegando que o deslocamento do objeto ocorria em direção contrária ao vento predominante.Afinal, era disco ou balão? O Globo. Rio de Janeiro: 35º ano, nº 10.182, quarta-feira, 15 jul. 1959, p. 6.
Controvérsias O episódio também gerou divergências entre os próprios astrônomos ligados ao observatório. O professor Hugo Régis dos Reis criticou a divulgação do caso à imprensa, sugerindo que o objeto poderia ser um balão comemorativo relacionado a uma partida de futebol entre Vasco da Gama e Flamengo.Astrônomos discutiram por causa do disco, que um tachou de balão vascaíno, Jornal do Brasil. Rio de Janeiro: 59º ano, nº 163, quarta-feira, 15 jul. 1959, p. 9.
Investigações posteriores O caso foi posteriormente analisado pelo Projeto Livro Azul, programa da Força Aérea dos Estados Unidos destinado ao estudo de relatos de objetos voadores não identificados. Segundo informações divulgadas posteriormente, os dados disponíveis foram considerados insuficientes para uma conclusão.https://www.fold3.com/image/8407372/brazil-blank-page-1-us-project-blue-book-ufo-investigations-1947-1969.
Em 2004, o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão classificou o episódio como um provável engano na autobiografia O que é ser astrônomo.MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. O que é ser astrônomo. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 113-144.
Documentação Na época do episódio, os astrônomos declararam que preparariam um relatório a ser enviado ao Ministério da Aeronáutica. A existência desse documento, entretanto, nunca foi confirmada.
Em 22 de maio de 2015, o pesquisador Édison Boaventura Júnior solicitou ao Observatório do Valongo acesso a possíveis registros sobre o caso com base na Lei de Acesso à Informação. A direção do observatório informou desconhecer a existência de documentos relacionados ao episódio em seus arquivos. Pedido de informação nº 23480.008228/2015-82, da Controladoria Geral da União.
Legado O Caso do Valongo permaneceu relativamente pouco estudado durante décadas, sendo posteriormente retomado por pesquisadores interessados na história da ufologia no Brasil. A ausência de documentação oficial detalhada e a morte dos principais observadores contribuíram para que o episódio permanecesse sem explicação definitiva.VISONI, Rodrigo Moura. Astrônomos observam um óvni em Valongo, Ovni Pesquisa. Contagem: nº 15, dez. 2022, p. 8-11.
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