A Fábrica de Aviões do Galeão, oficialmente Oficina Geral de Aviação Naval (OGAvN), operou de 1938 a 1965 na Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Criada pela Marinha do Brasil para produzir aviões para a sua Aviação Naval, foi o pilar inicial e pioneiro na criação da indústria aeronáutica brasileira. A princípio, produziu sob licença os aviões da Focke-Wulf Flugzeugbau AG (Fw 44 e Fw 58) por um contrato do governo Vargas com o governo alemão. A Força Aérea Brasileira (FAB) absorveu a fábrica e a Aviação Naval da Marinha quando foi criada em 1941.

Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados, a produção dos aviões alemães foi interrompida e a mesma estrutura passou a produzir os aviões da empresa norte-americana Fairchild. Ao longo da sua história, a fábrica do Galeão foi responsável pela fabricação de 397 aviões, dentre monomotores e bimotores. Ela formou uma mão de obra técnica especializada e pioneira, fundamental para o futuro da indústria aeronáutica brasileira, sendo um dos precursores da Embraer.

Histórico miniaturadaimagem|A primeira parte do contrato com a Focke Wulf é entregue: 40 aviões FW-44|esquerdaNo governo Vargas o setor aeronáutico foi selecionado como um dos prioritários dentro da política de industrialização, dada a sua importância na estrutura de defesa da nação, bem como instrumento de integração nacional. Assim, no ano de 1932, foi formada a Comissão de Estudos para Instalação de uma Fábrica de Aviões (CEIFA).

Atendendo ao interesse dessa comissão, o Ministério da Marinha decidiu enviar para os EUA um grupo de oficiais chefiado pelo capitão de fragata Raymundo Vasconcelos Aboim, Diretor de Material da Aviação Naval, para negociar com os norte-americanos a instalação de uma grande oficina no Brasil, capaz de reparar e fabricar aviões. Mas a viagem foi uma decepção. Em 1935 a indústria aeronáutica no EUA era muito pouco desenvolvida, bem distante da qualidade da indústria aeronáutica europeia.

Naquela época os alemães faziam grandes esforços para entrar no mercado latinoamericano e diversas empresas germânicas estavam envolvidas em importantes projetos brasileiros. Sabendo do plano do Ministério da Marinha, empresários da indústria aeronáutica alemã convidaram Raymundo Vasconcellos Aboim para visitar a Alemanha e conhecer a sua indústria.esquerda|miniaturadaimagem|A segunda parte do contrato, o bimotor Fw 58 é entregue com a presença do presidente Getúlio Vargas miniaturadaimagem|Um Focke Wulf Fw 58 em montagemO oficial ficou profundamente impressionado com a Focke-Wulf e retornou com os termos de um acordo, que a Marinha finalizou, em que cabia aos brasileiros construir os prédios e instalações da fábrica, cabendo aos alemães enviar técnicos instrutores, gabaritos, peças e maquinários.

Pelo contrato seriam construídos três tipos diferentes de aviões. O avião de treinamento Focke Wulf Fw 44, o bombardeiro bimotor Focke Wulf Fw 58 e o quadrimotor comercial, o Fw 200 Condor. Todo esse plano seria executado por etapas, começando pelos mais simples e passando gradualmente aos maiores, na medida que os operários brasileiros ganhassem a necessária experiência.

Em 1936, foi lançada a pedra fundamental das Oficinas Gerais de Aviação Naval (OGAvN), conhecida como Fábrica de Aviões do Galeão, na Ilha do Governador, tendo como seu diretor o comandante Aboim.

“A Fábrica do Galeão, como ficou conhecida, compreendia uma área construída de 19.000m², sendo inaugurada, sob a direção técnica do engenheiro alemão Wilhelm H. F. Stein, que muito contribuiu para a formação de mão de obra especializada no Brasil.”

O grande interesse do presidente Getúlio Vargas no contrato com o governo alemão era a transferência de tecnologia e formação de mão de obra especializada para a criação de uma futura indústria aeronáutica brasileira, como demonstra a reportagem do “Diário Carioca”, de 12/6/1939 sobre a visita do presidente Getúlio Vargas a Fábrica do Galeão e sua conversa com o engenheiro da Focke Wulf , Wilhelm Stein, diretor de fabricação da Fábrica do Galeão. esquerda|miniaturadaimagem|O FW-58 tem seu trem de pouso verificado para seu primeiro vôo Faltava de tudo no Brasil daquela época. Não havia torneiros mecânicos, existiam poucos carpinteiros com habilidade e praticamente nenhum soldador de peças de alumínio. Transformar esse pessoal em técnicos especializados foi tarefa do grupo de profissionais chefiados pelo engenheiro Stein. Em 1937, Stein, como integrante da equipe de fabricação da Focke-Wulf, foi enviado para chefiar a fabricação dos aviões da empresa no Brasil. Ele teve uma importante contribuição na criação de uma indústria aeronáutica no Brasil participando depois como diretor de fabricação dos North American T-6 Texan em Lagoa Santa, Minas Gerais, sendo responsável pela vinda do professor Focke, o fundador da Focke Wulf, para o IPD do Centro Técnico de Aeronáutica e participante da fabricação do protótipo do Bandeirante e do grupo de fundadores da Embraer.miniaturadaimagem|Linha de montagem do Fairchild PT-19, na Fabrica do GaleãoCom a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha, em 22 de agosto de 1942, o contrato com a Focke-Wulf foi interrompido e a fabricação dos aviões foi descontinuada, sem realizar o passo seguinte, que seria a fabricação do quadrimotor Fw 200 Condor, considerado o mais avançado e confortável avião de transporte de passageiros do mundo, e o único, em sua época, capaz de atravessar o Atlântico Norte sem escalas. Mas formou-se uma mão de obra especializada, que depois participou ativamente da montagem de 232 aviões Fairchild PT-19. Para não parar as atividades da fábrica, um fabricante americano foi escolhido, a Fairchild Engine Corporation, que contou com Wilhelm Stein como diretor de fabricação. Este não retornou à Alemanha e resolveu ficar com a família no Brasil.

Depois de algumas tentativas com desenvolvimento de projetos de protótipos sem relevância como o de um helicóptero por Paul Baumgärtl e o Niess 1-8, de Marc Willian Niess, projetos que se mostraram inviáveis, em 1950 a fábrica de aviões do Galeão foi arrendada para a fabricante holandesa Fokker, que produziu sob licença cem unidades do avião de treinamento Fokker S11. Após dificuldades financeiras e políticas, a fabricante holandesa encerrou sua produção em 1965.

Hoje, a área no Galeão é predominantemente conhecida pela presença da Base Aérea do Galeão (BAGL) da Força Aérea Brasileira, que atua no suporte e manutenção de aeronaves de defesa e transporte, e o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (GIG).

Categoria:Aviação Naval Brasileira Categoria:História da Marinha do Brasil Categoria:Galeão (bairro) Categoria:Fundações no Brasil em 1938 Categoria:Fabricantes de aviões extintas do Brasil