Andrea Marins Dias (28 de janeiro de 1965 – Rio de Janeiro, 15 de março de 2026) foi uma médica morta durante uma perseguição da Polícia Militar no bairro de Cascadura, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Biografia
Andrea era ginecologista e cirurgiã, especializada no tratamento de endometriose, com uma carreira de 27 anos cuidando da saúde das mulheres, tendo trabalhado no Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Hospital Municipal Cardoso Fontes e na Unimed em Nova Iguaçu.
Morte
Segundo a Polícia, policiais militares do 9.º BPM (Rocha Miranda) fazia um patrulhamento de rotina quando foi informada por um pedestre que ocupantes de um Corolla Cross estariam fazendo roubos na região. De acordo com a versão dos agentes, no cruzamento das ruas Araruna e Cupertino viram o veículo, um Jeep Commander e uma motocicleta, deram ordem de parada e que os ocupantes do veículo atiraram contra os policiais, iniciando-se então uma troca de tiros. Ao verificarem o carro, encontraram Andrea caída no banco do motorista, já morta.
A Secretaria de Estado da Polícia Militar informou inicialmente que os agentes utilizam câmeras corporais, mas nos dias seguintes veio à tona a informação de que as mesmas estavam com a bateria descarregada. Uma testemunha relatou ao jornal O Globo: "Foram mais de dez de disparos. Antes, deu para ouvir a polícia dizendo: 'Não vai sair? Vai tomar! Vai morrer aí dentro!'" Outra testemunha, moradora de um prédio próximo ao local do crime, gravou um vídeo da janela do apartamento, aonde é possível ouvir um dos policiais gritar: "Desce, irmão! Vai morrer! Vai morrer, irmão, desce!"
Investigação realizada pela Polícia Civil mostra que os policiais confundiram a cor do automóvel perseguido. Imagens de câmeras de segurança mostram que o carro supostamente roubado pelos bandidos era cinza, enquanto o carro de Andrea era branco. A autópsia revelou que os disparos atingiram sua coluna vertebral, pulmões, fígado e coração.
Repercussão
O Ministério da Saúde divulgou uma nota de pesar lamentando a morte da médica. O gesto foi acompanhado por diversas instituições, como o INCA, o Conselho Regional de Medicina e associações de classe.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também repudiou a morte da médica. "Até quando a ausência de políticas eficazes de segurança pública continuará produzindo cenas como essa? Até quando vamos perder pessoas negras para a violência?" Em um outro post no Twitter, cita que a Polícia Militar do Rio não respondeu ao ministério um ofício questionando sobre as imagens das câmeras corporais.
O cartunista Nando Motta publicou uma charge aonde um policial coloca uma foto de Andrea num arquivo, com o texto "Vou colocar aqui nos 'casos isolados'." O arquivo conta com objetos ensanguentados, como uma camisa de escola municipal, uma furadeira, uma fantasia de Mulher Maravilha, um automóvel cravejado de tiros, uma bola de futebol, um guarda-chuva, e uma mochila, que fazem referência a casos similares como as mortes de Marcus Vinícius, Givanildo Ferreira, Ágatha Vitória, a Chacina de Costa Barros, dentre outros.
Ligações externas
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