Joaquim Paiva, nome artístico de Joaquim Arnaldo de Paiva Oliveira (Mimoso do Sul, Espírito Santo, 23 de março de 1946), é um fotógrafo, diplomata e colecionador de arte brasileiro. Considerado um dos principais nomes da fotografia contemporânea do Brasil, destacou-se tanto por sua produção autoral — com ênfase em fotografia de rua, ensaios autobiográficos e documentação urbana — quanto por sua vasta coleção privada de fotografias, uma das maiores do país, parcialmente cedida em comodato ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio).

Vida inicial e formação

Cursou os primeiros anos de Direito na Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ), no Rio de Janeiro, e formou-se bacharel em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) em 1970. Em 1969, frequentou cursos de língua e literatura francesa na Universidade de Nancy, na França. Entre 1968 e 1969, concluiu o Curso de Preparação à Carreira de Diplomata no Instituto Rio Branco, no Rio de Janeiro.

Carreira diplomática

Ingressou no Itamaraty em 1970. Ao longo das décadas seguintes, serviu em postos diplomáticos no Brasil e no exterior: Ottawa (Canadá, 1974–1976), Caracas (Venezuela, 1976–1981), Brasília (1981–1989), Lisboa (Portugal, 1989–1991), Buenos Aires (Argentina, 1997–1998), além de Lima (Peru), Madri (Espanha) e San Francisco (Estados Unidos). Radicou-se no Rio de Janeiro, onde mantém residência e acervo.

Carreira fotográfica

Produção autoral

Iniciou a prática fotográfica em 1970, ao mudar-se para Brasília para ingressar no Itamaraty. Seu primeiro ensaio documentou os operários da cidade-satélite do Núcleo Bandeirante, durante a consolidação da capital federal. Com o tempo, passou dos ensaios documentais sobre as cidades onde residiu — incluindo Canadá e Venezuela — para uma produção de expressão pessoal e autobiográfica.

Entre suas séries encontram-se Variações em Torno de um Personagem (1984), Trípticos de Brasília, Pacotão-Carnaval, Por detrás da Cortina, Quartos de Hotel (décadas de 2000–2010) e Rodoviária de Brasília, conjunto de fotografias realizadas entre 1981 e 1984.

Exposições

Participou de exposições coletivas desde 1972. Entre as mais significativas, figurou na 12ª Bienal Internacional de São Paulo (1973), na mostra coletiva Le Brésil des Brésiliens no Centre Georges Pompidou, Paris (1983), e no 8º Salão Nacional de Artes Plásticas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1985), do qual recebeu o prêmio de aquisição.

Suas exposições individuais de maior projeção incluem: retrospectiva no Sesc Copacabana (2013); mostra individual na Maison Européenne de la Photographie (MEP, Paris, junho–agosto de 2016); e a exposição Rodoviária de Brasília na Mosaico Fotogaleria (Vitória, ES, 2026), sua primeira individual no Espírito Santo.

Trabalhos de sua autoria integram os acervos do Museu de Belas-Artes de Houston, do Museu de Arte do Rio de Janeiro e do Museu da Fotografia de Fortaleza.

Atuação como curador e educador

Atua como curador, palestrante, professor e leitor de portfólios, com participação no FotoFest Houston desde 2000, e em festivais como FestFotoPoa (Porto Alegre), Foto Rio e Encuentros Abiertos (Buenos Aires).

Publicações

Tradução para o português de On Photography (Ensaios sobre a Fotografia), de Susan Sontag (Zahar, 1981). Olhares refletidos — entrevistas com 25 fotógrafos brasileiros (Ágil/Dazibao, em colaboração com o Instituto Nacional da Fotografia da Funarte, 1989). Foto na hora: lembrança de Brasília — catálogo publicado pelo Centro de la Imagen, Cidade do México (2013). 128 diários — livro de artista (formato 59 × 52 cm, 72 páginas; 2017; tiragem de 18 exemplares, dos quais os dois primeiros estão na Biblioteca Nacional e na Universidade Stanford). 1927–1970 (2019) — livro com imagens de diários autobiográficos, em homenagem à mãe.

Coleção de arte

É considerado o maior colecionador privado de fotografia brasileira contemporânea. Em 1978, quando servia como diplomata em Caracas, adquiriu as primeiras fotografias de seu acervo pessoal: duas obras de Diane Arbus. A partir de 1981, passou a reunir sistematicamente a produção de fotógrafos brasileiros contemporâneos.

Desde 2005, envia lotes periódicos em comodato ao MAM Rio. O quarto lote, o mais recente, incluiu 868 obras de 209 fotógrafos (143 brasileiros e 73 estrangeiros), elevando o total no museu a aproximadamente 2.700 trabalhos de 500 autores. O acervo abrange nomes como Ansel Adams, Alberto Korda e Pierre Verger, além de mais de 193 fotógrafos brasileiros.

Obras da coleção integram também os acervos do MASP, do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), do Museu da Memória Candanga e do Musée français de la photographie|Musée Français de la Photographie (Bièvre, França).

A coleção foi apresentada no Brasil e no exterior em diversas ocasiões, com destaque para a mostra Visões e Alumbramentos (São Paulo, 2002) e os catálogos Coleção Joaquim Paiva volumes 1 e 2, publicados pelo MAM Rio (2014 e 2016).

Em dezembro de 2020, recebeu o Mérito Cultural na Fotografia no Brasil, concedido pela Rede Paulista de Colecionadores de Fotografia Brasileira (RPCFB).

Ligações externas Verbete na Enciclopédia Itaú Cultural Coleção Joaquim Paiva — MAM Rio «O olhar plural de Joaquim Paiva» — Jornal da Unicamp, 2019

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