A prisão de Luis Arce, 67.º presidente da Bolívia, ocorreu em 10 de dezembro de 2025, cerca de um mês após o término de seu mandato, em 8 de novembro de 2025, quando transmitiu a faixa presidencial ao presidente eleito Rodrigo Paz.

A detenção do ex-presidente teve origem em uma investigação relacionada a desvios de recursos do Fundo de Desenvolvimento para os Povos Indígenas (FONDIOC), que, segundo o Ministério Público Boliviano, teriam sido direcionados para contas pessoais de funcionários de Arce durante seu período como Ministro da Economia da Bolívia.

Arce foi o terceiro presidente boliviano a ser preso, sendo precedido por Luis García Meza Tejada (1995) e Jeanine Áñez (2021).

Antecedentes miniaturadaimagem|Capa do jornal Página Siete sobre as obras fantasmas com o FONDIOC.|esquerda|291x291px O Fundo de Desenvolvimento Indígena, conhecido pela sigla (FONDIOC), foi criado em dezembro de 2005 pelo presidente interino Eduardo Rodríguez Veltzé, mas só passou a exercer, de fato, funções como execução de projetos em 2009, durante o governo de Evo Morales. De acordo com o Ministério da Economia, o fundo movimentou cerca de 460 milhões de dólares entre os anos de 2006 e 2014. À frente do fundo estava um diretório, composto por membros do órgão executivo e de entidades sociais; representando o governo, figurava o Ministério da Economia, que, à época, era chefiado por Luis Arce.

Sinais de irregularidades foram registrados inicialmente entre 2013 e 2015, quando foi apresentada uma denúncia referente a transferências de recursos do fundo para contas pessoais. Como resultado das denúncias, Marco Antonio Aramayo e Elvira Parra, que haviam exercido o cargo de diretores executivos, foram presos em abril de 2015.

O periódico Página Siete também investigou supostos financiamentos para obras fantasmas utilizando recursos do fundo.

Prisão Um mês e dois dias após deixar o cargo, Arce foi detido pela Força Especial de Luta Contra o Crime, em La Paz, no dia 10 de dezembro de 2025. Imediatamente após sua prisão, a ex-ministra da Presidência, María Nela Prada, confirmou a ação e declarou que a detenção havia sido arbitrária, classificando-a como um "sequestro totalmente ilegal".

O ex-presidente foi detido em Sopocachi, um dos bairros de La Paz, e, de lá, foi encaminhado ao prédio da Força Especial de Luta Contra o Crime. A detenção foi convertida em prisão preventiva de cinco meses dois dias depois, após acusação do Ministério Público boliviano, que imputou ao ex-presidente cinco crimes relacionados aos desvios no FONDIOC. A audiência para determinar a prisão preventiva de Arce foi realizada das 11h às 18h do dia 12 de dezembro de 2025, quando foi decretada a prisão preventiva de 180 dias (cinco meses).

Transferência para a Prisão de San Pedro Após a formalização das acusações, Arce foi transferido para a Prisão de San Pedro, localizada no centro histórico de La Paz. Cercado por um forte aparato policial, declarou ser "absolutamente inocente" e descreveu sua prisão como um ato político por parte do governo boliviano, liderado por Rodrigo Paz Pereira, numa tentativa de buscar culpados pela crise no país.

Arce reiterou o que havia dito sua ex-ministra, reforçando que sua prisão havia sido ilegal e que não foi apresentado um mandado de prisão.

De acordo com o diretor-geral do Regime Penitenciário, Daniel Mérida, a saúde do ex-presidente segue sendo monitorada continuamente por um médico particular.

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