As manifestações de 5 e 6 de junho de 1963, também chamadas de eventos de junho de 1963 ou (usando o calendário iraniano) os protestos dos 15 Khordad (em persa: تظاهرات پانزده خرداد) foram protestos no Irão contra a prisão de Ruhollah Khomeini após sua denúncia do Xá, Mohammad Reza Pahlavi e Israel. Embora os protestos tenham sido reprimidos em poucos dias pela polícia e pelos militares, estabeleceram a importância e o poder da oposição religiosa xiita ao Xá e ao aiatolá Khomeini como um importante líder político e religioso. Quinze anos depois, Khomeini liderou a Revolução Iraniana que derrubou o Xá e o Estado Imperial do Irã e estabeleceu a República Islâmica do Irã.
Em 1963, Mohammad Reza Pahlavi, o Xá do Irã, iniciou vários programas conhecidos como "a Revolução do Xá e do Povo" ou Revolução Branca. Era chamada de branca por ser uma revolução sem derramamento de sangue. Esses planos visavam promover mudanças sociais e econômicas no Irã(o). Portanto, em 26 de janeiro de 1963, o Xá realizou um referendo nacional sobre 19 regras da Revolução Branca. As regras dessa revolução foram reforma agrária, nacionalização das florestas e pastagens, privatização das empresas estatais, participação nos lucros, ampliação do direito ao voto às mulheres, formação do corpo de alfabetização, formação do corpo de saúde, formação do corpo de reconstrução e desenvolvimento, formação das casas de equidade, nacionalização de todos os recursos hídricos, modernização e reconstrução urbana e rural, reformas didáticas, direito dos trabalhadores de possuir ações nos complexos industriais, estabilização de preços, educação gratuita , educação obrigatória, alimentação gratuita para mães necessitadas, introdução da wegurança social e do Seguro Social, custo estável e razoável de aluguer ou compra de propriedades residenciais, e implementação de medidas para combater a corrupção.
O Xá anunciou essa revolução como um caminho para a modernização. Além disso, outras fontes acreditam que o Xá poderia legitimar a dinastia Pahlavi por meio da Revolução Branca. A revolução causou uma profunda cisão entre Mohammad Reza Pahlavi e os estudiosos religiosos xiitas iranianos, Ulama. Eles alegaram que essas mudanças representavam uma séria ameaçaà influência do Islão. Ruhollah Khomeini foi um dos opositores, que realizou uma reunião com outros Maraji e estudiosos em Qom e boicotou o referendo da revolução. Em 22 de janeiro de 1963, Khomeini emitiu uma declaração redigida denunciando o Xá e seus planos. Khomeini continuou sua denúncia dos programas do Xá, emitindo um manifesto que também trazia as assinaturas de outros oito estudiosos religiosos seniores. Nele, ele listou as várias formas pelas quais o Xá violou a constituição, condenou a disseminação da corrupção moral no país e acusou o Xá de submissão aos EUA e a Israel. Ele também decretou que as celebrações de Nowruz para o ano iraniano de 1342 (que ocorreu em 21 de março de 1963) fossem canceladas como sinal de protesto contra as políticas do governo.
Eventos Sermão e prisão de Khomeini
Na tarde de 3 de junho de 1963 em Ashura, Khomeini fez um discurso na Escola Feyziyeh em Qom, no qual traçou paralelos entre o califa omíada Yazid I e o xá. Ele denunciou o Xá como um "homem miserável" e o alertou que, se não mudasse as suas atitudes, chegaria o dia em que o povo agradeceria por sua saída do país. Ideia premonitória, 15 anos depois surgiram revoltas que levariam à Revolução Iraniana e à derrubada do xá Mohammad Reza Pahlavi e à sua fuga do país nos inícios de 1979. Em Teerã(o), numa marcha gritavam:"Morte ao ditador! Deus te proteja, Khomeini! Morte ao inimigo sanguinário!"
thumb|left|400px|Discurso de Khomeini na Escola Feyziyeh. Dois dias depois, às três horas da manhã, seguranças e comandos invadiram a casa de Khomeini em Qom e prenderam-no. Eles o transferiram às pressas para a Prisão de Qasr, em Teerã.
Revolta popular Ao amanhecer de 5 de junho de 1963, a notícia de sua prisão se espalhou primeiro por Qom e depois por outras cidades. Em Qom, Teerão, Shiraz, Mashhad e Varami, multidões de manifestantes enfurecidos foram confrontadas por tanques e paraquedistas. Em Teerã(o), manifestantes atacaram delegacias de polícia, escritórios da SAVAK e prédios governamentais, incluindo ministérios. O governo surpreso declarou lei marcial e recolher obrigatório das 22h às 5h. O xá então ordenou que uma divisão da Guarda Imperial, sob o comando do Major-General Gholam Ali Oveissi entrasse na cidade e esmagasse as manifestações. No dia seguinte, grupos de protesto foram às ruas em menor número e foram confrontados por tanques e "soldados em equipamento de combate com ordens de atirar para matar". A vila de Pishva, perto de Varamin, tornou-se famosa durante a revolta. Várias centenas de moradores de Pishva começaram a marchar para Teerã, gritando "Khomeini ou Morte". Eles foram parados em uma ponte ferroviária por soldados que abriram fogo com metralhadoras quando os moradores se recusaram a se dispersar e atacaram os soldados "com o que tinham". Se "dezenas ou centenas" foram mortas é "incerto". Só seis dias depois a ordem foi totalmente restabelecida. De acordo com o jornalista Baqer Moin, arquivos policiais indicam que 320 pessoas de diversas origens, incluindo 30 clérigos importantes, foram presas em 5 de junho. Os arquivos também listam 380 pessoas como mortas ou feridas na revolta, sem contar aquelas que não foram ao hospital "por medo de serem presas", ou que foram levadas ao necrotério ou enterradas pelas forças de segurança. thumb|right|300px|Manifestantes carregando o corpo de uma das vítimas Libertação de Khomeini A linha -dura do regime, como o primeiro-ministro Asadollah Alam e o líder da SAVAK, Nematollah Nassiri, defendiam a execução de Khomeini como responsável pelos tumultos, assim como as greves e protestos menos violentos que continuavam nos bazares e em outros lugares. Fateme Pakravan – esposa de Hassan Pakravan, chefe da SAVAK – diz em suas memórias que seu marido salvou a vida de Khomeini em 1963. Pakravan achava que sua execução irritaria o povo comum do Irã. Ele apresentou seu argumento ao Xá. Depois de convencer o Xá a permitir que ele encontrasse uma saída, ele chamou o aiatolá Mohammad Kazem Shariatmadari, um dos líderes religiosos seniores do Irã, e pediu sua ajuda. Shariatmadari sugeriu que Khomeini fosse declarado Marja. Assim, outros Marjas emitiram um decreto religioso que foi levado por Pakravan e Seyyed Jalal Tehrani ao Xá. Após dezenove dias na prisão de Qarr, Khomeini foi transferido primeiro para a base militar de Eshratabad e depois para uma casa no bairro Davoodiyeh, em Teerã(o), onde ficou sob vigilância. Foi libertado em 7 de abril de 1964 e retornou a Qom. Depois da Revolução Iraniana A data de 15 de Khordad é amplamente conhecida em toda a República Islâmica do Irã. Entre outros locais, o cruzamento conhecido como 15 Khordad Crossroads e uma estação de metro 15th of Khordad recebem seu nome. Curiosamente, Khomeini morreu vinte e seis anos depois, em 1989, na véspera de 15 Khordad..
Notas Este artigo é baseada tradução do artigo da Wikipédia em língua inglesa Ligações externas
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