Os Protestos de Avaz 2005 ou Distúbio de Avaz em 2005(em persa: ناآرامیهای ۱۳۸۴ اهواز, em árabe: اضطرابات الأهواز 2005) foram tumultos violentos, iniciados por Árabes iranianos na cidade de Ahvaz, na província sudoeste iraniana de Cuzistão . A agitação eclodiu em 15 de abril de 2005 e durou 4 dias. Inicialmente, o Ministério do Interior iraniano afirmou que apenas uma pessoa havia morrido, porém um funcionário de um hospital em Avaz disse que havia entre 15 e 20 mortos.
As autoridades governamentais culparam a Grã-Bretanha pelos distúrbios, cujas tropas estavam estacionadas lpróximas da fronteira, no sul do Iraque. Após os distúrbios, vários atentados foram realizados em Avaz, matando 28 pessoas.
Em 2006, o Irã(o) executou cinco separatistas árabes, condenados por realizar os atentados em 2005.- miniaturadaimagem|Localização da província do Cuzistão, no Irã(o) thumb|right|200px|Ponte de Avaz Contexto Os árabes do Irã(o) estão concentrados na província de Cuzistão e somam entre meio milhão e 2 milhões.
Esses árabes são descendentes de tribos árabes xiitas que migraram gradualmente para o Irã desde o século XVI. A maioria dos árabes iranianos é xiita, mas uma pequena minoria de árabes muçulmanos sunitas vive ao longo da costa do Golfo Pérsico. No Cuzistão os árabes são o grupo étnico dominante em Shadegan, Hoveyzeh e Susangerd, a maioria em Mahshahr e Khorramshahr, uma minoria em Abadan e, junto com os persas, os árabes são um dos dois principais grupos étnicos em Ahvaz.
A Constituição do Irã garante liberdade de expressão cultural e diversidade linguística. A província de Khūzestān possui estações de rádio e televisão em língua árabe. A educação escolar é em persa, a língua oficial, mas o uso do árabe é permitido pela constituição da República Islâmica. O artigo 15 da constituição estabelece:A língua oficial e a escrita do Irã, a língua franca de seu povo, é o persa. Documentos oficiais, correspondências e textos, assim como livros didáticos, devem estar nessa língua e escrita. No entanto, o uso de línguas regionais e tribais na imprensa e na mídia de massa, bem como para o ensino de sua literatura nas escolas, é permitido além do persaNo entanto, alguns grupos de direitos humanos acusaram o governo iraniano de discriminação e outras violações de direitos humanos contra árabes iranianos e de violar as garantias constitucionais de igualdade. A Amnistia Internacional diz:Apesar da população árabe permanecer em grande parte leal ao Irã durante a Guerra Irã(o)-Iraque nos anos 1980, o governo central em Teerã continuou a ver os árabes iranianos com desconfiança. Árabes iranianos afirmam que isso levou a políticas discriminatórias e acesso desigual a recursos voltados para o desenvolvimento social De acordo com o Departamento de Estado dos EUA:
Em geral, o governo (ou seja, o do Irã) não discriminava com base em raça, deficiência, idioma ou status social; no entanto, discriminava com base em religião, sexo e etnia. As áreas mais pobres do país são aquelas habitadas por minorias étnicas, como os balúchis na província de Sistan e Baluchestan e os árabes no sudoeste. Grande parte dos danos sofridos pela Província de Khuzestan durante a guerra de oito anos com o Iraque não foi reparada; consequentemente, a qualidade de vida da população local, majoritariamente árabe, foi degradada. Curdos, azeris e árabes ahvazi não podiam estudar suas línguas.De acordo com o Artigo 16 da Constituição da República Islâmica do Irã, o árabe é ensinado em todas as turmas do ensino médio e em todas as áreas de estudo, incluindo universidades.
Causas Uma carta forjada atribuída a Mohammad-Ali Abtahi, conselheiro do presidente reformista iraniano Mohammad Khatami, começou a circular na blogosfera , foi amplamente divulgada manualmente e posteriormente citada em um relatório da rede al-Jazeera. A carta falsa propunha medidas para reduzir a proporção de árabes no Cuzistão. A carta inspirou multidões de jovens árabes manifestantes a atacar prédios e instituições governamentais na cidade de Avaz. Alguns especialistas e analistas do Irã na época especularam que a medida fazia parte de um plano doa linha dura onservadora do regime para desacreditar o campo reformista entre os árabes na preparação para a eleição presidencial de 2005.
Fatalidades O Ministério do Interior do Irã(o) afirmou que apenas uma pessoa foi morta, enquanto um funcionário de um hospital em Avaz afirmou que entre 15 e 20 vítimas mortais. Outro funcionário do governo disse que confrontos com os serviços de segurança resultaram em 3 ou 4 mortes.
Um porta-voz da Frente Popular Democrática do Povo Árabe de Avaz, Abu Shaker al-Ahwazi, citou os nomes de 20 pessoas que, segundo ele, foram mortas nos confrontos. Ele disse que "dezenas de pessoas haviam sido feridas e outras 300 presas."{ A Anistia Internacional citou "relatos não confirmados" de que 29 pessoas foram mortas. A Human Rights Watch (HRW) relatou pelo menos 50 mortes.
Reportagens e relatos apontam o número de vítimas fatais entre 5 e 20. "The revolution is meant to commemorate Bloody Friday, when more than 20 Arab-Iranians were killed, 500 injured, and 250 arrested on 15 April 2005 during protests in the city of Ahwaz."
Consequências Autoridades do governo iraniano culparam a agitação no Khuzestan no Reino Unido, que abriga a sede do grupo militante árabe iraniano "Frente Popular Democrática dos Povos Árabes Al-Ahwaz". O governo também proibiu temporariamente transmissões da emissora de televisão via satélite em árabe Al-Jazeera, acusando-a de fomentar a agitação. Ali Yunesi, ministro da inteligência na época, disse que os presos em Khuzestan eram principalmente "jovens inocentes" que haviam sido provocados por "criminosos reais". O Ministro da Defesa na época – Ali Shamkhani, que é árabe étnico, foi enviado pelo Governo Reformista de Khatami à região de Avaz para investigar as razões por trás da agitação. Ele se reuniu com líderes locais e enfatizou que os árabes étnicos são parte integrante do país, mas reconheceu que a província de Khuzestan sofre de "subdesenvolvimento".
Após os distúrbios, em junho de 2005, quatro atentados cometidos por militantes separatistas árabes em Ahvaz e outros dois em Teerã mataram 10 pessoas e feriram pelo menos 90. Outros dois atentados em Avaz, um em outubro de 2005 e outro em janeiro de 2005, mataram 12 pessoas. Em 2006, o Irã executou cinco separatistas árabes condenados por realizar os atentados em 2005. Segundo um relatório de abril de 2006 da Amnistia Internacional, em 4 de novembro de 2005, durante um banquete muçulmano celebrando o fim do Ramadã(o), várias centenas de manifestantes árabes iranianos marcharam em direção ao centro da cidade de Avaz e foram recebidos pelas forças de segurança, que supostamente dispararam granadas de gás lacrimogêneo contra a multidão, fazendo com que dois jovens caíssem no rio Karoun e se afogassem, aparentemente sob os efeitos do gás lacrimogêneo que causou paralisia temporária. A Anistia Internacional também afirmou que houve novos confrontos em Khuzestan entre árabes iranianos e as forças de segurança em 11 e 12 de janeiro de 2006, durante a Festa do Sacrifício Muçulmano, que supostamente resultaram em 3 mortes e 40 feridos. A Os manifestantes exigiam "o fim da perseguição árabe, pobreza e desemprego, e a libertação dos presos políticos detidos desde abril de 2005". Em 15 de abril de 2011, houve um protesto da minoria árabe sunita em Avaz, para marcar o sexto aniversário dos eventos de 2005. Em uma carta enviada ao alto comissariado da ONU para os direitos humanos, a laureada com o Prêmio Nobel da Paz do Irã(o), Shirin Ebadi, afirmou que "mais de 12 pessoas foram mortas, cerca de 20 feridas e dezenas de manifestantes foram presas."
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