Wenceslao Pedernera (La Calera, San Luis, 28 de setembro de 1936 – Chilecito, La Rioja, 25 de julho de 1976) foi um trabalhador argentino e leigo católico, assassinado durante a ditadura militar naquele país. Foi reconhecido como mártir e beatificado pelo Papa Francisco.
Biografia Wenceslao nasceu em 28 de setembro de 1936, em Los Jagüeles, La Calera, província de San Luis. Desde jovem, trabalhou na agricultura e, em 1961, mudou-se para Mendoza para trabalhar nos vinhedos. Lá, ele se casou com Martha Ramona Cornejo em março de 1962. Eles tiveram três filhas: María Rosa, Susana Beatriz e Estela Marta.
Embora não participasse ativamente da vida da Igreja, após frequentar novenas pregadas pelos Oblatos de Maria Imaculada, Wenceslao experimentou uma conversão; ele participou posteriormente de missões populares, semanas de estudo bíblico e frequentou regularmente as missas. Ao mesmo tempo, envolveu-se com cooperativas rurais.
Em 1968, Pedernera foi nomeado coordenador do Movimento Rural da Ação Católica na Argentina para a Região de Cuyo. Em 1972, participou de dois cursos de formação e aperfeiçoamento organizados pelo Movimento na cidade de La Rioja; lá conheceu Monsenhor Enrique Angelelli, bispo de La Rioja. Meses depois, com o apoio específico de Angelelli, mudou-se com a família para Sañogasta, em La Rioja. Wenceslao continuou seu trabalho com a Ação Católica Rural da diocese e começou a receber ameaças com o início do Processo de Reorganização Nacional.
Em uma noite, seu pároco não apareceu para jantar com eles, como estava marcado, mas às 2h45 da manhã de 25 de julho de 1976, bateram na porta da casa da família. Sua esposa implorou que ele não atendesse, ao que Wenceslao respondeu que poderia ser alguém precisando de um favor. Ao abrir a porta, quatro homens encapuzados abriram fogo contra ele na frente de sua esposa e filhas. Frei Antonio Puigjane, que administrou seus últimos sacramentos, relatou que Wenceslao só tinha palavras de perdão para seus agressores, pedindo à sua família que não guardasse rancor. Ele faleceu naquele mesmo dia, no hospital de Chilecito, às 15h.
O julgamento para esclarecer o assassinato do Beato Mártir Wenceslao Pedernera se iniciou em 28 de abril de 2023. Ao final, em 11 de dezembro de 2023, o comandante do Esquadrão da Gendarmeria Nacional Argentina em Chilecito, o ex-segundo-tenente Eduardo Abelardo Britos, foi condenado pelo Tribunal Oral Federal de La Rioja.
Beatificação Em 19 de julho de 2010, o bispo Roberto Rodríguez, de La Rioja, anunciou sua intenção de abrir em dezembro daquele ano o processo de beatificação dos padres Gabriel Longueville e Carlos de Dios Murias, assassinados durante a ditadura militar. O anúncio foi feito durante uma homenagem aos dois sacerdotes no cemitério El Chamical, onde estão sepultados.
Dom Rodríguez, que desejava acrescentar à causa a de Wenceslao Pedernera, anunciou que incumbiria o padre Angelo Paleri, postulador geral dos Franciscanos Conventuais, de conduzir o julgamento encarregado de examinar "a vida, as virtudes, o martírio e a reputação dos dois sacerdotes".
Em 2011, o cardeal arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, presidente da Conferência Episcopal Argentina, aprovou a causa sem um anúncio público para não provocar prelados da oposição que se opunham às iniciativas sociais promovidas pelos três, especialmente Murias. O então arcebispo foi o primeiro a chamá-los de "mártires", quando celebrou uma missa em memória deles na Catedral de La Rioja, no 30º aniversário das mortes. A aprovação da causa por Bergoglio só se tornou conhecida em 2013, após sua eleição como papa.
O processo de beatificação de Longueville, Murias e Pedernera começou em 31 de maio de 2011. Os documentos do inquérito diocesano foram entregues em Roma, à Congregação para as Causas dos Santos, em junho de 2015, pelo bispo Marcelo Colombo.
Em 8 de junho de 2018, o Papa Francisco reconheceu por decreto o martírio in odium fidei de Longueville, Murais, Angelelli e Pedernera. Os restos mortais do mártir Wenceslao são venerados desde 27 de julho de 2018 na Capela do Sagrado Coração, em Sañogasta.
Em 27 de abril de 2019, no Parque da Cidade de La Rioja, eles foram beatificados pelo Cardeal Giovanni Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, representante do papa. Eles são os primeiros mártires reconhecidos oficialmente pelo Vaticano que foram vítimas da última ditadura militar. Wenceslao é a primeira pessoa de San Luis a se tornar beato, além de primeiro beato da Ação Católica Argentina.
Foi estabelecido que a memória litúrgica em homenagem aos Mártires de La Rioja seria em 17 de julho.
Ainda em 2019, o Beato Wenceslao foi designado como padroeiro das famílias camponesas de La Rioja, por decreto do bispo de La Rioja, Dom Dante Gustavo Braida. Também existe movimentação de entidades argentinas, como a Ação Católica Argentina, pedindo sua designação como padroeiro e protetor da agricultura familiar e dos trabalhadores rurais.
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