Tadeu Martins Soares (Itaobim, 26 de abril de 1953) é um escritor, poeta, cordelista, apresentador de eventos e produtor cultural brasileiro. Sua trajetória é marcada pela atuação na preservação e valorização da cultura popular do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.
Biografia Tadeu Martins Soares é natural de Itaobim, no Médio Jequitinhonha, estudou Engenharia Química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Militância Cultural e o Movimento do Vale (1970–1980)
Na década de 1970, Martins participou ativamente da articulação cultural regional. Em março de 1978, integrou o grupo fundador do Jornal Geraes, ao lado de Aurélio Silby, George Abner e Carlos Figueiredo. O periódico é reconhecido como um marco da resistência cultural durante a Ditadura Militar e o principal eixo mobilizador para a construção de uma identidade regional própria.
Como idealizador cultural, articulou o 1º Encontro de Compositores do Vale (1979) em Itaobim, evento que serviu de embrião para a criação do Festivale (Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha) em 1980. O festival visava transformar o paradigma regional, combatendo o estigma de "Vale da Miséria" para promover o conceito de "Vale da Cultura" através da afirmação identitária.
Atuação na Mídia e Gestão Pública (1990–2012) Na televisão, Martins apresentou, ao lado de Geraldo Magela e Renato, da dupla Antônio Carlos & Renato, o programa Rancho Fundo na Rede Minas entre 1991 e 1992, interpretando o personagem "Compadre Tadeu".
Posteriormente, apresentou o programa "Sala de Cultura" na TV Comunitária de Belo Horizonte e atuou como curador e jurado em diversos eventos regionais, conectando talentos do Vale à mídia nacional.
Trabalhou na Turminas – Empresa Mineira de Turismo, de 1982 a 1987. Foi Diretor da empresa Letra&Música Empreendimentos Culturais Ltda, de 1987 a 1991. Trabalhou 18 anos na Prefeitura de Belo Horizonte, onde foi Assessor da Secretaria de Cultura, Gerente de Cultura, Chefe de Cerimonial e Relações Públicas, e por 12 anos foi Diretor de Eventos da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), onde ocupou a Presidência por um ano. No campo eleitoral, disputou a prefeitura de Belo Horizonte nas eleições de 2012 pelo Partido Pátria Livre (PPL).
Literatura e Carreira Cultural Recente Reconhecido pela crítica acadêmica por sua "poética de conhecimento da terra", Martins funde o humor mineiro com a métrica do cordel e a denúncia social. Em 2020, publicou o livro digital "Jequitinhonha 42 Anos de Travessia – De Vale da Miséria a Vale da Cultura", obra que detalha a mobilização artística do Vale do Jequitinhonha como ferramenta de resistência política.
Em 2023, foi eleito para a Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha (ALVA), instituição da qual é o atual presidente.
Posteriormente, em 2025, lançou a edição impressa e expandida intitulada "Jequitinhonha: 46 anos de travessia", um inventário histórico de 888 páginas que recebeu voto de congratulações da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Além da atuação editorial, Martins desenvolve projetos de educação patrimonial e colabora com iniciativas como o "Causos e Violas das Gerais" do SESC, onde por 12 anos participou em mais de 200 cidades de Minas Gerais, como apresentador e contador de causos.
Lançou o CD Causos, Cordas e Cordéis, composto por 16 faixas de causos e cordéis de sua autoria, com acompanhamento de instrumentos de cordas.
Obras Deus não quis assim. Edição independente, 1973. (Peça teatral) Viva meu povo. Belo Horizonte: Editora Vega, 1981. Jogando conversa fora. Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1988; 2ª ed. Editora Ler para Ser, 2004. ISBN 85-98708-02-X. O que o Brasil precisa. PSDB-MG, 1989. Afonso Martins: 90 anos de história. Edição independente, 1991. Casos populares. Editora Estação de Arte, 1992. O martelo da dominação. Editora Pedra Verde, 1998; 2ª ed. Arejo Editorial, 2024. ISBN 978-65-983617-0-9. Minas em versos & outras prosas gerais. Editora Pedra Verde, 2002. ISBN 85-88669-12-9. Itaobim Pedra Verde: a história da cidade coração do Vale (com Luiz Gustavo Alves Brandão e Manoel Rodrigues de Oliveira). 2018. Jequitinhonha: 42 anos de travessia – de Vale da miséria a Vale da cultura. Editora Pedra Verde,2020. (E-book) Jequitinhonha: 45 anos de travessia – de Vale da miséria a Vale da cultura. Arejo Editorial, 2025. ISBN 978-65-83471-06-2. Participações em coletâneas "Jequitinhonhês". In: Jequitinhonha: Antologia Poética. Edição independente, 1983; 2ª ed. Loope Editora, 2021. ISBN 978-65-89587-08-8. "Histórias". In: Jequitinhonha: Antologia Poética II. Edição independente, 1985; 2ª ed. Loope Editora, 2021. ISBN 978-65-89587-04-0. "Tempos modernos". In: Jequitinhonha: Antologia Poética III. Loope Editora, 2021. ISBN 978-65-89587-03-3.
Referências
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