Maria Paula Fleury de Godoy (Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1894 – Goiânia, 12 de junho de 1982) foi uma poetisa, contista, cronista, novelista e professora brasileira, integrante da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás. Sua produção literária articula lembranças da juventude, experiência familiar e representações sobre a sociedade goiana.

Vida miniaturadaimagem|Família Fleury Curado reunida no terraço da Chácara Baumann, Cidade de Goiás, natal de 1928. Maria Paula Fleury de Godoy está sentada com sua filha Augusta no colo. Maria Paula Fleury de Godoy era filha de Sebastião Fleury de Curado e de Augusta de Faro Fleury Curado, que também era escritora. Além de Maria Paula, a mais velha, o casal teve mais sete filhos: André, Hermínia, Clarisse, Mariana, Sebastião, Augusto e Josefina.

Maria Paula organizou o relato de viagem de sua mãe Augusta para publicação com o título Do Rio de Janeiro a Goiás - 1896 (a viagem era assim). Sua trajetória esteve ligada a um ambiente familiar letrado, marcado pela valorização da literatura, da escrita e das artes. Dialogou de forma direta com os escritos de sua mãe, especialmente na construção de representações sobre Goiás e sobre a experiência de deslocamento, pertencimento e estranhamento em relação ao espaço goiano.

Ainda na infância, Maria Paula Fleury de Godoy mudou com sua família do Rio de Janeiro para Goiás Velho, em 1896. Após residir por alguns anos na rua do Carmo, Maria Paula mudou-se, os nove anos, para a Chácara Baumann, construída especialmente para sua família. Mudou-se para o Rio de Janeiro, em razão da eleição de seu pai para o cargo de deputado federal. Na capital, onde permaneceu por aproximadamente três anos, aprofundou seus estudos de literatura e piano. Retornou a Goiás Velho com a família em 1915.

Em 1923, casou-se com Albatênio Caiado de Godoy e juntos tiveram sete filhos. Mudou-se, em 1936, com o marido e os filhos para Goiânia, então a nova capital do estado de Goiás. Em 1937, prestou concurso para a cadeira de Português da Escola Normal Oficial de Goyaz, atual Instituto de Educação de Goiás, sendo aprovada e exercendo o magistério desde então. Sua filha Marilda de Godoy Carvalho foi uma das fundadoras do Arquivo Histórico Estadual de Goiás.NORONHA, Allyne de Sena. “Visibilizando a memória das fundadoras do Arquivo Histórico Estadual de Goiás”. In: Anais do XXVII Simpósio Nacional de História, 22 a 26 de julho Natal/RN. 2013.

Integrou a Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, instituição voltada à promoção da produção cultural de mulheres no estado de Goiás. Tornou-se membro correspondente em 9 de novembro de 1970 e tomou posse como titular da cadeira 37 em 20 de setembro de 1979, aos 85 anos de idade. Também participou do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico da Prefeitura Municipal de Goiânia.

Nos últimos anos de vida, residiu em Goiânia, Brasília e Belo Horizonte. Faleceu aos 88 anos de idade, por causas naturais.

Obra

Maria Paula Fleury de Godoy utilizou, em diversas ocasiões, o pseudônimo Marilda Palínea. Em 1926, um de seus poemas foi recitado em um programa lírico no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sendo um exemplo pioneiro em relação ao início da literatura modernista em Goiás.

Contribuía para a Revista Feminina, de São Paulo, e para o Jornal das Moças. Igualmente escreveu na Revista Oeste, Cruzeiro, Revista Fon Fon, jornal O Popular e O Lar. Organizou o Jornal Baumman, que circulou em formato manuscrito.

Sombras (1966) é um livro com doze contos, onde Godoy constrói representações de Goiás Velho marcadas por um olhar crítico e melancólico, associado a imagens de silêncio, isolamento e tristeza, o que a diferencia de outras obras memorialistas voltadas à exaltação do passado local. A escrita de Maria Paula constrói um olhar forasteiro sobre a cidade, resultado de sua formação cultural diferenciada e de sua posição social, o que lhe permite observar e representar os costumes locais com distanciamento.

Livros publicados

Sombras (1966) A longa viagem (1968) Nós e elas (1969) Suave caminho (1970) Velha casa (1971) Aimurê (1979) A viagem de Nancy (2005), póstumo

Ligação externa

Carta de Maria Paula Fleury de Godoy

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