Riot (também conhecido como RIOT – Civil Unrest) é um jogo eletrônico de estratégia em tempo real independente de 2019 que simula conflitos civis baseados em eventos reais. O projeto teve origem em uma campanha de financiamento coletivo no Indiegogo em fevereiro de 2014, entrou em acesso antecipado em dezembro de 2017 e foi lançado oficialmente em 12 de fevereiro de 2019. O diretor do jogo, Leonard Menchiari, ex-editor e cinegrafista da Valve Corporation, participou pessoalmente de conflitos civis entre 2012 e 2016; o jogo foi criado como forma de expressão e para narrar as histórias por trás desses eventos. Em 2025, Menchiari disponibilizou o código-fonte do jogo publicamente sob licença MIT.

Jogabilidade

O jogador escolhe entre atuar como polícia ou como manifestantes. Como polícia, a jogabilidade é centrada em estratégia e planejamento: o jogador comanda esquadrões Assault, Tactical e Ballistic, e pode requisitar caminhões policiais, canhões d'água ou tanques, além de escolher entre granadas de fumaça, balas de borracha ou munição real. Do lado dos manifestantes, o jogador alterna entre postura defensiva e ofensiva: no modo ofensivo, é possível utilizar coquetéis Molotov, fogos de artifício, pedras e o apoio da mídia.

Um elemento central da jogabilidade é o resultado político, uma pontuação que representa a opinião pública. Ações agressivas de qualquer dos lados podem levar a uma resolução rápida, mas prejudicam a percepção pública; uma abordagem mais cautelosa pode alcançar o mesmo resultado com menor desgaste. Os personagens possuem atributos individuais que influenciam seu comportamento, tornando suas reações imprevisíveis de acordo com os eventos de cada conflito. A movimentação das multidões é baseada em física: em vez de seguir apenas um caminho predefinido, os personagens são influenciados pelo contato físico com os demais. O estilo visual imita uma aparência retrô 2D, embora a cena seja renderizada em 3D, permitindo iluminação, física e efeitos visuais mais realistas. O estilo artístico foi inspirado em Superbrothers: Sword & Sworcery EP.

Modos de jogo

O jogo oferece três modos principais:

História (Story): missões específicas baseadas em eventos reais, jogáveis como polícia ou manifestantes. Global: campanha semi-aleatória em estilo roguelike, na qual a dificuldade escalona conforme a opinião pública é afetada pelas ações do jogador. Versus: modo para dois jogadores no mesmo dispositivo.

Cenários

O jogo inclui quatro campanhas principais, cada uma baseada em conflitos reais:

Indignados (Espanha): Pozo Soton, 15M, Indignados (NOI), Mossos Retreat NoTAV (Itália): Maddalena's Clearing, December 8th, A32 Highway, Valsusa Gates, Beginning of an End Keratea (Grécia): Bloko Keratea, Black Tuesday, Efthika' Ballad, La Fin Revolução de Tahrir (Egito): Day of Anger, Suez Convoy, Battle of the Camel, We Won't Go He Will Go!

Além das campanhas, o jogo conta com mais de trinta cenários avulsos inspirados em outros eventos ao redor do mundo, incluindo os protestos dos Gilets Jaunes em Paris, manifestações em Buenos Aires e Caracas, e os confrontos do G20 em Hamburgo.

Desenvolvimento

Os cenários do jogo foram parcialmente inspirados pela participação de Leonard Menchiari nos protestos italianos No TAV e em outros conflitos na Europa entre 2012 e 2016. O projeto recebeu financiamento parcial por meio de uma campanha no Indiegogo, arrecadando US$ 36.139 em março de 2013. Parte do orçamento foi destinada a viagens e pesquisas de campo. O jogo busca retratar os cenários de forma neutra, permitindo ao jogador explorar ambos os lados do conflito.

O desenvolvimento contou com a participação da IV Productions, estúdio italiano fundado em 2012 em Bolonha por Ivan Venturi, produtor com mais de três décadas de experiência na indústria de jogos eletrônicos. A versão para Steam inclui um editor de cenários integrado ao Steam Workshop, permitindo que jogadores criem e compartilhem seus próprios níveis. Em 2025, o código-fonte completo do jogo foi disponibilizado publicamente no GitHub sob licença MIT.

Requisitos de sistema

Recepção

No Metacritic, a versão para Windows obteve nota 54 de 100, considerada mista, enquanto as versões para Nintendo Switch e PlayStation 4 receberam avaliações negativas. No OpenCritic, o jogo recebeu nota média de 56, com 0% de recomendação entre os críticos. Na Steam, 69% das mais de 1.500 avaliações de usuários são positivas.

O Eurogamer e o Rock Paper Shotgun avaliaram a versão de acesso antecipado. O Eurogamer considerou que a atualidade do tema tornava o jogo perturbador e difícil de apreciar como entretenimento. O Rock Paper Shotgun elogiou a arte, mas criticou os elementos de estratégia e considerou que o jogo tinha pouco a dizer sobre os conflitos que retrata.

O Nintendo Life criticou a versão para Switch por não aproveitar os controles do console e por não oferecer nenhuma reflexão sobre os conflitos representados. O GameCritics atribuiu nota 4,5 de 10, elogiando a proposta e o estilo artístico, mas apontando que o jogo falha tanto como experiência política quanto como estratégia satisfatória.

Ligações externas

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