Assassinatos em cadeia no Irã(o) ( em língua persa: قتل های زنجیره ای ایران) foram uma série de assassinatos e desaparecimentos entre 1988 e 1998 de certos intelectuais dissidentes iranianos que haviam sido críticos do sistema da República Islâmica.  Os assassinatos e desaparecimentos foram realizados por agentes internos do governo iraniano Eles eram chamados de "assassinatos em cadeia" porque pareciam estar ligados entre si.

As vítimas incluíam mais de 80 escritores, tradutores, poetas, ativistas políticos e cidadãos comuns.  Eles foram mortos por diversos meios, como acidentes de carro, facadas, tiroteios em roubos encenados e injeções de potássio para simular um ataque cardíaco.  O padrão dos assassinatos só veio à tona no final de 1998, quando Dariush Forouhar, a sua esposa Parvaneh Forouhar e três escritores dissidentes foram assassinados em um período de dois meses.

Após os assassinatos serem divulgados, o Líder Supremo, aiatolá Khamenei, negou que o governo fosse responsável e culpou "os inimigos do Irã(o)".  Em meados de 1999, após grande clamor público e investigação jornalística no Irã(o) e publicidade no exterior, os promotores iranianos anunciaram que haviam encontrado o autor. Um tal Saeed Emami liderou "elementos rebeldes" no Ministério da Inteligência e da Segurança Nacional do Irã nos assassinatos, mas que Emami agora estava morto, tendo cometido suicídio na prisão.  Num julgamento que foi "descartado como uma farsa pelas famílias das vítimas e organizações internacionais de direitos humanos", três agentes do Ministério da Inteligência foram condenados à morte em 2001 e outros 12 a penas de prisão pelo assassinato de duas das vítimas.

Muitos iranianos e estrangeiros acreditam que os assassinatos fizeram parte de uma tentativa de resistir à abertura cultural e política do presidente reformista iraniano Mohammad Khatami e de seus apoiantes , e que os condenados pelos assassinatos eram, na verdade, "bodes expiatórios agindo sob ordens do alto nível do ministério", com os responsáveis finais incluindo "alguns clérigos conhecidos."

Por sua vez, os linha-dura do Irã — o grupo mais associado a ataques de vigilantes contra dissidentes em geral, e com os acusados de assassinato em particular — alegaram que potências estrangeiras (incluindo Israel) haviam cometido os crimes.

Diz-se que os assassinatos estão "ainda envoltas em segredo", e uma indicação de que as autoridades podem não ter descoberto todos os autores das assassinatos em cadeia foi a tentativa de assassinato de Saeed Hajjarian, editor de jornal que se acredita ter desempenhado um "papel fundamental" na descoberta dos assassinatos. Em 12 de março de 2000, Hajjarian foi baleado na cabeça e ficou paralisado para sempre.

Histórico de assassinatos em cadeia

Assassinatos O termo "assassinatos em cadeia" foi usado pela primeira vez para descrever o assassinato de seis pessoas no final de 1998. Os dois primeiros mortos foram Dariush Forouhar, de 70 anos (secretário-geral do partido de oposição, o Partido Nação do Irã), e sua esposa Parvaneh Forouhar, cujos corpos mutilados foram encontrados em sua casa no sul de Teerã(o)) em 22 de novembro de 1998. Forouhar recebeu onze ferimentos por faca e Eskandari 24. A sua casa, que depois foi saqueada, acreditava-se estar sob vigilância 24 horas pelo Ministério da Inteligência e da Segurança Nacional do Irã(o), lançando assim suspeitas sobre esse ministério por ao menos cumplicidade no assassinato.

Em 2 de dezembro de 1998, Mohammad Mokhtari, um escritor iraniano, deixou sua residência e não retornou para casa. Uma semana depois, seu corpo foi identificado no escritório do legista. O próximo a desaparecer foi Mohammad-Ja'far Pouyandeh, um autor e "um dos tradutores mais ativos do país", cujo corpo foi encontrado quatro dias após deixar seu escritório em 8 de dezembro. Os corpos de Pooyandeh e Mokhtari foram encontrados ao redor de Shahriar, uma "mini-cidade" no sul de Teerã(o), e ambos aparentemente foram estrangulados.  No dia em que o corpo de Pooyandeh foi encontrado, 12 de dezembro de 1998, cinquenta escritores pediram ao presidente Khatami que encontrasse os autores dos assassinatos.

Enquanto isso, outros assassinatos suspeitos e não resolvidos de dissidentes na década anterior foram apresentados por reformadores como relacionados: Ahmad Miralaee, Ebrahim Zalzadeh, Ghafar Hosseini, Manouchehr Saneie e sua esposa Firoozeh Kalantari, e Ahmad Tafazzoli. O corpo de Majid Sharif (tradutor e jornalista que contribuiu para a publicação proibida Iran-e-Farda) foi encontrado à beira de uma estrada em Teerã em 18 de novembro de 1998, três dias antes da descoberta dos corpos de Dariush Forouhar e sua esposa Parvaneh Eskandari. A causa oficial de morte foi "insuficiência cardíaca".

No verão de 1996, houve,uma tentativa de assassinato no ônibus dos escritores iranianos, um ônibus cheio de 21 escritores a caminho de uma conferência de poesia na Armênia. Às duas da manhã, enquanto a maioria dos passageiros dormia, o motorista do autocarro tentou conduzir o ônibus para fora de um penhasco próximo ao Heyran Pass. "Quando o motorista tentou pular para se salvar, um passageiro segurou o volante e conduziu o ônibus de volta para a estrada."  O motorista tentou uma segunda vez, "mergulhando para fora do veículo justamente quando ele despencava em direção à beira da queda livre de 304 metros." O autocarro bateu em uma pedra e parou, salvando a vida de 21 escritores. O motorista fugiu.  Os passageiros foram levados pelas autoridades para uma cidade próxima no Cáspio, foram interrogados e alertados "para não discutir o evento com ninguém."

A primeira vítima foi Kazem Sami Kermani, um "nacionalista islâmico e médico" que se opôs ao Xá e serviu como Ministro da Saúde no breve governo provisório pós-revolucionário do primeiro-ministro Mehdi Bazargan. Mais tarde, foi membro do primeiro Majles, onde criticou o governo pela continuação da Guerra Irã-Iraque após a Batalha de Khorramshahr (1982. Ele foi assassinado em 23 de novembro de 1988 em sua clínica em Teerã(o) por um agressor armado com machado.

Supostos perpretadores Em 20 de dezembro de 1998, um comunicado foi emitido em Teerã(o) por um grupo que se autodenominava "devotos puros do Islã muçulmano de Mostafa Navvab", assumindo o crédito de alguns assassinatos. A declaração atacou os reformistas e disse em parte:"Agora que políticos domésticos, por negligência e clemência, e sob o lema do Estado de Direito, apoiam as víboras venenosas mascaradas dos estrangeiros, e rotulam as abordagens decisivas do sistema islâmico, do judiciário e da imprensa responsável e dos defensores da revolução como disseminação monopolista e extremista da violência e ameaças à liberdade, as crianças corajosas e zelosas da nação muçulmana iraniana agiram e, por meio da execução revolucionária de elementos sujos e vendidos que estavam por trás de movimentos nacionalistas e outras ações venenosas nas universidades, deram o segundo passo prático na defesa das grandes conquistas da Revolução Islâmica ... A execução revolucionária de Dariush Forouhar, Parvaneh Eskandari, Mohammad Mokhtari e Mohammad Jafar Pouyandeh são um alerta para todos os escritores mercenários e seus apoiadores do contravalor que valorizam a ideia de espalhar corrupção e promiscuidade no país e restaurar a dominação estrangeira sobre o Irã...O conservador líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, a mais alta autoridade política e religiosa do país, especulou sobre os autores. Khamenei culpou potências estrangeiras, afirmando que "o inimigo estava criando insegurança para tentar bloquear o progresso do sistema islâmico do Irã." Correspondentes estrangeiros acreditavam que os principais suspeitos provavelmente seriam conservadores contrários à agenda de reformas mais moderada do presidente iraniano,Mohammad Khatami.  No Irã(o), jornais diários conservadores também culparam "fontes estrangeiras pretendendo criar um ambiente de insegurança e instabilidade no país" pelos assassinatos.