A Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (AEMED-BR), é uma entidade civil sem fins lucrativos que representa estudantes de medicina em todo o território nacional. Diferencia-se de outras entidades estudantis por sua defesa intransigente da qualidade do ensino médico, bem como do Exame Nacional de Proficiência Médica (Profimed), Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) e da liberdade política e individual do estudante.

A entidade é reconhecida como a legítima representação estudantil de Medicina pela Associação Médica Brasileira. Seus membros e ex-membros integram diversas comissões e câmeras técnicas do Conselho Federal de Medicina, entre elas, se destacam as comissões de Ensino Médico e Médico Jovem. Contam com presença em audiências e debates em comissões legislativas do Congresso Nacional e Senado Federal no que tange os temas de educação médica e políticas de saúde pública. A associação promove anualmente o Congresso Nacional dos Estudantes de Medicina (CONEM).

História e Fundamentação A AEMED-BR surgiu em 2013 como uma alternativa às organizações estudantis tradicionais, focando em uma pauta mais voltada à qualificação técnica e à defesa da profissão médica frente à abertura indiscriminada de novas faculdades de medicina no país, sem devida infraestrutura adequada e péssima qualidade de ensino. Neste período, houve diversas manifestações promovidas contra o programa mais médicos, que estava sendo implementado pelo Governo Federal. A associação fundamenta-se em princípios de meritocracia, ética médica e rigor acadêmico. Ao longo dos anos, suas federadas atuam em conjunto com os conselhos, associações e sindicatos médicos estaduais, na participação e elaboração de fórum científicos, simpósios e congressos de especialidades e também temas gerais na defesa da Medicina e saúde pública. Como por exemplo, a militância pela Lei nº 13.270, de 13 de abril de 2016, que determina uso da expressão 'médico' nos diplomas dos cursos de Medicina e veda o uso do termo “bacharel em Medicina”. Durante a pandemia, intermediaram em conjunto com as secretárias de saúde para que os estudantes entrassem no grupo prioritário para receber a vacina do covid-19 e continuidade das práticas do internato durante a quarentena.

Em 2021, a AEMED-BR filiou-se ao IBDM - Instituto Brasil de Medicina e em conjunto com esta instituição, Frente Parlamentar da Medicina e Entidade Médicas, tem trabalhado na elaboração de Projetos de Lei junto ao Congresso Nacional para que a educação médica brasileira seja protegida, melhorada, atualizada e livre de interesses escusos ou de grupos que desejam apoderar-se da Medicina para utilização da mesma como capital político. No ano de 2026, manifestou apoio conjunto com a Associação Nacional dos Médicos Residentes, no projeto de lei 1732/2022, que sancionada, passou a garantir o fracionamento das férias na residência médica.

Mudanças no ENARE e surgimento do ENAMED Após o Brasil viver uma abertura desenfreada de cursos e vagas em medicina, sem critérios rigorosos de qualidade, gerou uma preocupação com o nível de formação dos egressos e a segurança do paciente. O CFM junto do Ministério da Educação, iniciaram debates sobre a criação de uma avaliação de proficiência específica para medicina, junto de diversas entidades médicas. O modelo do ENADE começa a ser questionado como insuficiente para aferir a qualidade da formação médica de forma efetiva. Em 2025, cria-se o Exame Nacional de Medicina, vinculando seus resultados ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) e atribuindo ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira a responsabilidade de sua elaboração e aplicação anual (Portaria INEP 478/2025). O novo exame possui relevância estratégica nacional, no escopo da avaliação da formação médica no Brasil, e seus resultados impactam diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS) e o ingresso de novos médicos no mercado de trabalho. A nota do ENAMED é utilizada no ENARE (Exame Nacional de Residência) como critério de acesso às vagas de residência médica.

A prova é composta por 100 questões objetivas (Medicina Preventiva e Social, Ginecologia e Obstetrícia, Clínica Médica, Pediatria, Urgência e Emergência, Ética Médica e Cirurgia), com aplicação semestral aos estudantes do 6º ano, escala de conceitos de 1 a 5, e abrangência das 7 grandes áreas de formação médica. Cursos com conceito 1 ou 2 ficam sujeitos a sanções institucionais. Participaram 39.258 eram estudantes concluintes do curso. Desses, 67% tiveram proficiência. Ao analisar a distribuição dos cursos por Conceito Enade, o levantamento mostra que um curso ficou sem conceito (SC) e teve menos de 10 estudantes avaliados. Entre os cursos avaliados, 24 (7,1%) obtiveram conceito 1, com até 39,9% de estudantes proficientes. O conceito 2 foi atribuído a 83 cursos (23,6%), que apresentaram entre 40% e 59,9% de alunos proficientes. Já 80 cursos (22,7%) alcançaram o conceito 3, com percentuais entre 60% e 74,9%. Na faixa superior, 114 cursos (33,0%) obtiveram conceito 4, com 75% a 89,9% de estudantes proficientes, enquanto 49 cursos (13,6%) alcançaram o conceito máximo, 5, ao registrar percentual igual ou superior a 90% de alunos proficientes.

Em mudanças recentes, a Comissão Nacional de Residência Médica (CNMR) publicou resolução que permite que programas de acesso direto “poderão utilizar os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), conduzido pelo INEP, como etapa de avaliação cognitiva ou avaliação de conhecimentos teóricos”. A CNMR estabeleceu também um novo calendário oficial com duas janelas de entrada para os programas de residência médica no Brasil: 1º de março (primeiro semestre) e 1º de setembro (segundo semestre). Estas mudanças fazem parte do projeto de expansão do Ministério da Saúde com o programa "Mais Médicos Especialistas", que visa aumentar a oferta de bolsas de residências médicas e levar a maior especialização médica ao interior do Brasil.

Este novo modelo, surgiu diversos elogios e diversas críticas por parte da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil e o meio médico no geral. Apesar de ser uma nova forma de avaliação, bem como fiscalização dos cursos de medicina, este projeto do Governo Federal rivalizou com o Exame Nacional de Proficiência Médica (Profimed), conhecido como "OAB da Medicina". Neste projeto, o processo de seleção da proficiência seria pelo CFM, que possui a atribuição legal de emitir o registro profissional para os candidatos aptos, punindo de forma mais eficaz, o aluno que não cumpriu com os requisitos necessários aptos a exercer a profissão, evitando iatrogenias a sociedade. Em 2026, o Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, instituiu o Enamed como exame de proficiência para o exercício da medicina no país. Esta medida não entrou em vigor para os acadêmicos ainda em curso, apenas para aqueles que ainda não se matricularam na graduação. O Ministério da Educação também determinou que o Enamed será a primeira etapa do processo do REVALIDA. Também, ocorrerá semestralmente assim como o processo de revalidação, visando as turmas que se formam no semestre da metade do ano.

Houve debates entre o meio universitário com a retirada da análise curricular do ENARE em 2026. Apesar disto, a AEMEDBR tem como princípio o fomento científico, atuando em procura de bolsas de pesquisa durante a graduação. Dentre outras críticas pelas entidades se encontram os sistemas de cotas para residência médica e bonificação de 10% na nota para médicos de família e comunidade. Esses fatores somados ao número de recém formados mas sem o crescimento proporcional de vagas de residência médica, tornaram concorrido a seleção e crescendo o mercado de pós graduação, visto por muitos como problemático.

Diretoria e organização A Associação consta com a presença de diversas federadas pelo Brasil. A maioria dos cargos que compõem a diretoria envolvem: Presidente, Vice-presidente, Secretários, Tesoureiro, Diretor de Pesquisa, Diretor Científico, Diretor de Ensino Médico e entre outras comissões. GestãoPresidenteVice-presidente2020–2022Márcio Yuri FerreiraArthur Vinícius Moraes Silva2022–2024Rafael Lobo de SouzaCainã Cardoso2024–2026Gabriel Sanchez OkidaArina Peixoto Nobre

Ligas Acadêmicas de Medicina Inicialmente criadas nos cursos de Medicina, uma liga acadêmica é uma associação civil e científica livre, de duração indeterminada, que visa complementar a formação acadêmica em uma área específica, por meio de atividades que atendam os princípios do tripé universitário de ensino, pesquisa e extensão. A liga é criada e organizada por acadêmicos, professores e profissionais que apresentam interesses em comum. Constitui-se por atividades extraclasse e costuma ter ações voltadas para a promoção à saúde, educação e pesquisas, contribuindo para o desenvolvimento científico e aprimoramento da área a qual estuda.

Algumas ligas, principalmente as mais antigas, por terem ligas em outras universidades visando o mesmo tema, acabam se organizando em grupos maiores, estaduais, regionais e federais, dentro da AEMEDBR. Assim, são realizadas ações em conjunto, aumentando a abrangência das mesmas. Como exemplo, pode-se citar o Comitê Brasileiro de Ligas do Trauma (COBRALT) e o Comitê Brasileiro das Ligas de Otorrinolaringologia (CBLORL), que reúnem todas as Ligas da mesma área/especialidade médica, e a Sociedade Brasileira de Ligas Acadêmicas de Clínica Médica que promove eventos e cooperação entre as ligas integrantes e suas ações.GOERGEN, Diego Inácio. LIGAS ACADÊMICAS: UMA REVISÃO DE VÁRIAS EXPERIÊNCIAS. Arquivos Catarinenses de Medicina, [S.l.], v. 46, n. 3, p. 183-193, set. 2017. ISSN 18064280. Disponível em: LIGAS ACADÊMICAS: UMA REVISÃO DE VÁRIAS EXPERIÊNCIAS. Acesso em: 08 set. 2017., Outros exemplos incluem a Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Saúde Integrativa e Complementar (ABLASIC) e a Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Cirurgia (ABLAC). As organizações de ligas também podem trabalhar na regulação das ligas acadêmicas, como uma resposta à proliferação de ligas sem as devidas reflexões sobre as mesmas.Goergen, D., & Hamamoto Filho, P. (2017). Lições aprendidas de um processo para regular a criação de Ligas Acadêmicas. Revista Ciência em Extensão, 13(4), 64-76. Recuperado de https://ojs.unesp.br/index.php/revista_proex/article/view/1513

Alguns autores, porém, enumeram críticas às ligas acadêmicas. Ressalta-se a possível subversão da estrutura curricular formal, reprodução vícios acadêmicos, especialização precoce, risco do exercício ilegal sem orientação e supervisão e a ênfase no ensino e pesquisa em detrimento da extensão universitária, reduzida a campanhas e atividades pontuais.GOERGEN, Diego Inácio. LIGAS ACADÊMICAS: UMA REVISÃO DE VÁRIAS EXPERIÊNCIAS. Arquivos Catarinenses de Medicina, [S.l.], v. 46, n. 3, p. 183-193, set. 2017. ISSN 18064280. Disponível em: LIGAS ACADÊMICAS: UMA REVISÃO DE VÁRIAS EXPERIÊNCIAS. Acesso em: 08 set. 2017.

Código de Ética do Estudante de Medicina A AEMEDBR teve participação na escrita e elaboração do Código de Ética do Estudante de Medicina juntamente do Conselho Federal de Medicina. Em 25 de fevereiro de 2016, o CFM criou a Comissão para elaboração do Código de ética do estudante de medicina. O grupo, composto por representantes de diferentes organizações, se debruçou sobre esse desafio por quase dois anos, entregando ao final o documento ora apresentado, o qual deve ser divulgado e adotado como orientador para a vida dos alunos inscritos nas escolas médicas. É formado por 45 artigos organizados em seis diferentes eixos.

Princípios Fundamentais

Formação e conduta pelo respeito à vida, à dignidade humana, aos direitos humanos, à ética, ao conhecimento científico, ao sigilo, à responsabilidade social e à integridade da profissão médica.

Eixo 1 – Relação do estudante com as instituições de ensino e de saúde