José Duarte de Almeida Pinho (São Pedro do Sul, 1953 - Lisboa, 30 de Maio de 2023) foi um livreiro e editor literário português.

Biografia Nasceu em 1953, numa aldeia no concelho de São Pedro do Sul. Aos dezanove anos fugiu para França, devido à sua oposição à ditadura militar e por não querer combater na Guerra Colonial. Voltou a Portugal na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, tendo estado integrado na Comissão de Trabalhadores de um estaleiro naval, mas pouco tempo depois voltou a França, onde exerceu várias profissões. Regressou depois a território nacional, onde frequentou um curso universitário em Línguas e Literaturas Modernas.

Em 1989 tornou-se editor da revista Devagar, posição que deixou em 1995. Esteve envolvido na organização de várias iniciativas de cariz cultural, destacando-se a livraria Ler Devagar, fundada em 1999 no Bairro Alto, em Lisboa, que se afirmou como um dos principais centros de encontro com as artes na capital. Esta primeira encarnação da livraria encerrou em 2005, mas em 2008 renasceu como parte do complexo da Lx Factory, em Alcântara. Além da Ler Devagar, contribuiu igualmente para o desenvolvimento de outros espaços literários em Lisboa, nomeadamente a Nouvelle Librairie Française de Lisboa, especializada em livros franceses, e a livraria histórica Ferin, na Rua Nova do Almada, em Lisboa, que reabriu em 2017. Também exerceu como director artístico do Festival Internacional de Literatura e Língua Portuguesa — Lisboa 5L, e esteve envolvido noutros programas culturais, como o Ler Devagar Cinema, na Cinemateca Portuguesa, o Ler Devagar Artes, na fundação Culturgest, e o novo Centro Cultural e Social do Bairro Alto. Representou igualmente a Rede de Livrarias Independentes, uma associação de pequenas livrarias em território nacional, tendo-se destacado pelo seu papel durante a Pandemia de COVID-19, durante a qual fez várias reuniões com o governo no sentido de procurar subsídios, e introduziu várias medidas para garantir o funcionamento daqueles estabelecimentos.

Em meados da década de 2010 foi responsável por um programa vila literária, para o desenvolvimento do comércio livreiro em Óbidos, tendo aberto onze estabelecimentos reaproveitando vários espaços devolutos naquela vila, nomeadamente as livrarias Santiago, do Mercado Biológico e da Adega. Ao mesmo tempo, também impulsionou a criação de dois festivais literários, dando origem ao Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos e Latitudes — Literatura e Viajantes. Os seus esforços tiveram um papel decisivo na classificação de Óbidos como Cidade Criativa da Literatura em Portugal, por parte da UNESCO.

Em 10 de Maio de 2023 foi condecorado com o grau de grau de comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Recebeu igualmente a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, que o classificou como uma «personalidade ímpar da cidade» e uma «personalidade incontornável do setor cultural do país e da cidade de Lisboa, dedicando-se há mais de duas décadas a estimular e inovar a democratização do acesso à cultura e à formação de públicos, com especial enfoque na promoção do livro, da leitura, da língua portuguesa, da criação artística, bem como de todas as outras formas de expressão cultural».

Faleceu em 30 de Maio de 2023, aos 69 anos de idade, no Hospital CUF, em Lisboa, devido a uma doença oncológica. Na sequência do seu falecimento, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, emitiu uma nota de pesar, onde o destacou como «um dos melhores amigos dos livros e da leitura em Portugal», recordando a forma como «recuperou o infelizmente desusado conceito de livraria de fundos, defendendo, em contraciclo, a diversidade e a pluralidade de géneros literários e a atenção a médias e pequenas editoras». No obituário publicado no jornal Público, foi recordado como «o homem da Ler Devagar que reinventou a livraria de fundos contra o império das novidades». A autarquia de óbidos também emitiu uma nota de pesar, onde afirmou que «José Pinho foi um marco para Óbidos», por ter sido «um dos fundadores da Óbidos Vila Literária, arriscou construir uma rede de livrarias numa vila histórica e, acima de tudo, lutou por uma democratização da Literatura e da Cultura em Portugal.».

Categoria:Naturais de São Pedro do Sul Categoria:Nascidos em 1953 Categoria:Mortos em 2023 Categoria:Livreiros Categoria:Editores de Portugal