Fátima binte Açade (; m. 625–626) foi uma mulher haxemita dos coraixitas, esposa de Abu Talibe ibne Abede Almotalibe e mãe, entre outros, de Ali, Jafar, Aquil e Talibe. Neta de Haxime ibne Abede Manafe, pertencia pelo nascimento ao mesmo clã de seu marido e de Maomé. Após a morte de Abede Almotalibe, Maomé foi acolhido ainda criança na casa de Abu Talibe, e as tradições atribuem a Fátima papel importante em sua criação, a ponto de Maomé ter posteriormente se referido a ela como sua mãe depois da própria mãe. Fátima viveu em Meca durante os primeiros anos da pregação islâmica, embora as fontes modernas divirjam quanto ao momento de sua conversão ao islã. Permaneceu com os haxemitas durante o boicote imposto ao clã e posteriormente esteve entre as primeiras mulheres dos companheiros a migrar para Medina.

Depois do casamento de Ali com Fátima Azara, passou a viver na mesma casa que a nora e continuou a manter estreita relação com Maomé. Tradições acerca do nascimento de Ali afirmam ainda que Fátima lhe deu à luz no interior da Caaba, embora outras tradições atribuam a Haquime ibne Hizame o nascimento no santuário. Fátima morreu em Medina nos primeiros anos depois da Hégira, sendo sua morte tradicionalmente situada em 4 A.H. (625–626), e teria sido sepultada no cemitério de Albaqui. Numerosas tradições conferem especial destaque à participação pessoal de Maomé em seus ritos funerários: segundo diferentes relatos, ele teria fornecido a própria camisa para sua mortalha, conduzido a oração fúnebre, participado da preparação da sepultura e entrado em seu interior antes do sepultamento. Algumas versões atribuem significado escatológico a esses atos, relacionando-os à proteção de Fátima no túmulo e na vida após a morte.

Vida

Fátima nasceu em data incerta ao longo do . Era filha de Açade ibne Haxime e, portanto, neta de Haxime ibne Abede Manafe. Sua mãe era Hubaia binte Harame ibne Rauá, dos amiritas, um ramo dos coraixitas. Casou-se com seu primo Abu Talibe ibne Abede Almotalibe, chefe dos haxemitas, com quem teve quatro filhos, Talibe, Aquil, Jafar e Ali. As fontes mencionam ainda entre suas filhas Ume Hani e Jumana, enquanto alguns autores de sira acrescentam Raita e Asma. Após a morte de Abede Almotalibe, avô de Maomé, este, então com cerca de oito anos, passou aos cuidados de Abu Talibe e foi criado em sua casa. Tradições sobre esse período atribuem a Fátima um papel importante na criação de Maomé, afirmando que cuidava de suas necessidades antes das dos próprios filhos. Segundo um desses relatos, nas refeições familiares, Maomé era servido primeiro e os demais aguardavam sua chegada antes de começar a comer. Maomé teria posteriormente se referido a ela como sua mãe depois da própria mãe.

Segundo tradições acerca do nascimento de Ali, Fátima deu à luz o filho no interior da Caaba, em Meca. Relatos associados ao episódio situam o nascimento em 13 de Rajabe e afirmam que Fátima entrou no santuário depois de invocar a Deus durante as dores do parto, permanecendo ali por três dias antes de sair com Ali. Abbas registra ainda uma tradição segundo a qual Maomé teria recebido o recém-nascido nos braços e lhe dado o nome Ali, enquanto Fátima o teria chamado Haider ("leão"). A atribuição do nascimento na Caaba a Ali não é, contudo, unânime na tradição: Dawood assinala que outras fontes atribuem o nascimento no interior do santuário a Haquime ibne Hizame, e não a Ali. As fontes modernas ainda divergem quanto ao momento da conversão de Fátima ao islã. Abbas apresenta-a como a segunda mulher a abraçar o islã, depois de Cadija, incluindo-a assim entre os primeiros seguidores de Maomé. Aykaç, por outro lado, considera provável que ela não tenha se convertido imediatamente após o início da pregação de Maomé, mas somente depois da morte de Abu Talibe, cerca de dois anos antes da Hégira, cronologia também adotada por Dawood.

Durante o boicote imposto aos haxemitas em Meca, Fátima permaneceu com o clã. Posteriormente, esteve entre as primeiras mulheres dos companheiros a migrar para Medina. Segundo Abbas, quando Maomé deixou Meca, incumbiu Ali de permanecer temporariamente na cidade e depois conduzir a Medina algumas das mulheres da família, entre elas sua mãe. Ali partiu três dias depois de Maomé acompanhado de Fátima, Fátima Azara e outras mulheres e reuniu-se com ele em Cuba, nos arredores de Medina. Fátima morreu em Medina nos primeiros anos após a Hégira, segundo alguns historiadores em 4 A.H. (625–626); Dhannūn atribui-lhe cerca de sessenta anos ao morrer e situa seu sepultamento no cemitério de Albaqui. Diversas tradições atribuem a Maomé participação pessoal em seus ritos funerários. Segundo esses relatos, teria cedido a própria camisa para servir de mortalha, conduzido a oração fúnebre, pronunciado setenta taquebires e participado pessoalmente da preparação da sepultura. Uma das versões, transmitida de Anas ibne Maleque, acrescenta que Uçama ibne Zaíde, Abaiube Alançari, Omar ibne Alcatabe e um servo participaram da escavação da sepultura e que Maomé teria entrado nela e se deitado em seu interior. O relato atribui-lhe ainda uma súplica pelo perdão de Fátima e pela ampliação de sua sepultura. Outras versões conferem significado escatológico a esses atos, afirmando que Maomé teria explicado que lhe dera sua camisa para que fosse vestida com as roupas do Paraíso e que se deitara em sua sepultura para aliviar a pressão do túmulo.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Mulheres do século VI Categoria:Tios de Maomé Categoria:Pais de Ali Categoria:Naturais de Meca Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Amiritas (coraixitas) Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui